Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017

Carlos Ruiz Zafón "O Jogo do Anjo"

Perdi-me deste livro nas férias que se encontravam em mim, talvez por isso, não vivi intensamente a sua leitura, que se prolongou nos dias enquanto a personagem principal, David Martín agonizava nos seus dramas e nas teorias de conspiração de que se sentia alvo.

Esta é a minha segunda incursão na escrita de Zafón, e embora não tenha lido de forma sôfrega, é quase mágica a mistura de tantos elementos diferentes como romance, amizade, mistério, e até mesmo o sobrenatural) com sua narrativa quase poética, com esta escrita melodiosa que encanta os nossos olhos. Uma das grandes habilidades do autor é a capacidade que tem em criar ambientes sinistros, opressivos e soturnos. Não só Barcelona parece assustadora como qualquer outro ambiente descrito no livro é arrepiante, quer seja uma rua, uma casa ou simplesmente um sombra.

Em “O Jogo do Anjo” regressamos à Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, mas de 1920, onde vamos encontrar a Sempere e Filhos e conhecer o avô e o pai do nosso Daniel Sempere de “A Sombra do Vento”, e também Isabella, a sua mãe.

Além da David, Isabella, é sem dúvida, a personagem que mais se destaca, uma rapariga inicialmente que pode parecer ingénua, mas que se vai revelar uma mulher forte, leal, obstinada, e sem dúvida, a grande amiga de Daniel. Perceber na história que esta Isabella é mãe do nosso querido Daniel Sempere é um dos momentos emocionantes para quem adorou o primeiro livro desta tetralogia.  

Voltando a este livro, David Martín é um aspirante a escritor, que após escrever alguns contos, recebe uma proposta deveras estranha. Escrever um livro de contornos tenebrosos para uma personagem sinistra que lhe oferece uma fortuna pela escrita do mesmo – um livro religioso, que permita massificar a população. Andreas Corelli é o estranho patrão que guarda em si mistérios intermináveis que iremos tentar desvendar ao longo da história.

David vive numa casa sombria que encerra em si mistérios que o vão atingir. Vê-se envolvido numa trama de intrigas e suspeitas.  Quando visita o Cemitério dos Livros Esquecidos, o livro que David escolhe (ou que o escolhe a ele) nada mais é que o livro de Diego Marlasca, o antigo proprietário dessa casa, amaldiçoado, com quem David acaba tendo seu destino cruzado. Depara-se com coincidências estranhas que envolvem Diego Marlasca e o seu editor, dando início a uma investigação que a pouco e pouco vai deixando mortes estranhas atrás de si, à medida que vai sendo também perseguido pela polícia.

A história tem um final curioso que a leitura a isso não conduz, e se existem indícios pelo meio, a mim passaram despercebidos.

A mistura entre realidade e ficção, a existência de episódios que nunca poderiam ter existido na realidade, roçando o fantástico mergulha o leitor numa atmosfera do imaginário.

Afinal o que é real? O que é fruto da imaginação? Afinal foi David que fez determinados actos quando estava inconsciente. Demasiadas coincidências que o conduzem a tais episódios.  E afinal quem é Corelli, um anjo ou um demónio? É real ou imortal?

Existem algumas pontas soltas que nos deixam algumas perguntas sem resposta, e em que muitas vezes temos de tentar obter as respostas nas entrelinhas dos diálogos e dos factos. Ou talvez não existam assim tantas pontas soltas, pois talvez o grande objetivo do autor é deixar a interpretação para cada leitor.

Termino com uma frase de Sempere, que simplesmente adoro "Os livros têm alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele."

Pode ser um livros com contornos obscuros e nem sempre fácil de interpretar, mas sem dúvida que é uma leitura desafiante.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 20:48

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