Sábado, 12 de Agosto de 2017

Julia Navarro "Dispara, eu já estou morto"

Um livro que ao iniciar-se me recorda um outro livro desta autora pelas semelhanças de um narrador presente que conta a história da sua família de judeus e de uma activista que ouve e que conta a história vista pelos árabes, por isso ficamos num equilíbrio para não tomarmos partido.
"Dispara, já estou morto" é muito mais do que um romance, é um romance histórico, é uma viagem pela história de uma religião e fé, a dos Judeus. Dos progoms da Rússia czarista à II Guerra Mundial, das expulsões dos Reis Católicos em Espanha aos conflitos armados do presente no Estado de Israel. É presenciar como duas famílias, uma judia e outra árabe, mesmo com diferenças inconciliáveis na fé, conciliaram uma bonita e sólida amizade que a guerra um dia desmoronou e que os seus herdeiros não a puderam viver.
Mais do que duas famílias em luta contra o destino, é o reflexo de tantos judeus, pela sobrevivência e por um pedaço de terra, onde possam viver sem serem perseguidos, humilhados, expulsos ou exterminados pela condição de serem judeus. Mas, é também a luta dos muçulmanos palestinianos pela terra onde sempre viveram. "Dispara, Eu Já Estou Morto" é, portante, um romance sobre o conflito que divide à várias décadas israelitas e palestinianos.
Não é uma leitura fácil, exige tempo, dedicação e concentração. E muitas vezes torna-se pesada pelo narrar de acontecimentos e períodos históricos. Ler a passagem da segunda guerra mundial é sentir a alma contorcer-se em dor ao visualizar as imagens descritas nas palavras. Foram algumas as vezes que reprimi as lágrimas em plena rua para não mostra o quanto certas descrições me emocionavam.
Talvez a história peque pelo elevado número de personagens, o que nos obriga a redobrar a atenção para perceber quem é e não perder o seu rasto.
Faltou quebrar algumas regras, e não manter-se fiel a um relato histórico. Podia ser disruptiva e mostrar que o amor entre uma muçulmana e um árabe podia vencer. No entanto, somos presenteados com um final inesperado (mas não digo qual é!).
Embora não seja a obra perfeita, não consegui largar o livro até o terminar. Quem goste de romances históricos é uma boa leitura. Por gostar desse tipo de género literário, a história agarrou-me e não me senti maçada.
É a minha terceira incursão nas obras de Julia Navarro e posso assumir-me com uma fã da sua escrita e da sua obra por nos ensinar tanto sobre a nossa história que tantas vezes queremos fingir que não aconteceu.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 20:58

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