Domingo, 15 de Novembro de 2015

Khaled Hosseini "Mil Sóis Resplandecentes"

Ainda neste outono de sol que a natureza nos brinda, “Mil Sóis Resplandecentes” era uma leitura prometida em mim que ficara remoer numa ansiedade para correr as suas palavras após a emoção de “O Menino de Cabul”. Khaled Hosseini, mais uma vez descreve-nos uma história carregada de emoção numa escrita soberba e arrebatadora desde a primeira linha. Ainda estava eu nas primeiras páginas, e já me sentia agarrada a Mariam, sem a querer largar numa avidez para conhecer a sua história, vivida num Afeganistão em revolução nos últimos 30 anos. Mariam e Laila, as duas personagens principais, podem ser nomes fictícios numa história fictícia, mas estou certa que aconteceu com outras pessoas com outros nomes, e que muitos dos momentos foram reais, com outra Mariam ou outra Laila. Não querendo fugir ao meu pensamento sobre este livro, gostaria de todos lessem, pelo menos, um livro deste autor, para conhecerem um pouco mais do povo afegão, para que percebamos que também o seu povo é vítima dos extremistas religiosos, que se socorrem da religião para justificar o seu fanatismo sem sentido e a sua vontade imensa sede de derramar sangue. São doentes que querem impor as suas regras à força. São animais irracionais que nada respeitam. Leiam e vivam na pele a história destas duas mulheres numa viagem ao Afeganistão para vermos como também esse povo sofre e que no meio dos ataques perdidos entre povos, são os INOCENTES que perdem a vida. A guerra nunca fará sentido ao provocar a morte de pessoas inocentes.
Voltando a Mariam e Laila, vamos conhecê-las em gerações diferentes e só numa fase avançada do livro vamos perceber como as suas vidas se interligam. Mariam, nascida em 1959, uma filha bastarda de um homem rico de Herat, vê perder a sua mãe e vai sempre sentir-se culpada por isso. E nesse momento tudo muda. Com 14 anos é obrigada a casar-se com um homem mais velho. O sofrimento é cada vez maior em si.
Laila é uma menina que nasce em abril de 1978, na noite do Golpe de Estado, e desde o início, a amizade com Tariq aquece-nos a alma. Vemos como o preconceito existe naquela sociedade em que um rapaz e uma rapariga de 14 anos não podem ser amigos, embora saibamos que entre eles existe um amor puro que a guerra e os outros tentarão destruir. É impossível conter as lágrimas quando Laila perde os seus pais, quando perde Tariq e é obrigada a partilhar o marido de Mariam, Rashid, um homem execrável. É despoletada a amizade entre as duas mulheres, primeiro raiva e ódio dentro delas, mas depois surge uma união que nos irá sensibilizar. E estou certa que quando Mariam for a responsável por Laila poder ser feliz, as lágrimas vão cair na face. Será difícil conter tanta emoção!
Podia-me prolongar nesta minha crítica, mas já mencionei o essencial. Sintam as palavras do autor. Vivam a história como se estivessem ao lado destas mulheres. Chorem, sofram, sorriam, nunca percam a coragem, lutem sempre e surpreendam-se com o final (mais não digo!). Porque a escuridão não é eterna, é uma bonita mensagem deste autor assim como outras mensagens que vamos absorvendo ao longo da história.
Confesso que tinha expetativas demasiado elevadas para este livro, mas que em poucas linhas foram-se superando e no final só me conseguia sentir arrebatada com esta história.
Recomendo vivamente a sua leitura e nunca se esqueçam que existem demasiadas Mariams e Laila num Afeganistão destruído pelas sucessivas guerras.

mil sois.jpg

publicado por Ana Cristina Gomes às 23:15

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