Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019

A Amazónia arde....todos nós estamos a arder!

Imaginem o nosso pulmão a arder e a respiração a faltar-nos. O ar que é fumo e as cinzas que se espalham no nosso sangue. Parece um pesadelo. Olhamos e vemos que nada arde. Ufa, pensamos nós. Pura ilusão.
O pulmão da nossa terra-mãe arde há 17 dias. 17 dias?! Como é possível?!
Um holocausto ambiental silencioso que mata e dizima a vida de árvores e animais.
Porra, não são "apenas" eles que morrem. Um abanão para os mais despreocupados. Nós também estamos a morrer com tamanha destruição. A cada dia que passa abeiramos-nos do precipício. De onde nada se salvará.
Precisamos dos pulmões verdes para respirar. Ou estão a inventar alguma técnica de respirar lucro e dinheiro?!
A nossa terra-mãe não está à venda. Ela é de todos nós. É a nossa casa. É nas nossas janelas que está a entrar este cheiro horrifíco a queimado. Mas em vez de cuidarmos dela, não, vemos como isso nos pode ser rentável. As queimadas. A desflorestação. Os resorts de luxo. Os campos de golfe e o que mais houver que desenhe zeros nas contas bancárias.
Lembrem-se, o saldo da nossa terra-mãe está a esgotar-se. Já não há tempo para créditos.
É urgente tremer. Acordar e olhar este terrror e aniquila-lo. Juntos pelo bem-estar da nossa casa. A única casa que temos (é bom não esquecer este pequeno pormenor, apenas detalhes irrelevantes).
Sem pulmões não temos ar. E o pulmão está a arder.
Sem terra-mãe não há vida. E coração da terra-mãe começa a parar de bater.
E é tão cruel como isso. E agora, já sentem os vossos pulmões a arder?!

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 17:31

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Sábado, 17 de Agosto de 2019

Desaceleras-me o tempo!

Um verão vestido de um outono que ano menos ano será apenas recordação das memórias de infância. Um verão tantas vezes sinónimo de férias. De quebrar as rotinas diárias. Inventar rotinas de férias sem relógios ou horários. Sem lista de tarefas ou urgências. Sem e-mails ou telefones. Desacelerar o tempo. Ritmar o repouso.

Também para mim, estes são alguns dias de desligar de uma realidade mundana que tanto me tem desgastado as emoções nos últimos meses. Desacelerar o meu tempo. Parar para sentir a vida no meu pulso.

São dias de novas rotinas. As minhas rotinas de férias. Quando o tempo refreia porque não te vejo. Não te ver é sentir os dias abrandar nos minutos de um relógio que guardei na gaveta. Não correr por um olhar teu. Desaceleras-me o tempo nestas minhas férias. Fazes-me respirar fundo. Inspirar e expirar lentamente. Longe ou perto não me esqueço de ti um dia em que o sol nasce. Vivo os meus momentos. Viver cada instante. Sem rapidezes. Apenas a urgência de sentir esta tranquilidade que me deixas quando desaceleras o meu tempo. Deixas-me tempo para conversar comigo. Aquilo que me tens ensinado nas nossas sempre conversas silenciosas. Saber conversar-me no silêncio.

Desaceleras-me o tempo. Dás-me o meu tempo para olhar para o meu caminho. Meditar no presente. Sonhar o futuro.  Estudar as estrelas. Escrever os desejos em jardins de sal. Olhar o mar na serenidade de estar ali sentada. Eu e o mar. Deixar fluir o meu bater do coração. Não pensar em nada. Somente apreciar a beleza da perfeição da natureza no pôr-do-sol.

Desaceleras-me o tempo. Fazes-me flutuar nos meus dias de rotinas de férias. Sem os nossos horários. Contigo sempre na minha alma. Para não sentir as saudades tuas.

No meio destas rotinas de férias. De idas e vindas. De partidas e largadas. De passeios e quilómetros. No meio destes meus passos de descanso o teu sorriso. Aquele teu sorriso-mel. O meu sorriso preferido de todos os outros sorrisos que sorriem a alma. A lembrar-me dos meus fins de tarde que tanto guardo em mim pela vida que devolvem.  

Desaceleras-me o tempo nesse teu sorriso!

Desaceleras-me o tempo! E fazes-me viver!

publicado por Ana Cristina Gomes às 21:25

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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019

Alpendre de emoções

Descobri um alpendre de emoções minhas. Que viviam dentro de mim e estavam adormecidas na casa abandonada que eu era. Abandonada de sonhos e esperança. Era uma casa, assim, sem vida. Sem sorrisos e risos. Despojada de emoções.

Primeiro abri uma janela. Quando te vi. Apenas abri uma fresta. Com medo do que pudesse entrar. E qual rajada de vento, escancaraste os caixilhos de uma madeira podre que a cercavam. Assim sem saber como trouxeste-me as tuas memórias que estavam trancadas na minha alma.

A luz do candeeiro do meu coração acendeu-se. Para iluminar o meu caminho. Desbravar as silvas. Essas ervas daninhas que cegaram anos do meu viver. Que os teus olhos mel-outono transformaram em flores.  

Aos poucos a casa que sou voltou a cozinhar momentos temperados com sentidos que despertaram das masmorras onde estavam encarcerados. O teu sorriso encantado enfeitiçou-me de sentidos.

Comecei a fotografar instantes e a colecionar gratidão somente por existir. Guardo cada minuto teu. Cada gesto. Guardo as memórias da vida dentro de mim.

Quando voltei a olhar para dentro de mim tinha renascido. A minha criança interior voltou ao seu mundo encantado de fadas de onde a expulsei e não lhe dei espaço para ser a essência que a criança deve ser.

Revolvi as minhas entranhas. Limpei o meu lixo emocional. Nem o deitei na reciclagem. Deixei que o mar o levasse para longe. Para ser destruído e nunca mais voltar para me atormentar.

Descobri esse alpendre de emoções que estavam dentro de mim. De porta fechada. Que tu abriste. Trazias a chave dessa cela nessa tua alma. E que me entregaste tantas e tantas vezes depois daquela tarde de sol quando nos reencontramos.

Descobri neste alpendre emoções minhas em ti. Tornei-me mais forte e mais corajosa. Talvez nunca te sentes no sofá do meu colo e te conte este segredo. Que serás sempre aquele, o mais especial. Que me treme as lágrimas de emoções. Que me estremece o corpo. Que me vive um amor que um dia sei que algures será real.

Queria-te tanto dizer como o alpendre das tuas emoções me sustentou os meus dias nos últimos meses que passaram. Esse alpendre impediu-me de quebrar e desmoronar. De voltar a ser essa casa fantasma que era antes de ti. Por ti não apaguei as luzes. Mantive-as sempre acesas. Eras o meu alento do meu caminho. O que me fazia querer avistar chegar o fim de tarde. O picar o ponto. Para somente ver-te. Naquele segundo encontrava ânimo para o dia seguinte.

Agora nesta rotina de férias tive a certeza que eras tu na rotina do quotidiano que me fazia andar de cabeça erguida. Pronta a lutar. A não desistir. A ter um motivo para sair a correr comboio fora. Ver-te e ser capaz de escrever os meus sonhos. Os desejos.

Nesta rotina de férias penso em ti e não sei ainda se sou capaz de te deixar ir. De nos deixarmos ir. Ainda preciso que me sustentes os dias. Que a tua alma esteja ali para me ajudar a preencher aqueles dias vazios que só se escrevem nos fins de tarde.

Preciso que ainda sejas aquele meu alpendre de emoções. Onde me encosto para te ver passar. Saber que tenho de tornar os meus dias como estes fins de tarde. Que me façam sentir viva. Não posso perder tempo assim. Não é isso que me tens ensinado. A desperdiçar o tempo naquilo que não me faz feliz. Não é isso que este nosso alpendre de emoções nos conta.

Queria sentar-me neste alpendre de emoções à espera. À tua espera. Para te abraçar. Agradecer-te. Beijar-te na eternidade da gratidão.

Mas talvez nunca me chegues a esta porta que abriste para a vida e que por ti nunca fechará mesmo que nunca venhas.

Este alpendre de emoções nunca irá desaparecer.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 20:55

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Quinta-feira, 8 de Agosto de 2019

Baloiço

Neste baloiço sinto esta tristeza tua que vive em mim baloiçar suavemente. Uma tristeza tão íntima que os olhos disfarçam. Que só eu vejo.
Sinto-te a largar-me nas emoções do viver. A deixares-me em movimento. Pronta a cair para a vida. Tropeçar e levantar-me. Sem ti.
Neste baloiço de lágrimas. De mágoas nossas. Que ficarão cá sempre dentro de quem somos. A dor que não se esquece mas que me torna mais forte nesta mulher que sou.
Podes deixar-me neste baloiço. De coração apertado. De coração melancólico. Mas de coração aberto. Pronto para amar. Pronto para me deixar voar alto no que vier a sentir. Sem medos. Porque nunca tive medo disto que sinto por ti mesmo sabendo que seria sempre um sentimento guardado nas sete chaves do mais profundo do meu ser.
Um baloiço de emoções antagónicas estas que se mexem em mim. Não querer deixar-te ir. Não conseguir imaginar os dias sem te ver.
Deixas-me de alma tranquila na esperança que o amor um dia poderá chegar-me. E só me irá chegar porque esta nossa dor abriu-me os olhos para uma vontade de viver cada instante de cada momento. Não voltar a perder sensações.
Um baloiço. O que sinto por ti nunca cairá. Nunca será arrastado na corrente da água onde piso os meus pés. Na água gelada como o meu coração não voltará a gelar. Água serena como a tranquilidade que foi e é amar-te no meu silêncio. Conversas silenciosas que me renasceram a voz.
Há um baloiço preso ao tronco da árvore que se verga na maravilhosa imensidão da natureza. As raízes nossas que continuarão a perfurar a terra castanha. Raízes que se entrelaçam no sempre do tempo que sempre seremos. As nossas raízes que nos voltarão a cruzar os passos.
E nesse dia poderemos estar os dois neste baloiço do nosso amor.
Até lá haverá sempre o baloiço das memórias que deixas a baloiçar em mim.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:37

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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2019

Correr a estrada!

Correm, por entre mim, as árvores nas curvas desta estrada. Apressadas numa tranquilidade que contagia os passos dos pneus que são obrigados a abrandar nas curvas e curvinhas e apreciar cada canteiro de natureza à minha volta.

Os meus olhos fogem-me. Até ti. Quando me apertaste o coração naquela tarde. Mas não sinto ansiedade. Nem aqueles murros que pontapeiam o meu estômago.

Sinto apenas serenidade.

Porque desisti de forçar-me seja ao que for. Não agarro na borracha para te esquecer. Porque nunca nos vamos esquecer. Ambos sabemos que nos vamos sempre reencontrar qualquer que seja o tempo e lugar. Por isso deixo fluir este nosso reencontro de agora. Aprender o que ainda possas ter de me ensinar. Curares-me a esperança.

Deixo-me estar como estas árvores. Sossegadas. Quietas. Sem pressas para nos deixarmos ir um do outro. Rumo a um próximo reencontro onde talvez possamos ser muito mais daquilo que hoje somos. Quase desconhecidos com almas que se entranharam uma na outra. Eternamente dois.

Danço na melodia da brisa que faz cócegas aos ramos e que se riem. Sorrio. Gosto de ter descoberto como sorrir. Apertaste-me o coração mas sorrio. Porque há um tronco cheio de raízes escondidas só nossas. Que só nós vemos. Que só sentimos. O segredo que ocultamos um do outro.

Olho este verde que me aconchega os sentidos. Lembro-te de ti. Sinto apenas tranquilidade. A tranquilidade da gratidão desses teus olhos a apertarem-me o coração. A fazerem-me sentir viva. Pronta, de mangas arregaçadas, para viver. Continuar a crescer como estas árvores que renascem depois dos incêndios.

A estrada refreia. Os pensamentos abrandam. Ainda penso em ti.

De coração aquieto. A sentir aquela serenidade que me devolveste e que tinha perdido em mim.

Sinto-me parte desta natureza. A encontrar a minha paz!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:13

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Quarta-feira, 31 de Julho de 2019

Este teu dia avó!

Hoje, aquele dia que te viu partir antes de tempo, quando voaste rumo a um paraíso. Hoje, dez anos depois desse dia tão triste, minha querida avó, não vou escrever tristezas ou lágrimas. Não vou publicar fotos de saudades. Não foi isso que ensinaste estes anos sem ti.
Por ti, fui buscar aquela foto daquela quinta que nunca se perderá nas memórias. Aquela criança que tantas vezes não fui, para voltar a ser. Fui buscar as tuas flores. As tuas árvores. O teu eterno castanheiro atrás de mim. Que sempre me irá resguardar das tempestades. Os animais com quem falo tal e qual como eram essas tuas conversas que me fazem gargalhar. O aroma dessa quinta que sempre será brisa em mim.
Fui buscar o sorriso desta foto para sorrir quando os raios de sol me tocarem o corpo. A tua luz que brilhará sempre. A estrela que és e ilumina o meu caminho. Aquele caminho que tenho feito nestes anos sem ti. Mas que estás por perto para não me perder daquilo que realmente sou.
Nesta década sem ti, sem o teu corpo aqui, mas com o teu espírito perto, vou escrever alegrias, escrever a gratidão pelas pessoas que me têm cruzado os passos. Vou escrever olhares luminosos. O despertar para a vida quando na noite me abanas o meu ser e me sinto tão tranquila por me ouvir. A paz interior que já vive dentro de mim.
Neste tempo sem ti vou escrever-te como aprendi a preciosidade de cada momento. Como é tão bom viver o agora. Como temos de amar o que realmente importa.
Como devemos ser felizes com aquilo que nos faz feliz. E isso minha querida avó, foi o melhor que me deixaste nesta década sem ti.
Por isso, hoje, irei sorrir como nesta foto. Por ti.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 09:49

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Terça-feira, 30 de Julho de 2019

Desapegar-me de ti!

Tentar isto do desapegar-me de ti não é tentar esquecer quem és. Nem apagar isto que sinto. É deixar as nossas almas livres para sentirem o que tiverem de sentir. Sem culpas. Sem medos. Tão somente sentir. O fluir das nossas memórias.
Tentar isto do desapegar-me de ti é olhar para o caminho percorrido e ter os joelhos mais fortes quando me fazes tremer o corpo. É não quebrar. Porque não havendo explicação. Aquelas explicações lógicas mas que às almas não interessa, cresci mais forte. E nem sequer lá estavas para me dar a mão. Estavam os teus olhos que me brilharam o coração. E o teu sorriso que me renasceu. E isso jamais poderá ser esquecido enquanto respirar vida.
Tentar isto do desapegar-me de ti é ter uma imensa gratidão por nos termos cruzado. Agradecer-te por fazeres parte na minha descoberta de quem sou.
Tentar isto do desapegar-me de ti é continuar sempre a fluir a vida nisto de tão especial que guardarei sempre de ti.
Tentar isto do desapegar-me de ti é aceitar este sentimento que tenho aqui dentro e que tem o teu nome de olhos mel-outono.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 09:22

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Sexta-feira, 26 de Julho de 2019

Dia dos Avós!

Neste dia dos avós, o teu verde numa foto. O azul do teu coração que pinta o céu que nos acolhe a cada novo dia. As pedras das casas que não se quebram. A força dessas pedras que nos sustentam perante as adversidades da vida. A tua eterna força.
Olho o horizonte. Saboreio a paisagem que podia ser a tua paisagem. Sinto cada encanto. Cada cantar dos pássaros, paz. As borboletas, a esperança que nunca pode voar de mim.
Às árvores que continuam a crescer, o meu crescer. A flor que abre para o viver. O meu coração a florir para respirar o amor por mim, pelos outros, pela vida em si.
Olho e lembro-me de ti. Como naquele já longínquo dia dos avós não te vi. Não pude dizer que gostava de ti. Que não podias partir já, porque ainda tinha tanto a aprender contigo. Nisto que nos une. Que só nós sabemos.
Aprendi com essa mágoa que um sorriso nunca pode ser negado a quem amamos. Por mais tristes que estejamos, sorrir é tão bom. Porque sei que não te sorri naquele dia dos avós, mas sei que me tens feito sorrir nesses sorrisos que me tens oferecido.
Obrigada por não te esqueceres de mim mesmo quando as lágrimas da alma espreitam.
Feliz dia dos avós nesse paraíso onde vives. Um dia destes escrevo-te porque isto de escrever no comboio não é fácil!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 09:50

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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

Haruki Murakami "A Peregrinação do Rapaz Sem Cor"

Adoro estes livros que me abraçam a alma. Que se colam a mim. Que não me deixam ir.

A minha segunda incursão pela escrita de Murakami foi isso mesmo. Um constante não conseguir desprender a história de mim.

“A Peregrinação do Rapaz Sem Cor” é um livro intimista que nos leva numa peregrinação dentro de nós mesmos, sobre quem somos. A nossa autodescoberta. Os nossos medos. As mágoas. As alegrias. A solidão. A amizade. Isto pela mão do personagem principal, Tsukuru Tazaki , um apaixonado por estações de comboio,  com uma gigantesca  ferida aberta em si.

Tsukuru sempre se achou o rapaz sem cor pelo seu apelido não ser uma referência a uma cor. Isso não o impediu de fazer parte de um grupo de cinco, três rapazes, e duas raparigas, Aka (vermelho), Ao (azul), Shiro (branco) e Kuro (preto), unidos e inseparáveis na adolescência. Daquelas amizades cimento. Mas que um dia, assim do nada, derretem e desfazem-se.

Após entrar na universidade, em Tóquio, deixando a cidade natal de Nagoia e os seus amigos para trás, e sem nada prever, repentinamente cortam relações com Tsukuru. Sem uma explicação. O que o leva ao desespero. A abeirar-se do abismo. A não se aproximar das pessoas. A não entregar-se. E assim passam dezasseis anos. Sem respostas ao que aconteceu com o seu grupo de amigos. O que é feito deles.

Até que, aos 36 anos, conhece Sara, uma brisa na sua vida, ela o instiga a saber realmente o que se passou. Para curar aquela ferida aberta dentro do coração. Porque como o autor diz, podemos por uma tampa, mas o que está por baixo nunca desaparecerá.

E assim, Tsukuru, parte ao encontro daquela história em suspenso há dezasseis anos. Uma peregrinação do Rapaz sem Cor à descoberta de si e de explicações. Caminhar com as suas sombras. As dúvidas que palpitam a alma. Respostas que precisam de ser ditas. Voltando à sua cidade natal e mesmo voando até à Finlândia, aos poucos o mistério desvanece-se com tantos e muitos esclarecimentos dados. Que aqui não direi, para que sintam curiosidade em ler. A amizade que o tempo levou e que não voltará. Páginas que me deixaram de coração triste.

Com “A Peregrinação do Rapaz Sem Cor”, um livro de nostalgia, impregnado nas suas folhas de simbolismo, o confronto entre o real e o imaginário, assumi-me como admiradora de Murakami. Que venham mais livros deste autor que só pelo que li de apenas dois livros, estou arrebatada pela sua escrita.

Deixo um excerto, que muito me marcou, deste maravilhoso livro que retrata como a escrita é melodiosa, poética e que nos faz navegar a alma de emoções. Um livro que me baloiçou os sentidos.

 "Nesse instante, Tsukuru soube. No mais profundo do seu ser, compreendeu por fim. O que o coração das pessoas não é apenas a harmonia. Os corações humanos unem-se através dos desgostos sofridos. Ferida com ferida. Dor com dor. Fragilidade com fragilidade. Não existe silêncio sem um grito de dor, não existe perdão sem derramamento de sangue, não existe aceitação sem a inevitável passagem pelo sentimento de perda. É aqui que se encontram as raízes da verdadeira harmonia."

Fica a dúvida, será que haverá a continuação da história de Tsukuru, pois se uma situação se resolveu, o autor deixou em aberto o que acontecerá naquela noite de 4ªf! Que rumo tomará os carris da vida de Tsukuru?!

Aproveitem as férias e coloquem este livro no saco de praia!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:50

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Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Este nosso 18 de julho!

Não me lembro muito daquele dia, aquele 18 de julho. Não me lembro da manhã ou do correr do dia no relógio. Mas guardei-te dentro de mim naquela tarde quando decorei cada segundo que me levou até aquela estrada. O calor nos corpos. O vestido que trazia. As tuas mangas arregaçadas. O sol aberto a sorrir. Quando nos reconhecemos sem nomes. Ali. Quando o meu mundo voltou a andar.
Já não são horas desde aquela tarde, nem tão pouco dias ou semanas. Olho para este 18 de julho e são anos que os dedos da mão já contam. O teu universo de fadas cresceu e tão bonito que se tornou. Eu cresci. Tanto. Mudei para ser quem realmente sou. Aquela tarde que devolveu os sinais vitais à minha alma.
Talvez hoje não te devesse escrever, estou a tentar deixar-te ir de mim. Emoções que me tentam distrair. Mas a solidão da noite traz-te de volta ao meu pensamento. Talvez quem sabe tenha de ter mais 18 de julhos. Talvez o nosso reencontro ainda não tenha terminado de se abraçar.
Não sei se neste dia te verei. Ou se te deixarei ir mais uma vez. Dói ver-te ir. Essa imagem atormenta-me atrozmente. Sufoca-me.E chegam as lágrimas. E eu não quero chorar. Porque sei que não me queres a chorar.
Talvez hoje se estiveres por aí, talvez nos cruzemos neste nosso 18 de julho. Talvez tenhamos as nossas eternas conversas silenciosas que tanta falta me fazem por te deixar ir.
Talvez te queira ver para simplesmente sentir o que quer que seja isto que sinto. Foi para isso que te reencontrei...para aprender a sentir sem pensar.

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 14:27

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