Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

Um pensamento meu

O infortúnio do coração é quando outro coração o acolhe em silêncio sem poder dizer somente um amo-te. Isso é a ruína desse coração. A sua morte num silêncio agoniante. Os fragmentos que ficam. Que nunca saram.

Quando um dia o coração sentir essa dor dilacerante perdeu-se eternamente. Fica irremediavelmente perdido para o amor. Destruído. Desfeito.

Perdi o meu coração e não posso ir buscá-lo ao teu coração para poder voltar a amar.

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:29

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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018

Um pensamento meu

Chorar. Chorar-me. Apenas e tão-somente isso. Chorar-te em cada lágrima minha oculta no disfarce de um sorriso.

Chorar. Chorares-me. Apenas e tão-somente isso. Chorares-me em cada silêncio em que falas comigo. Nos rostos misteriosos que somos mas nas almas íntimas que continuamos a ser.

Chorar. Choro-te. Choras-me. Não me vês chorar. Não vejo o teu chorar camuflado.  

Não nos vemos chorar.

Mas conseguimos ouvir este nosso coração chorar.

E continuamos a fingir que as nossas almas não choram quando se cruzam.

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:15

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Domingo, 12 de Agosto de 2018

Demónios

Salva-me dos teus demónios que me atormentam. Que me tornam insana. Leva-os para longe de mim. E de ti. De nós. Para um lugar sem retorno. Onde não nos possam ver. Que ceguem.

Salva-me desses teus demónios que vivem em mim. Que ficaram colados às minhas memórias. Que me circundam. Que não me deixam fugir. Que me torturam cada vez que te vejo. Que me fazem arder de dor.

Salva-me destes demónios. Salva-me deste penhasco emocional.

Estes demónios, o que resta de um amor destruído. Que a vida assassinou. Demónios que o tempo não enterra. Que não deixam o amor voltar a conversar.

Os demónios que vão e voltam cada vez que nos reencontramos nas diferentes estradas da vida. Aniquilados, cada um no lado oposto dessa estrada. Os demónios que não nos deixam atravessar para o outro lado sem sermos atropelados pelas rodas de um furioso destino que circula apressado. Que continua silenciosamente a destruir-me. Sem poder renascer. Sem podermos reconstruir aquilo que deixamos lá atrás.

Salva-me do teu fantasma que me persegue. Que me visita nas sombrias noites de desolação. Que se senta na minha cama. Que sussurra o teu silêncio. Que traz consigo a tua alma. Sinto-te. Olho para ti. Vais embora. Fica apenas o fantasma de ti. Leva-o para longe de mim. Abandona-o no passado que ficou espalhado nos nossos destroços. Vem apenas tu para o presente.  

Não te culpo por esses teus demónios soltos que me consomem. Não posso culpar os nossos corpos que agora vestimos pela distância de um toque. Não te posso culpar pela mágoa das nossas almas. Pelas reminiscências de ti que trago agarradas a mim.

São os demónios de uma vida que viajam connosco. Que não nos largam.

Até ao dia em que tivermos coragem para os enfrentar.

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:40

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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2018

Conversas silenciosas

Continuam as nossas conversas silenciosas de final de tarde. Qualquer que seja esse dia da semana. Seja verão ou inverno. Agosto ou dezembro. Conversas sem feriados ou fins-de-semana. Conversa de almas que se entendem. De sorrisos escondidos. Conversas de olhares cruzados.

Escrevo-te para que mais tarde me possas ler. Olhas. Sim, é para ti que escrevo. Repito as conversas que se perdem no meio das vozes à nossa volta. Para não esquecer o que dizemos um ao outro. Escrevo-te o que sinto ali, naquele momento. Para quando a noite for a nossa distância te possas sentar e ler estas palavras. E pensares, se serão para ti, dizendo-te o teu coração que são. Sem falarmos. No silêncio.

Mas continuamos as nossas conversas silenciosas nos dias seguintes. Conversas de minutos. Que se prolongam para lá de um até amanhã. Porque as almas errantes deambulam no silêncio dos nossos lábios e nos sussurros do coração.

E continuo a escrever-te. A escrever-me. As tuas conversas silenciosas que me inspiram.

Um dia talvez deixemos este medo de lado e os nossos corpos possam conversar. Tornar reais as palavras. Talvez um dia possa chegar tão perto de ti e sussurrares o que dizes à minha alma. Sem barreiras. Um caminhar livre.

Já nada tenho a perder se me abeirar de ti. Falar. Sem fingir o que não és. Porque me perdi de mim naquela tarde em que silenciosamente conversamos pela primeira vez.

Apenas poderia cair nesse abismo que me rodeia e no qual escorrego passo a passo cada vez que te vejo, sem me poder agarrar a ti. Até chegar o dia em que cair totalmente no abismo sem poder voltar a sair dele. Do abismo do teu nome.

Mas as nossas conversas silenciosas serão imortais. O nosso eterno segredar.

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 18:59

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Sábado, 4 de Agosto de 2018

Colleen McCullough "Uma Obsessão Indecente"

Antes de as férias entrarem no calendário, decidi escolher um livro relativamente curto. Uma oportunidade da Feira do Livro na estante, a recordação de uma outra leitura desta autora e o cenário da 2ª Guerra Mundial foram mais que factores para que “Uma Obsessão Indecente” de Colleen McCullough fosse a minha opção.

A 2ª Guerra Mundial havia terminado há pouco tempo e na enfermaria X, apenas restam cinco pacientes e a sua dedicada enfermeira Honour Langtry. Inesperadamente, chega mais um paciente àquela unidade, Michael Wilson. Esta não é uma típica enfermaria, a enfermaria X é uma ala psiquiátrica, destinada a combatentes dos trópicos com doenças mentais provocadas pela guerra.

Cinco homens – o líder da enfermaria Neil Parkinson, o cego Matt Sawyer, o doentio Nugget Jones, o sádico e amoral Luce Daggett e o totalmente alienado Benedict Maynard, em nada iguais, diferentes personalidades, distintos problemas, mas que se habituaram a viver entre si, sempre com a enfermeira a protege-los, sentindo uma verdadeira devoção para com ela. E ela vive para eles, ama-os maternalmente.

Com a chegada de Michael, um sargento aparentemente sem qualquer mazela psicológica, a rotina e o frágil equilíbrio do pequeno grupo sofre um abalo. Imediatamente há um notório interesse que Langtry começa a nutrir pelo recém-chegado, que tem a vantagem de não ser emocionalmente afetado como os outros companheiros. Contudo, as aparências enganam e o seguro Michael é, afinal, uma pessoa atormentada pelo passado, embora evite demonstrá-lo. Um segredo que esconde. Que será o rastilho para muito do que vai acontecer na enfermaria.

Não é um livro com muita ação, mas em contrapartida é psicologicamente denso e intenso, em que são abordados temas como o amor obsessivo, o amor platónico, os traumas pós-guerra. São palavras tristes de uma realidade que não foi ficção. Estes traumas, foram sem dúvida baseados em factos reais desde matarem inocentes, a não conseguirem proteger o seu pelotão. Vamos encontrar relatos diversos.

A poucos dias da desmantelação da enfermaria, o adensar dos conflitos e a instabilidade da enfermeira Langtry, terão um trágico que vos deixo em aberto.

Acontecimento esse que de certo modo irá conduzi-los para o desfecho deste livro. A rotina que ficou à espera deles antes da guerra não poderá ser retomada. A vida que outrora tiveram foi destruída com a destruição da guerra.

E veremos isso no desenlace de todos estes sobreviventes da guerra, mas quem sabe se sobreviverão ao pós-guerra?

E como será o desfecho desta obsessão entre Michael e Honour?

Algumas perguntas que ficam em aberto que não fiquem condicionados nesta leitura.

Uma história diferente da 2ª Guerra Mundial, uma leitura emocionalmente violenta pelos factos que retrata.

Pessoalmente não foi dos livros que mais me marcou, à exceção foi o final que acharia sempre que seria o mais previsível, mas a realidade não é previsível. Logo, o final é expectável mas que não o teria como o que aconteceria.

As últimas linhas foram realmente intensas para mim. O que guardo deste romance.

Uma boa leitura para momentos soltos.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 20:56

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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2018

A leitura de Uma Aventura…..na praia!

Desde que me conheço que os livros sempre foram um amigo. Antes de me serem apresentadas as palavras e na minha ignorância de criança de como um livro é uma preciosidade, riscava-os. Acho que na altura já era o que entendia por escrever.

Com a entrada na escola primária vieram os primeiros livros. Lembro-me de num natal desembrulhar um dos muitos livros de “Uma Aventura”. Ali nascia uma companhia para a vida.

Foram anos de infância e adolescência a ler e reler todos os livros que iam sendo publicados. O tempo cresceu e eu cresci com esse tempo, mas sem nunca esquecer que o amor pelos livros estará sempre na memória pintado por estas histórias.

Hoje já não sou aquela menina. Hoje sou uma mulher que continua a amar as palavras e os livros são uma espécie de oxigénio que precisa para respirar.

Este ano decidi que a praia seria sem os densos livros que me costumam acompanhar. Talvez por passar todos os restantes dias do ano com um livro debaixo do braço, resolvi que os meus livros também têm direito a férias. Ficaram em casa a repousar.

Quero aproveitar este descanso para redescobrir a minha criança. Aquela que vive escondida dentro de mim. Que precisa de sorrir.

Preciso de alimentar esta minha criança com amor. Mima-la. Fazê-la sentir viva.

Uma infância que tantas vezes não foi a infância que deveria ter sido. Hoje, vou fechar os olhos à idade do meu cartão cidadão e vou dizer olá à menina Ana que está cá dentro. E nada melhor que uns belos livros da coleção de “Uma Aventura” que continuo a fazer e que me acenam tantas vezes da prateleira.

Estão 40º à sombra. A areia ferve nos pés. O protetor solar sua na pele. As ondas conversam. A bola de berlim na mão.

Pego na minha aventura e deixo-me viajar por entre os mistérios destes meus 5 amigos e os seus dois cães. As saudades que já tinha deles. Parece que foi ontem que os li pela última vez.

Os outros podem olhar, uma leitura tão juvenil, mas que me interessa. Que bem me souberam aqueles minutos. Antecipar a aventura. Prognosticar o desfecho. Sentir-me mais leve. A mente despreocupada. A inspiração.

Os outros continuam a olhar. E eu feliz!

Era tão bom que não tivéssemos vergonha de deixar a nossa criança sorrir por nós adultos! 

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publicado por Ana Cristina Gomes às 18:36

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Quarta-feira, 25 de Julho de 2018

Um ano depois….O fantasma dos incêndios não dorme!

Um ano depois. O que mudou? Ou continua tudo igual ao que era antes de tudo mudar abruptamente?

Um ano depois do fatídico incêndio que ceifou vidas, o que terá mudado desde esse sinistro momento?

Um ano depois ainda se faz o rescaldo do incêndio que ainda arde na alma de todos. Ainda se vê o fumo no remoinho de vento que traz até nós a cegueira de quem ficou cego e apenas consegue vislumbrar uma vida desfocada.

Correr a estrada que percorre tantos km deste país e ver um horizonte manchado de cinzento-escuro. O negro que envolve o verde que começa a despertar na terra queimada. A desolação do cenário surreal que emoldura Portugal. Ver pequenos pontos brancos no meio de tanto negrume. As casas que escaparam nas vidas que se perderam nas horas do incêndio. Os gritos de desespero que ainda fazem eco nos nossos ouvidos. Que chegam até ao nosso automóvel. Porque o fantasma dos incêndios não dorme. Está ali de sentinela na paisagem para ser visto e relembrado minuto após minuto por todos nós. Para que esse fantasma nunca despareça da nossa memória. Que será como aquele incêndio, que um ano depois ainda arde dentro de quem continua a ver uma vida ardida.

Um infinito de árvores podres, ajoelhadas, curvadas. Árvores que uivam ao sentirem-se despidas. O fantasma que assombra o verde que nasce no meio da dor.

Um ano depois ainda ouve-se o silêncio do último respirar de quem padeceu no inferno e vagueia perdido à procura de uma vida estupidamente roubada.

Um ano depois a vida começa a acordar do pesadelo. Das cinzas das almas que repousam na terra carbonizada num cemitério de árvores envoltas nos troncos esqueléticos que guardam em si caixões de sonhos desfeitos.

Um ano depois o fantasma dos incêndios não dorme. Anda por aí para nos atormentar nas suas que nunca serão esquecidas nefastas memórias. Porque a vida de quem sobreviveu e tudo perdeu tornou-se isso mesmo…..um fantasma!

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:57

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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

Aquela tarde de julho!

Hoje. Uma tarde de julho. Como aquela tarde de um julho de um ontem que não passou. Que permaneceu.

Hoje. Um lugar diferente dessa outra tarde. Tu. Eu. Outrora desconhecidos. Hoje silenciosos num olá. Enquanto os nossos corpos conversam no desejo e o espírito chora na saudade que temos.

Hoje. O relógio marcava um final de dia, tal como naquela tarde. O regresso a casa. O jantar iminente. O descanso. O vazio que me espera.

Hoje. Um desvio para te ver. Aquela tarde. A vida desviou-me para te ver. Ali a olhar para mim.

Ainda me lembro do vestido manchado de preto desse nosso luto que ainda carregamos em nós. Hoje troquei o negro pela claridade da tua luz. Os ténis brancos nos pés porque o calor não faz suar a pele como naquela tarde de 30º.

Hoje. Um verão envergonhado diferente daquele verão que transpirava na pele. Estavas longe mas ainda recordo as tuas mangas arregaçadas para afastar o quente. Porque as nossas recordações começavam a queimar-nos ali no meio de tanta gente.

Aquela tarde. Como hoje. Os teus olhos escondidos. Com medo de serem decifrados. Camuflas a tua alma. A minha alma está a nu para ti. Porque a despiste naquela tarde. Desprotegida.

Aquela tarde. O adormecer a pensar quem seria aquele estranho. Hoje. Adormecer a relembrar-te. A colar cada fragmento teu nas minhas memórias.

Aquela tarde. Percorrer todos os nomes deste nosso alfabeto até encontrar o teu. Apelidar o teu rosto. Descobrir a idade do teu sorriso. Dar um nome a esta vida. Ao sonho e ao pesadelo que és.

Aquela tarde de um julho a partir do qual passei a caminhar na ferida que voltou a pulsar na alma. Essa mesma ferida que não cicatriza uma dor e que pode voltar a matar. Que me mata a cada sopro de um respirar teu. Não vês que a cada até amanhã nosso, levo menos vida comigo.

Aquela tarde em que te reencontrei. Em que me reconheceste. Em que a história voltou a estar em suspenso.

Aquela tarde em que me voltei a ver abandonada num mundo sem ti. A perceber porque sentia o meu coração moribundo.

Aquela tarde em que baptizei a solidão com o teu nome e que hoje, nesta tarde, continuas a pintar o horizonte com o silêncio de uma solidão que só nós ouvimos.

Hoje. Gosto de ti. Aquela tarde fez-me lembrar que nunca te deixei de amar.

Hoje, ao ver-te, lembrei-me daquela tarde de julho que não esqueço. Porque jamais me esqueço de ti!

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:22

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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

A um anjo amigo!

Meu querido amigo anjo,

Parece que foi ontem, mas o tempo não perdoa no seu cronómetro que não para, e tantos já são os anos que passaram  desde o dia em que não tive a possibilidade de te dizer até já.

Hoje farias anos e estarias no auge da vida, nos melhores anos desse teu sorrir, que deixa saudade na ausência. Por isso, nesse paraíso onde só as almas puras podem viver, hoje é dia de festa, pois para ti a vida era sempre uma festa, uma fracção de tempo que não podia ser desperdiçada. Que o espírito da alegria nunca te abandone e que espalhes essa alegria no sono de todos nós para que na manhã, ainda de olhos fechados, esbocemos um sorriso.

Agora, nos pequenos momentos que saboreio da vida, lembro-me de ti, como são importantes esses momentos nossos, em solidão ou em companhia, mas que preenchem a nossa alma. Porque hoje é, mas a incógnita do amanhã pode não voltar a trazer esses instantes. Aprendi contigo que devemos sempre dizer aos outros como gostamos deles, como são importantes para nós. Mostrar carinho, afecto e amor. Podemos não voltar a ter essa oportunidade. Mesmo que a tristeza viva em nós, que uma ferida aberta sangre, nunca devemos negar uma palavra amiga a quem é nosso amigo, nem esconder um sorriso a quem nos sorri na sinceridade de um coração.

De ti guardo um carinho especial e a mágoa de não poderes ter visto o meu renascimento. Foi em ti, meu querido amigo, que começou este meu processo de descobrir uma Ana, que um dia roubou a primavera de si mesma. Mas a ti roubaram-te a aurora da vida e não pudeste estar aqui a ver-me crescer como uma flor. Embora muitas vezes olhe para o céu e te tente encontrar para que não te esqueças de mim, que ouças as minhas preces, sei que tenho em ti um anjo, que mesmo distante me abençoou, por me ter feito cruzar com algumas almas luminosas. Não tiraste as pedras do meu percurso, porque preciso de tropeçar nelas para me tornar mais forte, mas não tenho medo de cair, pois estarás lá para amparar a minha queda.

Mais logo à noite, antes de dormir, ao olhar o firmamento de uma noite de verão, sei que o reflexo do sorriso mais brilhante de uma estrela, é o teu sorriso que vai iluminar os meus sonhos e que me vai deixar sempre ver a cor que pinta os momentos da vida.

Obrigado meu amigo por um dia teres cruzado a minha vida, na altura não percebi, mas hoje compreendo como conhecer-te foi muito importante para o meu ser, para crescer e aprender.

Meu querido amigo recebe estas palavras escritas pela mão do coração, num abraço apertado de saudade.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 10:00

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Sexta-feira, 13 de Julho de 2018

Deitar-me!

O relógio pendurado na parede acena-me nos ponteiros. Diz-me que a vida já dorme.
Deito-me porque sim. Porque dizem que tem de ser. Mas não me apetece olhar para o vazio silencioso do quarto. Um silêncio que me atormenta noite após noite. O silêncio dos meus pesadelos.
Não me deito para dormir. Deito-me para fechar os olhos e poder falar contigo. As nossas eternas conversas de olhos, sorrisos e indiferenças fingidas.
Não me deito para repousar. Deito-me para fazer uma viagem nocturna de corpos inertes e almas vadias. Tocar-te. Beijar-te. O prazer do abismo do teu corpo.
Não me deito para sonhar. Deito-me para chorar a alma. A dor que escondo dos outros explode nas lágrimas que as estrelas ouvem e pacatamente continuam a iluminar a noite, cegando os meus olhos de um negro fúnebre.
Não me deito para descansar. Deito-me para um dia acordar contigo num novo dia. Mas esse dia teima em não ser escrito no meu calendário. Todas as manhãs rasgo um pouco mais da vida até ao dia que não mais um fragmento de mim restar para ceifar.
Deito-me para fingir que acredito que um dia vou conseguir descansar a alma. Sossega-la no meu abraço embalado por ti.
Por agora deito-me nos lençóis da solidão que gela o coração e me deixa sonâmbula nos dias da vida que restam até voltar a poder….apenas dormir…porque as almofadas acolhem o teu rosto. E dar-te a mão para sonharmos.
E nesse momento poderei dormir acordada no sempre que ainda sobra para olhar para o amor que és.
 
Imagem :Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:17

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