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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

#opinião# Charles Dickens "Um Cântico de Natal"

Finalmente, foi neste natal que li um dos clássicos natalícios da história da literatura “Um Cântico de Natal” que já originou filmes e peças de teatro, ainda estava na minha lista dos livros que tinha de ler.

O meu olhar só poderia deslizar pelas palavras quando o frio me aconchegasse na manta que me envolve e no chocolate quente que me aquece. Apenas no natal poderia ler uma história vivida e sentida no natal. Embora possa ser lido em qualquer momento, este clássico ganha mais vida e força na magia do natal.

Uma história simples, mas intensamente comovente, numa magia que nunca se perderá no tempo. Vamos acompanhar a viagem de Scrooge, um velho avarento, cínico e frio que nada vive, que nada sente, que nenhuma compaixão sente pelos outros. Um homem sem alma. Uma alma sem coração é assim que poderíamos descrever este homem que odeia o natal. Não vive esta época. E por ele, os outros também não o viveriam.

Scrooge é uma personagem inesquecível que não se esquece. O espírito do seu falecido sócio irá vista-lo e alerta-lo sobre o seu frio modo de viver e dizer-lhe que três espíritos o irão visitar na noite de natal.

Nessa noite tão especial, os espíritos do natal passado, presente e futuro irão visita-lo e conduzi-lo numa viagem pelo aquilo que foi, aquilo que é e aquilo em que se irá transformar se continuar com a amargura dentro de si.

Algo muda com essas visitas e Scrooge até se tornará um bom patrão para Bob Cratchit e será um amigo para o pequeno Tim, filho de Bob.

Uma leitura fácil mas intensa e que nos faz ficar agarrados a esta personagem e sentir as suas emoções durante as visitas dos espíritos.

Uma história de natal, vivida no espírito natalício, escrita há muitos anos mas que cada vez mais se encontra actual nesta nossa sociedade.

Um verdadeiro cântico de natal neste conto. Para ser lido por todos!

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#opinião# "A Prenda de Natal" de Glenn Beck

Acabo de fechar o livro e as lágrimas teimam em não secar. O que pensava que seria uma simples história de natal transformou-se numa verdadeira lição de vida. “A Prenda de Natal” é uma profunda reflexão sobre a vida, os momentos, as pessoas que nos amam, o material e como ver o mundo é muitas vezes não como o mundo é, mas como nós o queremos ver.

Eddie, um rapaz de 12 anos que nos guia nesta viagem no seu eu, mas que pode ser a viagem ao interior de qualquer um de nós. No natal que chega, a prenda que Eddie mais quer é uma bicicleta, mas desde que o pai faleceu, a família enfrenta dificuldades financeiras. Tudo o que mãe pode oferecer é uma camisola tricotada por ela que Eddie dirá “esta estúpida camisola”. Nesse noite de natal, tudo muda com o acidente! A partir desse momento, Eddie vai entrar numa espiral descendente, acusando tudo e todos, transformando-se e rejeitando o amor de quem o ama! Pinta o seu mundo de um negro escuro, consumindo-se na dor até que encontra Russell, um estranho velho que aparece e desaparece e nos dirá sábias palavras. Não só para Eddie, como também para nós leitores. Porque muitas vezes somos nós que pintamos o nosso mundo de negro sem querermos aceitar a luz que tenta entrar. Não valorizamos o que temos, e quantas vezes achamos que é o material que nos faz feliz. Uma lição que Eddie terá de aprender de uma forma dolorosa, magoando os outros, ao magoar-me a si mesmo.

No final, Eddie terá uma segunda oportunidade! Qual? Terão de ler esta emocionante história para saberem que oportunidade é essa!

Mas lembrem-se que nem sempre temos uma segunda oportunidade! Valorizem a vida! Valorizem os pequenos momentos que são tão únicos! Valorizem quem nos ama e nos abraça!

Este livro podia ser apenas mais uma simples história de natal, mas é muito mais que isso! É uma história que nos ensina a olhar para a vida!

São palavras que emocionam numa história que será sempre acompanhada de uma lágrima!

Um livro que pode ser lido em qualquer altura do ano porque a vida deve ser lida todos os dias!

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Olhar para ti

Olho para ti. Não sei quem és. De onde vens e para onde partes.  O teu ponto de partida e o teu destino. Não os conheço. Gostaria de conhecer o futuro nas tuas memórias. És um nome com apelido. Um rosto sem lugar. Se ainda vivessem em mim as ilusões, que outrora uma alma vadia as assassinou, a minha mente seria um teatro real de desejos e ambições. Construiria cenários e cenas, personagens e histórias dentro de mim. Viveria a realidade à espera que ela acontecesse. Até que esse dia volte, fecho simplesmente os olhos, ouço o respirar do silêncio e deixo que a paz faça do meu coração a sua casa.

Continuo a olhar para ti, a deambular na estrada que nos embala, a viajar numa outra dimensão. A pensar no desconhecido, a tentar descobrir a incerteza de existirmos. Continuo a não saber quem és. O doce sorriso. A timidez do olhar. Prendem-me na lua da noite que me adormece ao som da chuva que bate na janela para não me esquecer de me lembrar de ti no sonho que chega.

Não conheço o livro do destino, os capítulos que nele se escrevem a cada segundo sem que nos seja pedida permissão de decidir as próximas palavras do nosso caminho. Não sei quem és, não sei porque as linhas mestras do destino me fizeram tropeçar em ti. Um dia, quem sabe, descobrirei porque o nosso olhar um dia se cruzou e mudou os meus sonhos…

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#opinião# Trisha Ashley "Um Conto de Inverno"

Estamos em plena época natalícia e o inverno já se instalou entre nós para nos fazer saborear o que de bom o frio pode trazer. Uma chávena de chá e umas bolachas são o acompanhamento ideal para um bom livro a lembrar o cenário da estação do ano em que estamos. Assim que soube do lançamento de “Um Conto de Inverno” soube que seria uma das minhas leituras de inverno. Queria ler o frio nas linhas e os raios de sol nas entrelinhas. Foram alguns dias em que construí amizade com Sophy Winter (até o apelido é a estação do ano, prenúncio de uma boa história!), uma mulher que passou a vida a trabalhar em grandes mansões até que numa reviravolta da vida, se vê herdeira de Winter’s End, uma casa imponente, onde viveu até ser arrastada para longe com a sua mãe. Apenas uns passos nesta casa, nas recordações que ainda vivem dentro de si, Sophy apaixona-se por ela e decide lutar pela sua recuperação física e financeira. Para isso terá de lidar com um falso Jack que quer a todo o custo Winter´s End. Será que Sophy se deixará enganar pelo charme de Jack?

A casa vive entrelaçada nos majestosos jardins, cuidados e tratados por Seth, cujos olhos apenas vislumbram esses mesmos jardins. Reservado, mas intenso, aposto que os leitores irão sentir uma simpatia por este homem, trabalhador e dedicado à sua paixão. Mas será que Sophy conseguirá transpor os muros que Seth construiu à sua volta, como pretende construir no jardim?

Iremos conhecer outras tantas personagens excêntricas como que habitam nesta casa, mas pelas quais iremos nutrir muita simpatia! Tantos sorrisos que são desenhados no correr do livro.

Ao longo de todo o livro, conheceremos um pouco da história da Alys Blezzard, uma antepassada, enforcada por ser acusada de bruxaria no longínquo século XVI. Para quem gosta do lado místico da vida, sentirá a presença de Alys durante toda a história. E mais interessante ficará, porque William Shakespeare poderá estar relacionado com esta mansão. Como? Saberemos no natal de Winter’s End que acontece quase no desfecho da história, o clímax em que o desenlace acontece!

Agora que o frio chegou e a noites chegam cedo, a manta acolhedora, o chá para aquecer o corpo, a bolacha para adoçar, e a alma será aquecida com esta história leve, simples, mas muito bonita!

Aproveitem o inverno e os seus bons momentos!

Aproveitem o natal e adocem-no com esta história.

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Inverno, já chegaste!

Dizem os entendidos que tu, inverno, chegaste quando o relógio marcava 10h44m deste dia que nos abraça, num belo solstício de inverno, o dia mais curto do ano na noite mais longa que acolhe o nosso sono. Para muitos, és sinónimo de tristeza e de escuridão, mas não podemos deixar que as nuvens que muitas vezes te acompanham nos impeçam de ver a tua beleza. O aconchego de umas luvas e um gorro, na suavidade da lã que nos conforta. Um chá quente na leitura de um livro na tarde de domingo. Momentos que são teus, doce inverno!

Muitas vezes, és símbolo de uma certa nostalgia, de saudades do verão e do sol, mas são tantas as vezes que nos deixas aquecer um pouco com os teus raios de sol na hora de almoço. Sou sincera, não gosto dos teus dias de chuva, embora saiba que a natureza tanto precisa dessa água tão preciosa com que nos abençoa! Mas adoro os dias de nevoeiro, adoro sentir respirar o frio do branco desses dias. Adoro a cor da paz que pinta esse nevoeiro. Uma manhã de nevoeiro é aquela que nos permite regar a alma com a luz que muitas vezes achamos que não existe. Se olharmos bem, o nevoeiro é luz e não escuridão.

Na tua chegada, brindas-nos com o frio dos dias que são tão teus, querido inverno. Um frio que nos aquece a alma na lareira que crepita calor e na manta que conforta os pés.

A estação do ano mais fria, mas que tem no seu calendário, a época natalícia que se for vivida na sua essência, traz consigo a luz da beleza que ilumina a nossa árvore de natal.

Cada momento pode ser demasiado belo, é só aprendermos a viver esse momento como sendo único dentro de nós, porque dois momentos nunca são iguais, tal como dois bons dias da mesma pessoa nunca serão iguais. 

Inverno, já chegaste! Traz contigo o teu verdadeiro encanto que mesmo com frio, o sorriso nunca gele!

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A magia do natal

O natal chegou mais cedo no toque do carteiro para entregar a minha prenda mistério. Parecia uma criança que voltou a sonhar com o Pai Natal a descer da chaminé e deixar as prendas nas meias penduradas na lareira e deliciar-se com o leite com chocolate acompanhadas de umas bolachas para reconfortar o estômago, depois de horas e horas intermináveis a fazer as crianças mais felizes. O meu corpo não voltou a ter 5 anos, mas a minha alma vestiu-se de menina nesta doce troca de prendas de natal. Uma troca em que o consumismo fica à porta e o que se troca são gestos de afecto, carinho e amizade.

Nos acasos da vida encontramos pessoas que nos preenchem e que tornam os dias pintados de sol e que com o caminhar em conjunto nos tornamos uma família unida por uma paixão, que é essa de livros e palavras, palavras e livros. Nesse grupo existe uma espécie de mãe que nos acolhe, que nos ouve e que tem uma paciência gigantesca para com as suas meninas.  Num dos seus muitos gestos, existe este, usar as cores do natal para colorir os nossos dias. Uma madrinha mistério e uma afilhada quase desesperada por saber quem é a sua madrinha e que com que mimos será presenteada. Tantos sorrisos que nos são suavemente arrancados com as perguntas e respostas que povoam a nossa casa no facebook. Sorrisos misturados com risos sonoros. Olhares que brilham nas palavras escritas e nas gargalhadas desenhadas. Andamos atrás do carteiro à espera da encomenda, apelamos de forma desesperada à madrinha mistério que se acuse e que não se esqueça de nós. Andamos nas compras e vemos lembranças que sabemos que a nossa afilhada iria gostar. Embrulhamos o carinho junto com os chocolates, colocamos o laço da amizade no livro que oferecemos. Envolvemos tudo em afecto sincero e enviamos com o selo da honestidade de um sentimento. E vivemos a verdadeira magia do natal num acto tão simbólico como uma troca de prendas.

Este ano fui brindada com uma prenda extra, pude entregar pessoalmente os mimos natalícios à minha afilhada que trabalha a 4 minutos de comboio de mim. Como pequenos momentos tornam a vida mais rica e como novas amizades que crescem tornam a vida sorridente.

O natal chegou mais cedo na sua magia, mas a magia que se vive neste grupo nunca permitirá que o espírito natalício se vá embora.

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