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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

#opinião# Eva Schloss "A Rapariga de Auschwitz"

Uma noite de junho e de uma suposta primavera, mas a chuva batia nas janelas e o frio entranhava-se na pele. Abracei a manta que já devia estar guardada, um chá com um chocolate para adoçar uma leitura que se adivinhava pesada e intensa. Não pelo tipo de escrita mas pela história que retratava, uma história real, que aconteceu, que dizimou milhões de pessoas, que traumatizou o mundo. Uma história que deve ser contada vezes e vezes sem conta com os mais diversos protagonistas para que a humanidade e as gerações futuras nunca se esquecem a tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial.

“A Rapariga de Auschwitz” é o relato pessoal contado na primeira pessoa por Eva Schloss desde o período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, tempo esse que vivia na Áustria com uma vida tranquila e pacata. Uma vida feliz de uma adolescente meia maria rapaz. Vemo-la saltitar de poiso em poiso na fuga com os pais no período da guerra até serem denunciados e separados, ela e a sua mãe “Mutti” e o irmão Heinz e o seu Pappy para outro lado na abominável seleção feita na entrada dos campos de concentração. Ouviremos relatos que nos deixaram agoniados pela precariedade da vida humana naquele incinerador da morte. A falta de higiene, a fome, os maus tratos, os abusos físicos e psicológicos, o desrespeito pelo ser humano. Relatos reais mas chocantes. A história da sua sobrevivência e da sua mãe e como um pouco de sorte fazia toda a diferença entre estar viva ou morta.

Recordo-me das lágrimas que queriam correr na espera do autocarro quando Eva recebe a trágica notícia da morte do pai e do irmão. Tantas e demasiadas famílias destruídas nesta insanidade mental.

Veremos como o pós-guerra não foi fácil para Eva, uma nova vida carregada de traumas e dor. Uma alma devastada e que precisava de renascer mas que não foi um caminho fácil. Construir a vida e esconder dos filhos toda a mágoa que carregava no seu coração.

O livro é muito anunciado como a história da irmã de Anne Frank. E para esclarecer quem no início do livro fica meio à deriva ou para quem não conhece os factos. Eva cruzou-se com Anne Frank antes do eclodir da guerra, mas não no seu decurso. As suas histórias ficaram unidas pelo pai de Anne, Otto Frank, um dos sobreviventes e que nos acasos da vida se casou com a mãe de Eva. Foram irmãs póstumas. Eva envolveu-se na divulgação do diário de Anne Frank assim como passou a contar a sua história de luta e sobrevivência.

Um livro impressionante, um relato violento, uma história perturbadora.

Uma leitura que nos marca de uma realidade crua.

Um livro que todos deveríamos ler!

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Um dia cruzei-me contigo!

Um dia cruzei-me contigo.

Os dias passaram a ter o teu nome.

Um dia cruzei-me contigo.

E passei a escrever-te nas estrelas do céu.

Um dia cruzei-me contigo.

E do nada voltei a amar-te porque não me tinha esquecido que ainda te amava. De como era amar-te só de olhar para ti. Só precisava de te reencontrar para recordar este amor.

Um dia cruzei-te contigo.

E contigo veio a tristeza que regressou no silêncio das nossas prosas de fim de tarde.

Um dia cruzei-me contigo.

E a dor voltou na solidão que sentou ao meu lado e não mais larga.

Um dia cruzei-me contigo.

E em cada olá tropeço num abismo que me dilapida da vida.

Um dia cruzei-me contigo.

Para me perder de mim.

Um dia cruzei-me contigo

Senti a insignificância da vida sem ti.

Um dia cruzei-me contigo.

E nada voltou a ser igual.  

 

Imagem : Internet

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Não te amo!

Não te amo pelo teu rosto. Um rosto que não conheço. Um rosto que tantas vezes o sinto desfocado em mim. Mas do qual já decorei tantos traços desenhados, tantas rugas que espreitam e tantos cabelos brancos que o tempo já pintou.
Não te amo porque és bonito. Às vezes não és o mais bonito de todos. Mas a minha alma ama a beleza que tens abrigada dentro de ti. O belo de ti que ofusca e nada mais me deixa vislumbrar.
Não te amo no desejo que sentimos. Aquele desejo silencioso que faz eco em nós. Gritos mudos. Que ninguém ouve. Só tu e eu.
Amo-te no amor que o teu olhar tenta esconder quando duas almas se reconhecem no imediato de um reencontro inesperado.
Amo-te nas memórias que renascem de um sono adormecido. Acordar e lembrar-me do toque do teu amor. Não posso amar-te na distância que nos separa. Que faz doer. A dor que me esventra de sonhos que se esvaziam de mim no vazio que fica de mim sem ti. Um espectro de corpo que serei sem o arrepio dos teus braços.
Mas amo-te pelas palavras que escreves no caderno que sempre me acompanha e me ajudam a encontrar o mapa do meu caminho a que chamo vida.
 
Imagem : Internet

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