Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Eva Schloss "A Rapariga de Auschwitz"

Uma noite de junho e de uma suposta primavera, mas a chuva batia nas janelas e o frio entranhava-se na pele. Abracei a manta que já devia estar guardada, um chá com um chocolate para adoçar uma leitura que se adivinhava pesada e intensa. Não pelo tipo de escrita mas pela história que retratava, uma história real, que aconteceu, que dizimou milhões de pessoas, que traumatizou o mundo. Uma história que deve ser contada vezes e vezes sem conta com os mais diversos protagonistas para que a humanidade e as gerações futuras nunca se esquecem a tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial.

“A Rapariga de Auschwitz” é o relato pessoal contado na primeira pessoa por Eva Schloss desde o período que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, tempo esse que vivia na Áustria com uma vida tranquila e pacata. Uma vida feliz de uma adolescente meia maria rapaz. Vemo-la saltitar de poiso em poiso na fuga com os pais no período da guerra até serem denunciados e separados, ela e a sua mãe “Mutti” e o irmão Heinz e o seu Pappy para outro lado na abominável seleção feita na entrada dos campos de concentração. Ouviremos relatos que nos deixaram agoniados pela precariedade da vida humana naquele incinerador da morte. A falta de higiene, a fome, os maus tratos, os abusos físicos e psicológicos, o desrespeito pelo ser humano. Relatos reais mas chocantes. A história da sua sobrevivência e da sua mãe e como um pouco de sorte fazia toda a diferença entre estar viva ou morta.

Recordo-me das lágrimas que queriam correr na espera do autocarro quando Eva recebe a trágica notícia da morte do pai e do irmão. Tantas e demasiadas famílias destruídas nesta insanidade mental.

Veremos como o pós-guerra não foi fácil para Eva, uma nova vida carregada de traumas e dor. Uma alma devastada e que precisava de renascer mas que não foi um caminho fácil. Construir a vida e esconder dos filhos toda a mágoa que carregava no seu coração.

O livro é muito anunciado como a história da irmã de Anne Frank. E para esclarecer quem no início do livro fica meio à deriva ou para quem não conhece os factos. Eva cruzou-se com Anne Frank antes do eclodir da guerra, mas não no seu decurso. As suas histórias ficaram unidas pelo pai de Anne, Otto Frank, um dos sobreviventes e que nos acasos da vida se casou com a mãe de Eva. Foram irmãs póstumas. Eva envolveu-se na divulgação do diário de Anne Frank assim como passou a contar a sua história de luta e sobrevivência.

Um livro impressionante, um relato violento, uma história perturbadora.

Uma leitura que nos marca de uma realidade crua.

Um livro que todos deveríamos ler!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:09

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Domingo, 17 de Junho de 2018

Um dia cruzei-me contigo!

Um dia cruzei-me contigo.

Os dias passaram a ter o teu nome.

Um dia cruzei-me contigo.

E passei a escrever-te nas estrelas do céu.

Um dia cruzei-me contigo.

E do nada voltei a amar-te porque não me tinha esquecido que ainda te amava. De como era amar-te só de olhar para ti. Só precisava de te reencontrar para recordar este amor.

Um dia cruzei-te contigo.

E contigo veio a tristeza que regressou no silêncio das nossas prosas de fim de tarde.

Um dia cruzei-me contigo.

E a dor voltou na solidão que sentou ao meu lado e não mais larga.

Um dia cruzei-me contigo.

E em cada olá tropeço num abismo que me dilapida da vida.

Um dia cruzei-me contigo.

Para me perder de mim.

Um dia cruzei-me contigo

Senti a insignificância da vida sem ti.

Um dia cruzei-me contigo.

E nada voltou a ser igual.  

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 19:49

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018

Não te amo!

Não te amo pelo teu rosto. Um rosto que não conheço. Um rosto que tantas vezes o sinto desfocado em mim. Mas do qual já decorei tantos traços desenhados, tantas rugas que espreitam e tantos cabelos brancos que o tempo já pintou.
Não te amo porque és bonito. Às vezes não és o mais bonito de todos. Mas a minha alma ama a beleza que tens abrigada dentro de ti. O belo de ti que ofusca e nada mais me deixa vislumbrar.
Não te amo no desejo que sentimos. Aquele desejo silencioso que faz eco em nós. Gritos mudos. Que ninguém ouve. Só tu e eu.
Amo-te no amor que o teu olhar tenta esconder quando duas almas se reconhecem no imediato de um reencontro inesperado.
Amo-te nas memórias que renascem de um sono adormecido. Acordar e lembrar-me do toque do teu amor. Não posso amar-te na distância que nos separa. Que faz doer. A dor que me esventra de sonhos que se esvaziam de mim no vazio que fica de mim sem ti. Um espectro de corpo que serei sem o arrepio dos teus braços.
Mas amo-te pelas palavras que escreves no caderno que sempre me acompanha e me ajudam a encontrar o mapa do meu caminho a que chamo vida.
 
Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:59

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Mário de Carvalho "Um Deus passeando pela brisa da tarde"

Conhecia este autor apenas pelo nome. De ouvir. Nada mais. Até que uma amiga me emprestou este livro como sendo um que deveras tinha adorado. Acreditando nessa amizade, no dia a seguir, esta história começou a acompanhar-me. E logo nas primeiras páginas fui seduzida pela escrita de Mário de Carvalho, rebuscada, trabalhada, refinada e muito apurada, mas muito melodiosa para o ouvido do leitor e uma aprendizagem imensurável para quem escreve. Pormenores detalhados e rigorosos. Que abundam no livro e que são um dos motivos pelos quais este livro já foi galardoado.

Para que fique registado “Este não é um romance histórico” esclarece o autor, porque o município de Tarcisis nunca existiu. Perante tão habilíssimas descrições dos costumes e quotidianos de uma povoação do Império Romano no início do primeiro milénio: o que comem, como se relacionam, quem manda, no que acreditam, como se divertem, como julgam e o que toleram, não é fácil acreditar que é tudo ficção.

A nossa personagem principal Lúcio Valério Quíncio é um bom romano, bom homem, agnóstico e magistrado de Tarcisis – exerce o “duúvirato”, responsável pela gestão da cidade a nível jurídico e executivo. Quando Tarcisis estava ameaçada, era ele o único magistrado e o único responsável. As ameaças eram diversas e distintas. Lúcio nada temia, para com uns, sentia a pressa de estar preparado; para com os outros, sentia a necessidade de os demover. Mas o maior dos males estava mesmo em Lúcio Valério, que não conseguia deixar de pensar nele, preocupar-se desmesuradamente com ele, de tentar contorná-lo interminavelmente, para lhe chegar à fonte. E seguindo mais tradições, o autor retrata a grande mulher que está por trás de um homem, Mara que até na sua cega obsessão suporta Lúcio, sorri-lhe, afasta-lhe os fantasmas. Vezes sem conta que Mara é admirada por Lúcio, embora nunca seja apresentado a prespetiva de Mara. Assim como de Iunia, uma cristã, pela qual notoriamente Lúcio nutre um sentimento, mas ao mesmo tempo que a persegue, tentando ditar o seu destino final. Talvez no final quando Lúcio perde o rasto de Iunia seja um tão simples paralelismo com a nossa atual sociedade, em que tantas vezes deixamos perder quem amamos e fingimos não amar por não partilharem dos mesmos ideais. Assim como todo o livro pode ser uma analogia a uma sociedade, a um grupo, ou a uma outra qualquer situação de ontem, de hoje e do amanhã.

Um livro que requere atenção por ser tão cativante. O ideal para estas noites em que a primavera não chega e o outono não vai embora.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:09

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