Quarta-feira, 25 de Julho de 2018

Um ano depois….O fantasma dos incêndios não dorme!

Um ano depois. O que mudou? Ou continua tudo igual ao que era antes de tudo mudar abruptamente?

Um ano depois do fatídico incêndio que ceifou vidas, o que terá mudado desde esse sinistro momento?

Um ano depois ainda se faz o rescaldo do incêndio que ainda arde na alma de todos. Ainda se vê o fumo no remoinho de vento que traz até nós a cegueira de quem ficou cego e apenas consegue vislumbrar uma vida desfocada.

Correr a estrada que percorre tantos km deste país e ver um horizonte manchado de cinzento-escuro. O negro que envolve o verde que começa a despertar na terra queimada. A desolação do cenário surreal que emoldura Portugal. Ver pequenos pontos brancos no meio de tanto negrume. As casas que escaparam nas vidas que se perderam nas horas do incêndio. Os gritos de desespero que ainda fazem eco nos nossos ouvidos. Que chegam até ao nosso automóvel. Porque o fantasma dos incêndios não dorme. Está ali de sentinela na paisagem para ser visto e relembrado minuto após minuto por todos nós. Para que esse fantasma nunca despareça da nossa memória. Que será como aquele incêndio, que um ano depois ainda arde dentro de quem continua a ver uma vida ardida.

Um infinito de árvores podres, ajoelhadas, curvadas. Árvores que uivam ao sentirem-se despidas. O fantasma que assombra o verde que nasce no meio da dor.

Um ano depois ainda ouve-se o silêncio do último respirar de quem padeceu no inferno e vagueia perdido à procura de uma vida estupidamente roubada.

Um ano depois a vida começa a acordar do pesadelo. Das cinzas das almas que repousam na terra carbonizada num cemitério de árvores envoltas nos troncos esqueléticos que guardam em si caixões de sonhos desfeitos.

Um ano depois o fantasma dos incêndios não dorme. Anda por aí para nos atormentar nas suas que nunca serão esquecidas nefastas memórias. Porque a vida de quem sobreviveu e tudo perdeu tornou-se isso mesmo…..um fantasma!

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:57

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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

Aquela tarde de julho!

Hoje. Uma tarde de julho. Como aquela tarde de um julho de um ontem que não passou. Que permaneceu.

Hoje. Um lugar diferente dessa outra tarde. Tu. Eu. Outrora desconhecidos. Hoje silenciosos num olá. Enquanto os nossos corpos conversam no desejo e o espírito chora na saudade que temos.

Hoje. O relógio marcava um final de dia, tal como naquela tarde. O regresso a casa. O jantar iminente. O descanso. O vazio que me espera.

Hoje. Um desvio para te ver. Aquela tarde. A vida desviou-me para te ver. Ali a olhar para mim.

Ainda me lembro do vestido manchado de preto desse nosso luto que ainda carregamos em nós. Hoje troquei o negro pela claridade da tua luz. Os ténis brancos nos pés porque o calor não faz suar a pele como naquela tarde de 30º.

Hoje. Um verão envergonhado diferente daquele verão que transpirava na pele. Estavas longe mas ainda recordo as tuas mangas arregaçadas para afastar o quente. Porque as nossas recordações começavam a queimar-nos ali no meio de tanta gente.

Aquela tarde. Como hoje. Os teus olhos escondidos. Com medo de serem decifrados. Camuflas a tua alma. A minha alma está a nu para ti. Porque a despiste naquela tarde. Desprotegida.

Aquela tarde. O adormecer a pensar quem seria aquele estranho. Hoje. Adormecer a relembrar-te. A colar cada fragmento teu nas minhas memórias.

Aquela tarde. Percorrer todos os nomes deste nosso alfabeto até encontrar o teu. Apelidar o teu rosto. Descobrir a idade do teu sorriso. Dar um nome a esta vida. Ao sonho e ao pesadelo que és.

Aquela tarde de um julho a partir do qual passei a caminhar na ferida que voltou a pulsar na alma. Essa mesma ferida que não cicatriza uma dor e que pode voltar a matar. Que me mata a cada sopro de um respirar teu. Não vês que a cada até amanhã nosso, levo menos vida comigo.

Aquela tarde em que te reencontrei. Em que me reconheceste. Em que a história voltou a estar em suspenso.

Aquela tarde em que me voltei a ver abandonada num mundo sem ti. A perceber porque sentia o meu coração moribundo.

Aquela tarde em que baptizei a solidão com o teu nome e que hoje, nesta tarde, continuas a pintar o horizonte com o silêncio de uma solidão que só nós ouvimos.

Hoje. Gosto de ti. Aquela tarde fez-me lembrar que nunca te deixei de amar.

Hoje, ao ver-te, lembrei-me daquela tarde de julho que não esqueço. Porque jamais me esqueço de ti!

 

Imagem : Internet

tiago-aguiar-145124-unsplash.jpg

publicado por Ana Cristina Gomes às 23:22

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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

A um anjo amigo!

Meu querido amigo anjo,

Parece que foi ontem, mas o tempo não perdoa no seu cronómetro que não para, e tantos já são os anos que passaram  desde o dia em que não tive a possibilidade de te dizer até já.

Hoje farias anos e estarias no auge da vida, nos melhores anos desse teu sorrir, que deixa saudade na ausência. Por isso, nesse paraíso onde só as almas puras podem viver, hoje é dia de festa, pois para ti a vida era sempre uma festa, uma fracção de tempo que não podia ser desperdiçada. Que o espírito da alegria nunca te abandone e que espalhes essa alegria no sono de todos nós para que na manhã, ainda de olhos fechados, esbocemos um sorriso.

Agora, nos pequenos momentos que saboreio da vida, lembro-me de ti, como são importantes esses momentos nossos, em solidão ou em companhia, mas que preenchem a nossa alma. Porque hoje é, mas a incógnita do amanhã pode não voltar a trazer esses instantes. Aprendi contigo que devemos sempre dizer aos outros como gostamos deles, como são importantes para nós. Mostrar carinho, afecto e amor. Podemos não voltar a ter essa oportunidade. Mesmo que a tristeza viva em nós, que uma ferida aberta sangre, nunca devemos negar uma palavra amiga a quem é nosso amigo, nem esconder um sorriso a quem nos sorri na sinceridade de um coração.

De ti guardo um carinho especial e a mágoa de não poderes ter visto o meu renascimento. Foi em ti, meu querido amigo, que começou este meu processo de descobrir uma Ana, que um dia roubou a primavera de si mesma. Mas a ti roubaram-te a aurora da vida e não pudeste estar aqui a ver-me crescer como uma flor. Embora muitas vezes olhe para o céu e te tente encontrar para que não te esqueças de mim, que ouças as minhas preces, sei que tenho em ti um anjo, que mesmo distante me abençoou, por me ter feito cruzar com algumas almas luminosas. Não tiraste as pedras do meu percurso, porque preciso de tropeçar nelas para me tornar mais forte, mas não tenho medo de cair, pois estarás lá para amparar a minha queda.

Mais logo à noite, antes de dormir, ao olhar o firmamento de uma noite de verão, sei que o reflexo do sorriso mais brilhante de uma estrela, é o teu sorriso que vai iluminar os meus sonhos e que me vai deixar sempre ver a cor que pinta os momentos da vida.

Obrigado meu amigo por um dia teres cruzado a minha vida, na altura não percebi, mas hoje compreendo como conhecer-te foi muito importante para o meu ser, para crescer e aprender.

Meu querido amigo recebe estas palavras escritas pela mão do coração, num abraço apertado de saudade.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 10:00

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Sexta-feira, 13 de Julho de 2018

Deitar-me!

O relógio pendurado na parede acena-me nos ponteiros. Diz-me que a vida já dorme.
Deito-me porque sim. Porque dizem que tem de ser. Mas não me apetece olhar para o vazio silencioso do quarto. Um silêncio que me atormenta noite após noite. O silêncio dos meus pesadelos.
Não me deito para dormir. Deito-me para fechar os olhos e poder falar contigo. As nossas eternas conversas de olhos, sorrisos e indiferenças fingidas.
Não me deito para repousar. Deito-me para fazer uma viagem nocturna de corpos inertes e almas vadias. Tocar-te. Beijar-te. O prazer do abismo do teu corpo.
Não me deito para sonhar. Deito-me para chorar a alma. A dor que escondo dos outros explode nas lágrimas que as estrelas ouvem e pacatamente continuam a iluminar a noite, cegando os meus olhos de um negro fúnebre.
Não me deito para descansar. Deito-me para um dia acordar contigo num novo dia. Mas esse dia teima em não ser escrito no meu calendário. Todas as manhãs rasgo um pouco mais da vida até ao dia que não mais um fragmento de mim restar para ceifar.
Deito-me para fingir que acredito que um dia vou conseguir descansar a alma. Sossega-la no meu abraço embalado por ti.
Por agora deito-me nos lençóis da solidão que gela o coração e me deixa sonâmbula nos dias da vida que restam até voltar a poder….apenas dormir…porque as almofadas acolhem o teu rosto. E dar-te a mão para sonharmos.
E nesse momento poderei dormir acordada no sempre que ainda sobra para olhar para o amor que és.
 
Imagem :Internet

annie-spratt-583425-unsplash.jpg

publicado por Ana Cristina Gomes às 23:17

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

C.J. Tudor "O Homem de Giz"

Ainda mal consigo respirar depois desta leitura verdadeiramente alucinante. Quem diria que a oferta de uns meros paus de giz à filha da autora culminaria com este brilhante thriller psicológico de estreia de C.J. Tudor.

Intercalando a história num perfeito equilíbrio entre 1986 e 2016, a autora apresenta-nos um grupo de 5 amigos, Eddie Munster, Gav Gordo, Metal Mickey, Hoppo e Nicky, a única rapariga, numa pacata cidade vivendo os seus 12 anos, descrevendo pormenores sociais onde estão inseridos e em como as influências de famílias disfuncionais contribuem para exacerbar o imaginário infantil. Personagens tão imperfeitas mas demasiados reais. Que criam empatia, que odiamos, que são como nós.

“O Homem de Giz” para além do título do livro é também a alcunha de um professor de Eddie, que passadas poucas páginas do início, temos o primeiro contacto com ele e que será quase com um elo transversal na história. Não poucas vezes, temos Eddie e O Homem de Giz envolvidos nas mesmas situações, muitas delas suspeitas, o que nos faz galgar a pulsação.

Tantos factos. Inúmeros pormenores. Momentos vertiginosos vividos, muitas vezes sem sabermos são reais ou sobrenaturais. Seria impossível relatar os episódios deste grupo, mas tudo foi sendo magistralmente adensado para culminar na descoberta de um corpo desmembrado de uma rapariga. Um trauma, um mistério aparentemente deslindado, mas que 30 anos depois volta a flutuar nas suas vidas. Os bonecos de giz que regressam (foram as estranhas figuras de giz que conduziu este grupo ao corpo da vitima). Para tudo ser percebido. E fechado. O mistério a resolver-se. A verdade a vaguear à procura de si mesma.

Além do thriller somos confrontados com temas como violência doméstica, religião, demência, bullying e o aborto, que enriqueceram cada umas das personagens, transmitindo mais vivacidade ao livro.

O maior aplauso sem dúvida que tem de ser dado à mestria da autora com que no decorrer da leitura nos impele a pensarmos que sabemos o que vai acontecer ou quem fez o quê por alguns indícios soltos que deixa no ar. Armados em leitores experientes, estamos todos convencidos e et voilá, uma reviravolta inesperada, um facto que tudo muda. Absolutamente assombroso. Arrepiante. E aquele final? Inesperado. Inusitado. Jamais pensei que o mistério terminaria ali. Daquela maneira.

Curiosos?! Resposta simples: Leiam e estou certa na certeza que sei que irão absorver cada linha, cada parágrafo, cada momento do livro. Como eu assim o fiz.

Termino com um conselho para não fazerem como eu que parecia uma maluquinha viciada e não conseguia largar o livro porque obrigações como trabalhar eram imperativas e tinha de interromper a leitura. Quando começarem esta leitura, tenham tempo reservado para ler de uma assentada só. Este não é o típico livro de ir lendo aos poucos.

Assim que lerem as primeiras linhas vão ficar tão arrebatados que dificilmente vão conseguir largar a história – Diz O Homem de Giz!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:18

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Nunca te esqueças!

Olhas.

Que o teu coração nunca se esqueça que foi ele que me acenou primeiro. Naquela tarde. Que a tua alma não se esqueça que foi ela que me reconheceu no meio de tantos estranhos. Nós os dois ali com as vidas em suspenso enquanto todos se desviam para que tivesses a certeza que era eu ali. Sozinha. As tuas recordações de mim despertaram em ti quando me viste.

Senti aquele abraço tímido da tua alma como se tivesse medo de dizer quem é. Tive que abrir as gavetas do tempo para recordar este amor que vive em mim e que naquela tarde me pediu para voltar a ser lembrado.

Que os teus olhos, quando olham para mim, não se esqueçam que foram eles que me encontraram. Que me reconheceram. Que falaram comigo. Como conversam comigo cada vez que nos cruzamos e tentamos fingir que nos esquecemos um do outro.

Mesmo que a vida nos faça doer e nos separe os nossos corpos, jamais poderemos voltar ao minuto antes do relógio ter marcado a hora do nosso reencontro.

Que nunca te esqueças que foste tu que passaste por mim e o teu silêncio sussurrou-me e me fez estremecer. Que foste tu que me trouxeste a tua solidão para as minhas noites.

Que nunca te sintas esquecido do teu caminho de volta até à vírgula que está em suspenso na nossa história. Olha. Ouve-te e não terás mais esse medo que paralisa os teus passos.  

Que nunca te esqueças que tens os pedaços da minha alma morta enterrada no sangue que escorrega nas veias da tua vida.

Por isso aguardarei o dia em que a tua voz me perguntar se me lembro de ti. E nesse momento direi que nunca me esqueci de ti. Só estava à tua espera!

Olhas.

E que nunca te esqueças de quem eu sou!

Imagem : Internet

teddy-kelley-78869-unsplash.jpg

publicado por Ana Cristina Gomes às 22:48

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