Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

Aquela tarde de julho!

Hoje. Uma tarde de julho. Como aquela tarde de um julho de um ontem que não passou. Que permaneceu.

Hoje. Um lugar diferente dessa outra tarde. Tu. Eu. Outrora desconhecidos. Hoje silenciosos num olá. Enquanto os nossos corpos conversam no desejo e o espírito chora na saudade que temos.

Hoje. O relógio marcava um final de dia, tal como naquela tarde. O regresso a casa. O jantar iminente. O descanso. O vazio que me espera.

Hoje. Um desvio para te ver. Aquela tarde. A vida desviou-me para te ver. Ali a olhar para mim.

Ainda me lembro do vestido manchado de preto desse nosso luto que ainda carregamos em nós. Hoje troquei o negro pela claridade da tua luz. Os ténis brancos nos pés porque o calor não faz suar a pele como naquela tarde de 30º.

Hoje. Um verão envergonhado diferente daquele verão que transpirava na pele. Estavas longe mas ainda recordo as tuas mangas arregaçadas para afastar o quente. Porque as nossas recordações começavam a queimar-nos ali no meio de tanta gente.

Aquela tarde. Como hoje. Os teus olhos escondidos. Com medo de serem decifrados. Camuflas a tua alma. A minha alma está a nu para ti. Porque a despiste naquela tarde. Desprotegida.

Aquela tarde. O adormecer a pensar quem seria aquele estranho. Hoje. Adormecer a relembrar-te. A colar cada fragmento teu nas minhas memórias.

Aquela tarde. Percorrer todos os nomes deste nosso alfabeto até encontrar o teu. Apelidar o teu rosto. Descobrir a idade do teu sorriso. Dar um nome a esta vida. Ao sonho e ao pesadelo que és.

Aquela tarde de um julho a partir do qual passei a caminhar na ferida que voltou a pulsar na alma. Essa mesma ferida que não cicatriza uma dor e que pode voltar a matar. Que me mata a cada sopro de um respirar teu. Não vês que a cada até amanhã nosso, levo menos vida comigo.

Aquela tarde em que te reencontrei. Em que me reconheceste. Em que a história voltou a estar em suspenso.

Aquela tarde em que me voltei a ver abandonada num mundo sem ti. A perceber porque sentia o meu coração moribundo.

Aquela tarde em que baptizei a solidão com o teu nome e que hoje, nesta tarde, continuas a pintar o horizonte com o silêncio de uma solidão que só nós ouvimos.

Hoje. Gosto de ti. Aquela tarde fez-me lembrar que nunca te deixei de amar.

Hoje, ao ver-te, lembrei-me daquela tarde de julho que não esqueço. Porque jamais me esqueço de ti!

 

Imagem : Internet

tiago-aguiar-145124-unsplash.jpg

publicado por Ana Cristina Gomes às 23:22

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