Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Carlos Ruiz Zafón "Marina"

Este conturbado início de 2019 roubou-me a alma para as minhas leituras. Mas o que é de mim sem os meus livros. Por isso, decidi que tinha de ler um daqueles livros que me iam arrepanhar intensamente os sentidos. Pensei logo em Carlos Ruiz Zafón e nas leituras dele ainda em falta.

E assim “Marina” chegou às minhas manhãs. Numa expetativa de conhecer a escrita do autor antes do soberbo “A Sombra do Vento”. Aquela escrita arrebatadora que mal nos deixa respirar e digo desde já, que Zafón neste livro já demonstra tão bem essa feitiçaria que tem para com as palavras.

Como palco a cidade de Barcelona, a cidade da neblina, do seu nevoeiro, a história decorre entre setembro de 1979 e maio de 1980 e depois em 1995 quando Óscar, o protagonista, recorda a força arrebatadora do primeiro amor e as aventuras com Marina, recuperando as anotações do seu diário pessoal e revisita os locais das recordações da juventude.

Óscar Drai é, em 1980, um adolescente que vive num internato em Barcelona e que adora vaguear pelas ruas de Barcelona na ilusória liberdade que estas aparentam dar-lhe. É na zona de Sarriá, repleta de antigas mansões senhoriais, várias delas em ruínas, que naqueles acasos, conhece Marina, o seu amor e o pai de Marina, Germán. Ali naqueles meses vê-se uma amizade cimentar-se que não se alicerça pelo final de “Marina” (lanço a dúvida, final do dia ou da personagem?).

Uma visita da juventude ao sepulto da morte, o cemitério de Sarriá na procura de aventura, vai cruzá-los com uma misteriosa mulher de capuz. É o início do desenterrar de vários segredos antigos que leva Óscar e Marina a encontraram-se no meio de uma história com personagens pouco convencionais, sombrios. Relatos de terror numa ficção científica de descrições. Resumir é difícil, há que ler. Conhecer Shelly, Kolvenick, Eva Irinova , apenas para destacar estas personagens no meio de algumas outras tantas que fazem parte de um todo que se emaranha nos fios que tecem entre si.

“Marina” é um romance mágico de memórias, escrito numa prosa melodicamente poética, assente numa mistura de géneros literários (entre o romance de aventuras e os contos góticos) e onde o passado e o presente se fundem de forma inigualável.

Classificado pela crítica como “macabro, fantástico e simultaneamente arrebatador”, “Marina” é uma reflexão sobre os mistérios da condição humana através do relato alternado de três histórias de amor e morte. Histórias que se entranham umas nas outras e que nos agarram às folhas deste livro.

Um livro que recomendo e decerto ficarão como eu a devorar cada frase mesmo que já chegue a hora de deitar!

E termino com esta frase que fica cravada em mim!

“Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras.”

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:15

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Olá primavera!

Querida primavera,
Ainda é manhã, ainda dormes nesse teu descanso. Acordarás às 21h58m quando já de pijama vestido abrirei a janela e o teu perfume me embalar.
Chegarás envolta no frio da noite para nos lembramos de como gostamos de ti. Do teu aroma a quente. Os raios de sol refletidos na água tornam os nossos olhos mais brilhantes de ver como és bonita, doce primavera. Porque és o renascer. O renascer da alma. Da vida. És o nosso renascer. Trazes contigo novas decisões. Novos trilhos.
Traz contigo o sussurrar dos sorrisos, o saltar na alegria dos momentos. Deixa em nós as tuas suaves recordações para nunca nos esquecermos que depois do escuro de um inverno vem sempre a tua luz. Só temos de estar atentos ao nosso caminho. Porque o brilho da tua luz deixa salpicos na estrada para que possamos sempre seguir-te.

primavera-a-estacao-florida-do-ano-conheca-alguns-

publicado por Ana Cristina Gomes às 10:40

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