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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Pessoas doces!

Gosto de pessoas com alma de açúcar. Que nos derretem os sentidos nesse seu rosto melaço tranquilo.
Gosto dessas pessoas de sorrisos tímidos e encantados que nos brilham os minutos. Que nos ensinam nessa sua ternura disfarçada que cada momento é tão único e especial. Que não se repete. Cada sorriso é um sorriso. E eu gosto de colecionar na minha memória esses sorrisos-rebuçados que vou buscar quando a tristeza me chega.
Gosto de pessoas doces que são mel só de olhar. Que me ajudam a amar-me primeiro porque só depois de me amar as posso amar pelo que são e como são. Esse equilíbrio entre o doce e amargo que essas pessoas me oferecem.
Gosto de pessoas de coração-caramelo que se colam a mim. Que se entranham em mim e me adocicam o paladar da vida. Que cozinham dias cinzentos em saborosas sobremesas.
Gosto tanto dessas minhas pessoas de alma de açúcar. Desse açúcar que não faz mal ao sangue. Que não mata. Que pulsa o coração de afectos e carinho. Que nutrem o meu ser de ternura. Que me faz transbordar de paz.
Amo tanto estas pessoas doces. Sem razão. Só porque me são doces ao coração e isso é que me importa.

Imagem : Internet

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Dias assim....

Às vezes preciso de dias assim. De sol e luz. De paz e tranquilidade. De acalmar o meu turbilhão interior que me desconcentra. De deixar o cansaço ir embora de mim.
Às vezes este mar é cura. Porque às vezes as emoções adoecem-me o corpo. Ficar a um respirar de desmaiar ali ao pé de ti naquelas noites tardias. Resistir e caminhar até casa. O corpo a reclamar atenção e carinho. Querer chorar. Odiar esta sensação. E tu ali de alma a ouvir-me e sem pressas de chegares. Como te visses que o meu eu estava doente. Como se o universo nos parasse ali para ficar olhar e olhar embevecida para ti e a vida me poder renascer mesmo que seja noite escura.
Às vezes preciso de fugir na rotina para encontrar cenários assim. Doces e serenos. Que me lembram de ti. Amores eternos meus. O mar e tu. Aquele rasto de brilho lembra-me de ti. De como me tens salpicado o caminho de pirilampos.
Às vezes preciso de estar horas neste aroma salgado que remoinha no ar. A conversar com as minhas feridas. As mágoas que me golpeiam o coração. A solidão que me afunda. As lágrimas que me queimam. Preciso do mar para me curar as emoções. E curar o corpo.
Voltar a ter a certeza que mesmo que os teus olhos estejam cansados são o meu amor-mar. Onde não me importava de afundar e nadar nos teus braços.
Às vezes só precisava disso. E disto. Juntos.

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A noite cai nos teus ombros!

A noite cai nos teus ombros. A luz no asfalto que risca o teu rosto de sombras luminosas. Até na escuridão essa tua energia brilha nessa intensidade que és. Quem disse que o silêncio não nos pode estremecer a alma? És terramoto de sentimentos mesmo sem palavras faladas.
Trago comigo o cansaço de me caminhar dentro de mim. Procurar sentidos é extenuante. Esta devoção na entrega de emoções precisa de repouso. Descanso-me tanto na dança dos teus olhos. Ficava ali até à eternidade terminar. Há uma tranquilidade violenta que a solidão traz nos teus braços.
A noite cai levemente nos teus ombros. A delicadeza imperceptível do universo de me tropeçar em ti. Como se me proíbisse de te deixar ir de mim. Nada é tão incerto como as certezas do universo. As respostas ansiadas que espero estrangulam os corpos desesperados. O abraço que sossega essa ansiedade não chegou com a noite. De ontem, nem chegará na noite de hoje ou da semana.
A noite cai nos teus ombros. Um dia a noite cairá nos nossos ombros. Avidamente juntos. Um dia, eu sei que sim. Poderemos ter outros corpos mas as saudades não estarão esquecidas. Ficarão guardadas na memória da alma.
A noite cai nos teus ombros. E é tão bonita a noite quando te beija. E quando beijas a noite, a noite fica hipnotizada em ti e não mais te larga. Às vezes só queria ser essa noite que cai nos teus ombros.

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Manhã!

Aquelas manhãs que nos amanhecem tristes na alma. Aqueles dias em que a solidão nos aperta ainda mais o respirar.
Nesses dias em que sustemos as lágrimas e as escondemos do nosso rosto.
Nesses dias, o universo conversa connosco no sol que se espalha no azul de um céu sem nuvens. Sem chuva. Manhãs transparentes que me lembram essas tardes quando a primavera já espreita. Tardes claras de crepúsculo tardio que te deixam os olhos a descoberto. Num limbo entre o dia e a noite. Esses olhos mel-outono que às vezes me são o abismo das minhas emoções. Ao mesmo tempo que são brilho. Que são luz nos meus passos. Que me têm feito crescer no que sou. Que me não me distraem do meu caminho.
Talvez hoje não sinta o teu olhar.Talvez tenha medo da minha tristeza se te vir tão perto. E o meu corpo desfaleça.
Hoje posso até nem lá estar. Pensarei em ti como sempre o faço. A tua essência de estrela cadente cintila-me no coração. Mesmo longe.
Por isso, olho a manhã tão bonita que se apresenta no horizonte e sorrio. Porque o universo me diz que há sempre luz para desvanecer o nevoeiro que às vezes nos cega. E os teus olhos serão sempre farol em mim. Mesmo que doa.

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O dormir da princesa dos caracóis

Uma qualquer tarde de inverno cuja chuva embala docemente a princesa dos caracóis. Os pingos da chuva são caixa de música para os seus ouvidos. Dorme serenamente essa princesa. Tão tranquila no seu respirar. Será que sonha com unicórnios ou fadas? Qualquer que seja o sonho é tão bonito como a princesa dos caracóis, a dona desses sonhos. São sonhos encantados desta princesa, bailarina de amor a tempo inteiro. Pinta de amor todo o seu reino e quem nele vive. E mesmo quem a espreita deixa-se apaixonar por ela.
A princesa dos caracóis é uma rosa e por isso os seus sonhos são adoçados por essa chucha cor de rosa. Tão pequena que a princesa dos caracóis ainda é. Tem tanto tempo para largar a chucha. Que a chucha seja o tempero do seu sorriso arroz-doce. Aquele sorriso que derrete mágoas e dor.
Dormem os caracóis da princesa. Têm almofada nesse laço cor da esperança para ela poder sempre acreditar. No que ela quiser.
A princesa dos caracóis é feita de esperança. A esperança tem de ser assim tão bonita como a princesa. Os seus olhos que descansam nesse sonhos das crianças guerreiras das brincadeiras são luz que nos iluminam. Mesmo para quem não tem o perfume dela no aroma que inspiramos, ela é sol de vida e amor. A princesa dos caracóis dorme mas é farol de alegria.
A princesa dos caracóis é o amor maior do rei, seu pai que olha o seu dormir. Que vigia o trono onde a princesa dorme. Que estará sempre ali para a proteger nos seus braços.
O rei parece triste por isso sussurro à princesa dos caracóis que o faça sempre feliz. Que o seu sorriso arroz-doce seja a âncora desse rei, o mais bonito dos reis.
A princesa dos caracóis dorme sossegadamente no meio do sono de quem é feliz. E que ela possa sempre ser a mais feliz das princesas nesse crescer ao lado do mais feliz dos reis. Porque quem tem uma princesa dos caracóis naquele abraço apertado só pode ser alguém muito feliz.
Dorme, minha doce princesa dos caracóis, que nunca te falte o sonhar nesse trono que é a vida. Que o universo seja o teu porto seguro. Que as estrelas guiem os teus pés.
Dorme, minha doce princesa dos caracóis e sonha a felicidade que desenhas dentro de ti.

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Dispersão!

Às vezes os meus pensamentos são como carris de linhas de comboios. Tantos sentidos. Tantas direções. Um desalinhamento em mim. Como se a minha alma viajasse por entre esses pensamentos incertos e fugazes.
Tantos por aí que me fazem lembrar de ti. Tanto de ti nesses outros que olho. E o meu coração vagueia perdido nesses pensamentos. Nessa confusão de sentimentos. E perco-me de mim. Do meu centro. Do foco do meu eu. Só porque outros me fazem lembrar desta lenta solidão que me agonia. Como se essa solidão me mostrasse nesses rostos que sou capaz de amar. E tu onde ficas no meio deste turbilhão de sensações? Tu que me adoças a solidão. Que fazes cócegas às minhas mágoas.
Tantos pensamentos que me voam na cabeça. O caos dentro de mim. Uma balbúrdia de emoções.
O meu caminho fica turvo. Preciso de me concentrar em quem sou. Na minha centelha que precisa de brilhar. Por isso regresso, nessa estrada dos fins de tarde, aos teus olhos para nunca me esquecer de mim e disto que vim fazer a que chamamos vida.
E nesse momento, os tantos pensamentos que me atormentam acalmam-se no teu rosto.

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Essa princesa dos caracóis!

Essa princesa dos caracóis que cresce por aí não precisa de motivos especiais para se escrever sobre ela. As princesas devem ser sempre escritas em contos de fada. Para um dia ler a infância que foi no livro que agora rabisca.
A princesa dos caracóis não é uma princesa qualquer. É destemida e corajosa. Não brinca apenas nos seus palácios cor de rosa. Corre atrás de bolas para aprender a correr atrás dos seus sonhos. Nos seus pés ainda pequenos chuta a bola com a força de criança para saber abrir o seu caminho de flores e nunca deixar que as pedras a façam cair.
Essa princesa dos caracóis é bonita como as mais bonitas princesas dos contos. É perfeita no seu sorriso arroz-doce e nos seus olhos marotos de quem é feliz. E que o universo a faça sempre feliz. Mas mesmo sempre.
A princesa dos caracóis tem nome de princesa porque qualquer nome para ela seria sempre de princesa. Não tem coroa nos seus caracóis mas o laço do amor no seu cabelo.
A princesa dos caracóis é uma flor delicada que o rei seu pai protege no seu colo. Que o trono que são os seus braços seja sempre o porto seguro da princesa dos caracóis.
A princesa dos caracóis não é uma princesa filha de príncipes e princesas. Não nasceu nessas casas da realeza que existem por aí. Mas a princesa dos caracóis é princesa porque tem coração de princesa. E isso torna-a a princesa dos caracóis mais bonita que alguma vez vi.

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O outro tu...

Inverno. Confusão em mim.
A lua cheia qual bola de luz no céu. O eclipse que sente na confusão a brilhar em mim.
O saturno, esse planeta tantas vezes chamado de senhor do karma que beija o plutão, esse planeta tão pequeno (na astrologia é planeta) mas tão intenso na sua vibração em nós. E a confusão na minha alma cresce.
Vagueio desorientada a conversar com o universo. Perguntas e mais perguntas. E continuo, assim, sem explicações.
Será que já me enlouqueceste e já te vejo nos outros rostos? Como posso ver outro rosto tão teu nos meus dias? O traço do teu sorriso. A barba sem os teus cabelos brancos que são cor da vida. Uma cópia desses teus olhos mel-outono. Mas sem as tuas rugas. As rugas que são a tua história. Aquelas que me falam de ti. Que me fazem recordar memórias tuas de um outro tempo. Almas nossas tão cheias de escrituras. Que refletem no espelho que somos um ao outro.
Esse outro parece tão tu. Mas não é. Falta-lhe tanto de ti. Falta-lhe a tua alma. O principal. Essa alma por quem a minha ferida e o meu coração se perderam de sentidos.
Olho o universo que te traz até mim. O teu sussurrar que me quebra e embala ao mesmo tempo. Os teus olhos mel-outono que são únicos e que mais ninguém terá. Onde às vezes leio tanto de ti e do tanto que às vezes escondes de ti mesmo. Nunca te escondas de ti mesmo. Permite-te sentir a essência que tens em ti.
Talvez o universo não precise de me responder. Talvez as suas coincidências sejam tão propositadas. Talvez precise de enlouquecer para ver com clareza. Talvez precise das dúvidas para ter certezas. Talvez precise de ver um outro que é tão tu para saber como tu és tão único, não fosse esse universo ter escrito nas estrelas este nosso reencontro silencioso. Mas um silêncio tão poderoso. Tão transformador.
Continua a ser inverno. O frio gela. A lua continua lá no sitio dela. O saturno e o plutão nem se vêem nessa conjunção que não passará despercebida.
Continuo sempre a conversar com o universo que me limpa as lágrimas.
A confusão ainda não se diluiu. Um processo lento.
Uma outra noite. Tu. E a minha alma fica ali deliciada a olhar para ti.
E talvez tenha ali a minha resposta à minha confusão. Nos teus olhos.

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O quintal da minha avó!

Era quase assim o cenário dos tempos da minha avó. Da quinta na serra plantada. O sol que obrigava as árvores a curvarem-se e fazerem reverência ao astro rei. O quente de sorrisos calorosos destas árvores sem medo desses incêndios que hoje queimam paraísos. Fica o inferno das cinzas. Que tempos despreocupados esses.
Tantas árvores que havia nessa quinta. Pinheiros altos. Horas de sestas ao abrigo dos seus troncos. A serenidade no som do cantar dos pássaros que nos embalavam os sonhos.
Assim era o galinheiro. Como o da foto. De galinhas livres. Sem grades. Que podiam correr a quinta voltando sempre à sua casa. A minha avó até as baptizava. Era especial a minha avó. Ainda o é no que me deixou dela.
Eram tempos felizes. De memórias mágicas. De me rebolar na terra e pintar-me de pó. Ainda de caracóis louros que ficavam assim cheios de madeixas castanhas. Ficava ali a conversar com os animais. Perdia o tempo das brincadeiras. Não havia telemóveis ou jogos. Corria ali sem paredes. Ainda recordo essa sensação de liberdade no corpo. A mesma liberdade que hoje quero que a minha alma sinta.
Olho este quadro. Não quero fechar os olhos. Vejo ali tanto da minha infância. Tanto da quinta. Tanto da minha avó.
Há ali uma tranquilidade que me abraça o peito. E é só isso que preciso de sentir.

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Assim te vejo eu!

Assim te vejo eu. Como um suave reflexo da vida.
O espelho nos teus olhos de como um dia tenho esperança de olhar a vida em tons de felicidade. Uma tranquilidade em mim.
As memórias que a profundidade da água guarda e que tantas vezes baila na nossa mente. Não compreendemos. Sentimos essa dança em mundos distantes separados por estradas e ruas. E continuamos assim imóveis nesta tela. Neste reflexo nosso de quem outrora fomos.
Vejo-te assim qual tronco que no silêncio me sustenta as raízes de quem sou. Que me obriga a crescer para ousar tocar o céu dos sonhos.
Assim te vejo eu. A misteriosa natureza de quem és. Aquilo que escondes. De quem me fazes ser. Vulnerabilizar-me ao teu coração.
Assim te vejo eu, cada qual no seu corpo mas de almas que se acariciam docemente numa ilusão tão real que nos arrepia os sentidos.

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