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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Dias cinzentos...

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O dia chegou-nos triste. Pintado de um cinzento carregado. O céu que nos pesa nos ombros. Tantas toneladas que sentimos nas nossas costas. Os nossos ossos que se querem quebrar. As emoções que estilhaçam a fragilidade de quem somos.
Há dias difíceis nesta luta contra um vírus silencioso que nos veio pedir tanta atenção em nós. Por isso, se sinto, por momentos essa tristeza de manhãs nubladas, deixo essa angústia fluir e voar com os pássaros que indiferentes passeiam a sua voz nessas nuvens. Para libertar medos e recuperar esperança.
O mudar da hora que nos entorpece os movimentos. Que nos deixa tontos. Mas continuamos sempre a caminhar. Mesmo que os pingos da chuva se diluam em lágrimas escondidas. A nossa vulnerabilidade que nos torna mais forte.
O vazio de vida que circula por aí. Autocarros que ninguém levam para os metros e comboios. Dias assim desprovidos de sol fazem-nos sentir ainda mais essa melancolia da saudade. As saudades de rotinas. As saudades dos meus momentos. Das minhas pessoas. Tão legítimo sentir essas saudades que são nossas.
Mesmo em dias nublados existem arco-íris que temos de procurar. Que são tesouro e alento no amanhã.
Hoje vi um sorriso que me apertou mais essa inquietude de tempos incertos que já moram nas nossas casas. E que nos pesam os dias. Com ou sem nuvens.

A solidão do Papa Francisco

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Aquela imagem que nos aperta a alma. O Papa Francisco, sozinho, a rezar. E nós, também, sozinhos, nas nossas casas, nesta solidão partilhada. Rezemos. Não precisamos de ser católicos para rezar. Apenas acreditar naquilo em que acreditamos. Conversar com a vida e com o universo já é suficiente. Porque a vida e o universo são os únicos que nos ouvem a alma e os pensamentos. Rezemos com e na solidão do Papa Francisco e em silêncio escutemos a mensagem que nos está a ser entregue. Rezemos e acreditemos!

#Sorrisos

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Enquanto existirem sorrisos que mesmo em tempos tão turbulentos e aflitivos me derretem o coração nessa ternura imensa que a ansiedade não roubou, então a esperança no amanhã vive em mim no reflexo desse sorriso!
Enquanto existirem sorrisos doces como o mel, conseguirei ser forte para aguentar os dissabores dos dias de hoje!
Que esse sorriso-açúcar possa sempre continuar a derreter o medo em mim.

Imagem : Internet

Ruas desertas

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Tirei esta foto numa destas manhãs quando o relógio ainda nem marcava 9h. Esta é uma das principais ruas onde moro. Uma das mais movimentadas. Sempre cheias de gente. Pessoas a entrar e sair dos cafés. O euro milhões que se põe na papelaria e se traz mais uma revista. A frutaria com caixas e caixas de legumes e frutas sempre frescos. O cabeleireiro para te sentires mais bonita. O talho sempre com enchente de pessoas. Carros mal estacionados que impediam outros carros de passar. Buzinas zangadas. Autocarros que passavam uns atrás dos outros. Filas nessas paragens. Os miúdos que corriam para a escola e outros que se baldavam às aulas.
A rua por onde à noite regressava do ginásio assim de suor feliz enquanto os cães faziam o seu passeio nocturno.
Assim era esta rua, ocupada de vida. Parecia tudo tão simples, tão garantido. Nunca o foi.
Agora, à minha frente há todo um deserto de alcatrão, sem sorrisos e olás.
Há uma estrada à espera de voltar a usar o meu passe social e passeios à espera dos meus ténis brancos primaveris.
Uma rua deserta que nos desperta para a nossa fragilidade humana.
Uma rua cheia de saudades de rotinas e abraços.
Uma rua adormecida enquanto cada um de nós, em casa, acorda para a verdadeira essência do que é viver.

Fuga matinal

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Marcava o relógio 8h20 e escapei-me por essas ruas quase desertas de gente. Tive de ir à papelaria imprimir porque os sonhos não podem estar desorganizados. Em tempos de reestruturação há que moldar os meus sonhos.
Nessa corrida à rápida a essas estradas e passeios de pedras adormecidas fugi até ao parque. Onde havia um silêncio apaziguador. Os pássaros cantavam empoleirados nos ramos das árvores. A sua voz era tão mais forte que a meia dúzia de carros e autocarros que numa tristeza acordavam o alcatrão da estrada.
Dizem-nos esses pássaros que é tempo de abrandar, de recolhimento, de nos ouvirmos. É tempo de conversar com o nosso coração como tão poucas vezes podemos fazer. Que conversas profundas essas que o tempo nos permite ter.
Uma fuga rápida de 5m por entre os raios de sol que aquecem o céu. Tive saudades dos meus sorrisos-açúcar. Aqueles sorrisos que aconchegavam a alma de amor e ternura. Apenas um simples sorriso e que me fortalecia para os meus dias de 9h-18h sem brilho. Aquelas horas que vão ter de mudar porque quero ser feliz no que faço.
Hoje olhei o silêncio do parque. Fechei os olhos. Deixei o sol entrar na minha pele e sorri. Uma doida a sorrir no meio deste estado de emergência. Recordei cada sorriso-açúcar da minha coleção privada de sorrisos. Espero que esses meus sorrisos estejam bem e sorri por eles que me ensinaram a sorrir.
Sorri por esses sorrisos meus e sorri por mim porque um sorriso sossega momentos turbulentos.
Fugi rapidamente por entre as árvores do parque porque a vida continua a pulsar dentro de nós e não nos podemos esquecer disso.
Obrigada sorrisos-açúcar meus que vivem em mim e me obrigam a continuar a sorrir!

Abrir a janela.....

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Tive que abrir a janela. Abri sorrateiramente esses vidros que jamais serão grades. A liberdade de ser quem sou nunca me será prisão.
Ouvi o silêncio lá fora. Um silêncio que nos grita numa urgência de nos acalmarmos. Sossegar e ouvir a história deste vírus. Com paciência para nada ficar por ouvir.
Abro a janela e sinto os passos silenciosos de quem foge na rua por entre a compra do pão e da fruta. Os carros de buzina calada. Os autocarros vazios de gente. As paragens sem vida.
O jardim sem crianças que agora sentem os pais tão perto de si e aproveitam esse tempo tão precioso.
Os cafés que se fecham nos convívios que voltarão cheios de afeto. Não haverá mais tempo depois disto para encontros desnecessários.
Abro a janela, deixo as palavras repousarem um pouco. É domingo e não se trabalha. Rotinas que se transformam e prioridades que tornam tão prementes.
Tenho mesmo de abrir a janela e respirar. Ouvir o silêncio. Um silêncio tão diferente daquele nosso silêncio do qual tenho tantas saudades. Sinto saudades das nossas conversas silenciosas por entre olhares. Ainda foram tão poucos os dias que passaram e esses olhos mel-outono continuam a escrever-me na alma. A dúvida se os nossos fins de tarde irão voltar. Mas os que já vivi agarro-os nessa preciosidade que me são na minha memória. No meu canto. No meu coração. Ainda vives em mim. Mais do que nunca vou resgatar tudo o que a tua alma me tem ensinado.
Tenho de abrir a janela. O sol no meu rosto. A primavera nas árvores e flores que se abrem para uma nova vida.
Tal como nós que temos de nos abrir para uma nova vida.
Desta minha janela que abro há uma nova vida que vou ter de descobrir. No tempo certo de a encontrar.

O café da manhã!

Há umas semanas num daqueles impulsos comprei este café (teve mesmo de ser por impulso pelo preço). Porque este café me lembra a minha avó. O café acabado de fazer para nos acordar nessas férias longínquas. O sabor natural a campo sem produtos para o tornar tão delicioso. A simplicidade da natureza.
Há neste café as memórias boas da minha avó. Talvez tenha sido ela que me obrigou a trazer este frasco para casa para nestas manhãs cinzentas me recorde de todos os sorrisos. Das quedas de gargalhadas e lágrimas. De tudo o que a minha avó sabia. E ela sabia tanto.
Faço este café em manhãs de diferentes rotinas para nunca me esquecer das palavras da minha avó : "Vai tudo ficar bem, só temos de aprender mais esta lição."
E vou sempre continuar a aprender. Por isso estás tão perto de mim neste café que era tão teu.

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A emergência do amor

O estado de emergência declarado neste Portugal nosso assim como em tantos outros países assolados por este vírus que nascer para nos renascer.  Uma emergência urgente para acordar.

Um estado de emergência que poucos já sentiram na pele. Liberdades em suspenso. Obrigações impostas. Condicionamentos. Toda uma rotina que se transforma. E nós iremos transformar-nos tanto que não mais seremos os mesmos depois desta emergência de viver. Será um novo renascer.

Mais do que um estado em alerta e uma enorme quantidade de deveres obrigatórios, há uma emergência muito maior para a qual este vírus nos alerta, é a emergência do amor.

O amor na sua plenitude, não apenas aquele amor físico e sensual que é sempre a primeira imagem que temos da palavra amor, essa atração pelo outro. A paixão. 

Mas amor é tão mais que isso. Há uma emergência do amor. A emergência do amor por nós. Amar quem somos. Amar o nosso corpo. A nossa mente. Cuidarmo-nos tão fortemente num amor atroz por nós mesmos. Deixar as neglicências, que tantas vezes nos auto impomos, de lado. Sermos essa pessoa mais importante para nós.

Há uma emergência no amor pelo outro. O carinho e o respeito. A minha vida que se cruza com a vida desse outro. Cuidar de mim é também cuidar desse outro. Um cuidar mútuo. Respeito por mim é respeitar o outro e vice-versa. Urgente perceber essa emergência deste amor.

Há uma emergência do amor. De repensar o amor na sua essência. De agarrar o amor que já pairava no ar e que para tantos era despercebido. E para alguns se sentirem tão gratos por essa emergência já ser parte de si.

O amor pode ser tão simples. E nessa sua simplicidade está a sua grandiosidade. Aquele pequeno gesto que transborda um amor imenso. Sentir o amor no segundo que não mais sairá do coração. Que nos aconchega.

Aquele sorriso-açúcar tímido, só para mim, que me enternece a manhã. Isso é amor.

Alguém que sente uma alegria no rosto por me ver. Isso é amor.

Aquela preocupação quando me dizem que o meu olhar está triste. Sem saberem a razão da minha tristeza. Sem me terem visto chorar. Sem que outros percebam que não estou bem. Alguém que nos conforta o olhar só porque sim. Um carinho puro sem pedir nada em troca. Isso é amor.

Quando podes dizer a alguém que precisas de chorar. Sem medo de recriminações. Que nos compreendem. E te oferecem um gelado para derreter essa tristeza. Isso é amor.

Quando me tremem os joelhos e o coração e me obrigam a mexer nas minhas feridas mais profundas. Quando me obrigam a enfrentar os meus medos. Isso é amor. Porque o amor faz-nos crescer em quem somos e no que somos.

Quando o teu professor de yoga se disponibiliza para aulas de yoga online. Porque a terra-mãe e nós precisamos de equilíbrio. De respirar serenamente. Isso é amor.

Quando as conversas dos teus grupos de teatro são inundadas de partilhas, carinho e afeto. Tão próximos que estamos uns dos outros nesta união de travessias que se entrelaçam. Isso é amor.

Quando tens os teus cursos online porque temos de estar longe. No entanto o amor vagueia nos nossos computadores nos risos e gargalhadas. Isso é amor.

E tantos exemplos existem de amor por aí. Lembrei-me de pessoas minhas que tanto me descobrem nesse caminho de amar. Lembrei-me de pessoas-amor que me cruzam os dias e que não posso aqui todas enumerar.

Há, sem dúvida, uma emergência do amor. Tantos que precisam de descobrir como o amor é o pilar de quem somos. Da nossa vida. Como o amor nos transforma. Como um dia a vida me fez perceber como era urgente aprender a amar-me. Quando essa emergência se tornou prioridade minha, renasci e cresci.  Conheci o verdadeiro significado do amor.  E como isso nos muda e nos repensa a vida. Esse amor que nos torna leve.

Tornem esta emergência do amor a vossa prioridade maior. Porque o amor salva-nos.

Precisamos tanto de amor! E o amor é grátis!

Imagem : Internet

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Aos outros heróis do Covid-19

Aos médicos e enfermeiros e a todos os profissonais de saúde que lutam contra este desconhecido que nos ataca o muito e sempre obrigada.

Mas não é sobre esses heróis que vou escrever.

São os outros heróis que continuam a trabalhar para que possamos ficar em casa e nada nos falte. Falo de profissões tantas e muitas vezes desvalorizadas pois não são engenheiros ou doutores. Profissões mal remuneradas para um elevado desgaste físico e psicológico. Trabalhos (porque emprego é outra coisa muito melhor) onde fingimos que essas pessoas não estão lá. Assim de repente, parece que essas pessoas até são importantes na sociedade. As descobertas que este vírus traz!

Mas neste momento são essas pessoas normalmente invisíveis que estão na rua. Que lutam contra este vírus de um outro modo. São os outros heróis do Covid-19! Mas não menos fundamentais!

Aos funcionários dos supermercados, o meu obrigada, por manterem os bens de primeira necessidade nas prateleiras para que os possamos ir comprar. O meu obrigada por aturarem pessoas descontroladas que compram tudo e mais tudo houvesse (às vezes acho que essas pessoas devem ir para casa passar as horas todas a comer, só pode!). O meu obrigada por continuarem a aturar clientes egoístas e por vocês estarem na linha de combate para que possamos ultrapassar isto sem que o essencial nos falte.

Aos funcionários dos transportes públicos, o meu obrigada. Aos motoristas que ainda circulam por estas cidades quase desertas, o meu obrigada por ainda andarem aí. Por se levantarem de madrugada. Por se exporem quando a família está em casa. Para que quem precisa mesmo possa ir cumprir o ser dever. Agora, não são os culpados pelos atrasos, mas de repente, são heróis de uma guerra silenciosa que se trava. Agora deixaram de ser só o motorista para ser aquela profissão de risco (parece que antes não era, pois isto de transportar centenas de vidas nas mãos diariamente é para meninos!).

Aos funcionários da limpeza, o meu muito obrigada. Por deixarem de ser os coitadinhos que não estão a trabalhar num escritório, para serem os heróis de uma coisa que agora descobriram a sua importância, a higiene (parece que antes a higiene era só para os malucos!). O meu obrigada por limparem as ruas. O meu obrigada por limparem hospitais e centros de saúde onde o vírus vive sorrateiramente a jogar às escondidas connosco!

A todos esses heróis desconhecidos ou com rosto o meu muito obrigada! Já vos agradecia dantes, agora ainda muito mais! Orgulho em vocês que não nos falham neste momento!

Fiquem bem e que depois disto passar não voltem a ser tratados por esta sociedade como têm sido até agora! Que o vírus nos ensine como todos e todas as profissões são imprescindíveis para que a sociedade possa continuar a existir!

O meu eterno obrigado a esses outros heróis do Covid-19!

Imagem : Internet

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