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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O Covid-19 e este querer-te bem!

São dias de extrema provação estes que nos assolam o conforto que tínhamos como garantido. O nosso bem-estar em perigo. As rotinas desmanteladas.
O ar pesa-nos nos ombros. Como se fossem navalhas que nos golpeiam a pele. Estamos em ferida.
Tomamos consciência desta nossa fragilidade. Da instabilidade do futuro. Cada vez mais imprevisível o amanhã.
São dias de emoções turbulentas, mas nos quais jamais me esqueço de ti. O receio pode tomar controlo de mim. Talvez por isso me lembre ainda mais de ti. A ansiedade de te saber bem. O despero de te querer saber protegido. Querer dizer-te para te cuidares como essa pessoa tão especial que me és.
Resgato aquela tua luz de uma dessas manhãs de domingo quando a liberdade ainda não nos tinha sido retirada. Como vi nesse teu rosto o brilho maior nos meus olhos. A tranquilidade que me lançaste. Como se antecipasses este tormento que já estava a chegar. Preciso tanto de resgatar essa serenidade tua para me acalmar.
Sonhar contigo quando o alarme já estava iminente na nossa sociedade. A tua energia ali no meu sono. Tão real. Tão tu. Sonhos de almas que se conhecem e que não se abraçam.
Não sei quando te voltarei a ver. Nem sei quando será esse dia. As saudades já me enlouquecem neste vazio que me transborda. O pânico destes dias, de ontem, deixou-me a dúvida se continuarás, por ali, nos nossos fins de tarde. Se caminharás para outras estradas. Depois deste perigo nos deixar e se me tiveres deixado os dias, chorarei. De coração despedaçado sem te poder ter dito o segredo que me és.
Mas agora, há que superar esta prova de fé. Este desafio de aprendizagem para nós.
Agora, apenas te quero bem. De te pedir que digas que estás bem pois é só isso que me importa. Que estejas bem. Hoje e sempre.

Imagem : Internet

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#opinião# Haruki Murakami "Kafka à Beira-Mar"

No momento em que me despertei para os livros de Murakami, “Kafta à Beira-Mar” foi dos títulos que mais encontrava nas leituras obrigatórias. Assim que me foi possível, lá peguei eu nesse livro com quase 600 páginas, o que não me demoveu de uma leitura fosse lenta ou rápida.

De uma forma simplista, pois o livro não é de todo simples nem fácil, somos apresentados a duas personagens com histórias paralelas e que não percebemos como essas vidas se cruzam. É preciso ler e ler para compreender quem são e o que são um ao outro.

Comecemos por um jovem, de seu nome Kafta, nome por si escolhido. Sem relação com o pai e sem do paradeiro da mãe que o deixou aos 4 anos e com a urgência de se sentir livre, foge de casa no dia do seu 15º aniversário. Durante o seu caminho de fuga, Kafta será acompanhado por um rapaz, Corvo, que não é mais que uma espécie de desdobramento de si mesmo, o seu ego. A palavra “corvo” é o verdadeiro significado correspondente à palavra “Kafka”, na língua checa, sendo que o animal que representa é, também o mensageiro do deus Odin, nas lendas antigas da mitologia nórdica.

Também conhecerá Sakura e que não será uma personagem qualquer. Nenhuma personagem o é neste livro.

Entretanto, Kafka chega a Takamatsu, a uma biblioteca que será um dos principais cenários de todo o livro assim como conhecemos Oshima, um jovem bibliotecário de 21 anos e a proprietária da biblioteca, a senhora Saeki, de 50 que perdeu o namorado quando tinha apenas 20 anos, e cuja sua voz doce celebrou um sucesso musical, chamado Kafka à Beira-Mar, que justifica assim o título do livro. Assim como o quadro no quarto onde Kafta fica. Pontas que parecem soltas, mas que se entrelaçam no correr da história. Contar mais estraga a leitura.

Por sua vez, Nakata, um homem já de alguma idade, nos seus 70 anos, aquando de um acidente na sua infância (também descrito intervaladamente no livro), perde grande parte das suas capacidades cognitivas, ao mesmo tempo que ganha estranhos poderes como falar com gatos, prever acontecimentos surreais como chuva de sardinhas ou mesmo enormes tempestades.

Um outro cenário que importa também referir é a cabana, cedida a Kafka por Oshima para no interior da mesma floresta onde tiveram lugar os estranhos acontecimentos com Nakata meio século antes. As profundezas daquela floresta parecem estar habitadas pelos espíritos de outros tempos, onde a noite parece facilitar as suas andanças, de folha em folha, de ramo em ramo e influenciam largamente a imaginação do jovem.

Não me alongo muito mais no resumo da história pois o interessante é ver como os caminhos se cruzam, como as sub-histórias se enredam na história principal.

Um livro de palavras viciantes e momentos comoventes que nos obriga a refletir sobre questões que vão surgindo no seu decorrer, muitas delas sem resposta. O poder deste livro é o criar em nós, leitores, perguntas sem respostas imediatas.

Como já referi, Kafka à Beira-Mar não é um livro de fácil leitura porque não é um livro simples. É um livro de uma escrita graciosa, de sentidos estéticos e poéticos, mas sem normalidades, devido ao estilo non-sense e surreal tão vivo nesta obra (gatos que conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial).

Um livro que aborda o destino e o descobrir quem somos. Num conflito interior, Kafka luta pela sua própria identidade, tentando conciliar o destino com o livre arbítrio. A fuga é antes de mais uma tentativa desesperada de escapar ao destino. No entanto, como afirma o seu amigo Oshima, “podes fugir, mas não te podes esconder”. Quando Kafka foge, esses locais são a biblioteca e a floresta, lugares onde ele se pode encontrar. A eterna procura do “eu”! No entanto, é dentro dele que se encontram as respostas. Como em nós. Por isso é um livro que tanto nos faz pensar!

Termino com um excerto deste magnífico livro:

“E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”

Uma leitura obrigatória para todos nós com um final em aberto, que transborda esperança e com a bonita mensagem que apesar da melancolia e da tristeza que uma vida pode ter, deve haver sempre esperança em que tudo vai melhorar.

E é isso que tanto precisamos no momento em que escrevo esta minha opinião.

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Covid-19. Sejamos flores. Sejamos amor.

Quero flores de esperança a nascer em todos nós. Quero flores de luz nos nossos olhos.
Essa esperança é nos urgente para a primavera chegar. Sentir que a alegria não se pode perder. Que a temos de cultivar e as raízes nos agarrarem à terra-mãe. Somos um só. Eu e terra. Eu e tu. Tu e a terra. Por isso temos de amar a nossa terra. Para nos amarmos. Amor é vida. Vida é amor. Como um ciclo.
Quero pétalas de amor espalhadas por aí. Antes de as flores brotarem lindas aos nossos olhos, estão fechadas em si. E é isso que temos de fazer. Sermos flores que se recolhem para florescermos ainda de alma mais bonita.
Quero voltar a cheirar as flores sem máscaras. Sem medos. O aroma floral no ar que respiro. Quero sentir como aprendi que olhar despreocupadamente para uma flor é simplesmente um momento delicioso. Como a tranquilidade sem pressas de estar ali é uma dádiva. Quero continuar a aprender tudo isso. Mas agora é tempo de outras aprendizagens.
Quero correr as estradas e ter os meus sorrisos que me aconchegam a alma de volta. Ficar de coração a tremer nesses fins de tarde. Como agora todas as memórias guardadas de minutos serão a minha força para lá voltar e gravar mais memórias.
Quero o brinde de gelados e amizades. Sem conversas tristes. Partilhar devaneios e não receios. Estragar essa dieta nas bolas de gelado. Sem dieta, mas feliz. A minha agenda aguarda ansiosa esse compromisso. Até lá vou escrever o compromisso de amor para comigo e com os outros.
Quero flores nas palavras. Doces palavras que nos abraçam e confortam. São tempos de tempestade. Mas a tormenta fortalece o caule da flor que não se quebra.
É isso que somos, flores que não se vergam. Flores que se tornam mais fortes porque são regadas por uma tempestade de amor.
Sejamos flores. Sejamos amor.

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Combater o Corona....

São 8h da manhã e escrevo estas palavras que me saem da alma. Tão cedo e sente-se tanto medo no ar. Um pânico que se generaliza na nossa mente. Uma desconcentração iminente e prestes a colapsar.
Respiro profundamente antes de entrar num comboio que se começa a esvaziar pelos piores motivos. A desconfiança que se instalou entre nós.
Mas não é disto que precisamos para travar este vírus desconhecido e incerto.
Precisamos de serenidade e não entrar em alarmismos. Precisamos de olhar o tema com seriedade para não assistirmos a cenas de pura irresponsabilidade e de palermice autêntica como idas à praia ou festas.
Precisamos de sobriedade e escutar a informação certa e certeira e não todas essas fake news que por aí circulam. Precisamos de abrir os olhos e não acreditar em tudo o que se diz e o que se escreve.
Precisamos de discernimento e não ter atitudes irracionais. Sinceramente ainda não percebi o porquê da corrida ao papel higiénico e estas corridas loucas às compras. Espero não ver daqui a uns meses toda essa comida no lixo.
Este vírus traz o pior que as pessoas têm dentro de si. O egoísmo de um ego mal trabalhado. Precisamos de um equilíbrio que anda desaparecido por aí e que o vírus despertou para essa premente necessidade.
Não precisamos de ver o que temos visto por aí. Precisamos de trazer ao de cima o que de melhor o homem pode ter. O respeito por si é respeitar o outro. Cuidar do corpo e da mente nunca foi tão urgente como agora. Precisamos de esperança e sorrisos.
Precisamos de combater este vírus com amor e não com a raiva e medo. Isso só o vai alimentar ainda mais. O pânico é combustível para ele.
Precisamos de aprender as grandes lições que este vírus nos traz. Não será no imediato mas este vírus vai mexer e precisamos de saber receber essas mudanças que vão chegar.
Precisamos de amor, muito amor. Por nós e pelos outros. Tenhamos esperança e enfrentemos o vírus com tranquilidade.
Os vírus não suportam amor nem paz.
Cuidemos de nós e do outro. Com amor e carinho.

Imagem : Internet

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COVID-19 e a irresponsabilidade!

Atitudes com um elevado grau de irresponsabilidade. Para quê fechar serviços e escolas se a multidão se desloca toda para a praia?!
Não devemos entrar em pânico coletivo nem em alarmismos sociais mas há que ser consciente das nossas atitudes. Há um civismo social que não se vê. Uma inconsciência nestas imagens e noutras de cidadãos a acambarcar produtos alimentares e de higiene. Como o vírus vai mexer em toda esta nossa sociedade de consumo e materialista. Só para que conste continuam a morrer pessoas (sei lá milhares) nos países pobres.
Gostava de saber quantas destas pessoas farão parte do cidadãos em isolamento. Aqueles que deviam estar lá está, em isolamento. Como este vírus nos vai alertar para o real isolamento que se vive quando vivemos no digital e não olhamos para a pessoa que está sentada ao nosso lado no comboio. Como nos fará ver como é o verdadeiro isolamento. Despertar consciências.
Este vírus tem tanto para nos ensinar e a primeira lição é que isto não acontece só ao vizinho do lado.
Vamos combater o vírus com cabeça, realismo, organização e inteligência.
Ter discernimento que acho que anda perdido por aí. Talvez o vírus o encontre.

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Estranhei-te!

Ontem quis escrever-te. O dia não me deixou. Cansou-me isto de não ser feliz nos meus dias. De me arrastar nessas horas de trabalho. Demasiado desanimadoras. De ligar o piloto automático e perder a minha energia. No nada que essas horas me são à vida. Tempo precioso a ser gasto. Arrastava o meu corpo pelo metro. De mãos nos bolsos, incapaz de soletrar palavras e dedilhar frases.
E nessa noite tardia estranhei-te. Tantos dias de ti a que os meus olhos se habituaram. O que tantas vezes me é o pilar dos meus dias. O meu desconhecido preferido. Aquele que a minha alma conhece tão bem.
Estranhei-te. Estranhei a ausência do meu medo de estar ali perto de ti. O medo que me tem feito crescer. Que me vulnerabiliza e me fortalece quem sou.
Estranhei-te. Estranhei os meus momentos de pânico na ansiedade que me treme na tua chegada. E depois o respirar de alívio. A tão aguardada calma.
Estranhei-te. Estranhei o nosso silêncio na dança dos teus dedos. Os teus gestos que já conheço de cor na minha mente. Esses que já os apropriei como os meus prediletos.
Estranhei-te. Estranhei o teu sorriso que às vezes as trivialidades desenham no teu rosto. O teu doce refilar. Essa música da tua voz onde o meu coração dança.
Estranhei-te. Estranhei os acordes do violoncelo nos meus ouvidos. Sem me rasgar por dentro como quando estás ali e entras na estrada da noite. Até mesmo nesse negro de tempestade no céu com a trovoada prestes a ribombar a tua tranquilidade ilumina o céu. Estranhei-te na serenidade que precisava de sentir. A raiva em mim que desaparece e levas para tão longe de mim. Ontem essa raiva estava comigo. O que eu odiei essa sensação. Dormi para a libertar.
Ontem estranhei-te. Revoltei-me com os dias que me tiram a força para te escrever. Os meus amores-perfeitos. E jurei-me nas palavras que enquanto durarem estes meus dias laborais cinzentos, não voltarei a não escrever-te por causa disso.
Estranhei-te e isso é o que levo do dia de ontem. Nada mais.

Imagem : Internet

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Penso-te...

Paro junto ao mar. Sento-me na sua companhia e convidamos a tua solidão a estar junto a mim. Só nós. Sem intrusos.
Paro neste silêncio para te pensar. Nesta quietude. Longe do movimento diário em que te penso. Porque em todos os segundos penso-te em mim.
Tento perceber isto do que sinto. Sossegar-me a alma deste turbilhão de emoções. Converso com o vasto universo que se deitou neste mar para me ouvir. Mas nunca me responde. Se te devo deixar ir. Ou se te deixo ficar no meu coração. Às vezes a indecisão apodera-se de mim mas quando respiro já me preparo para não te deixar ir. De eu ir até ti. Como se o universo me arrastasse até ali. Onde quer que seja esse ali onde estás.
Paro e penso-te. No tanto que me fazes sentir. Se dúvidas tenho, se me perguntassem se apenas tivesse mais um desejo nesta vida. Um único. Um último desejo. Seria o teu nome, o teu rosto nos meus braços , o teu corpo no meu colo , os teus olhos só para mim. Sem hesitações. Sem precisar de olhar para ti para saber isso.
Este reencontro nosso mudou-me. O silêncio no qual tanto me ensinas. Deixas-me com a maior lição de amor que existe. O amor livre e incondicional. Puro e honesto. O verdadeiro amor não se agarra. Não tem amarras. Deixar voar livremente o amor nosso. Porque por mais que te queira nesta foto, acima te tudo quero-te sempre feliz. Que não passe um dia dessa tua vida que não sejas feliz. Aprendi contigo que quando mais amamos alguém, só queremos esse alguém feliz. Esteja onde estiver.
Ensinas-me a aceitar o que sinto. A não esconder de mim os meus sentimentos. A deixar fluir. E quando nego as minhas emoções o meu corpo fica doente. Por isso, olho-te e sinto cá dentro o imenso carinho que nutro por ti. Sem deturpacões. A sinceridade da minha alma. Vejo a ternura que escondes. E compreendo-te. Ensinas-me a não julgar. A admirar o incomensurável respeito que é o teu pilar. Talvez ainda te ame mais por ver essa tua profundidade que ferozmente me mostras. E que os outros não percebem.
Se gostava tudo isto fosse diferente do que é, não nego a sinceridade da minha resposta. Gostava mesmo. Trago nas minhas memórias o meu amor por ti. Que ficará. Porque no nosso próximo reencontro, qualquer que seja o tempo ou lugar lembrar-me-ei de ti. Do amor que nunca morre. Porque voltaremos a cruzar-nos. Como tropeçamos um no outro neste agora. Quero-te sempre feliz. Que nunca te percas do oceano da felicidade para quando nos voltarmos a ver, me possas ensinar isso do que é de ser verdadeiramente feliz.

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