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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O parque aos meus olhos

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Uma foto dos meus olhos naquelas fugas rápidas pelo parque quando os primeiros raios de sol dão sinal da sua chegada. Quando tantos ainda dormem e poucos trabalham. Quando agarramos um sorriso de alguém.
Não é uma foto de passeios pelos muitos paraísos que existem por aí. É a foto de um parque normal, do mais normal que pode haver. Um parque de passagens, de circuitos, de bancos interditados, de brincadeiras em suspenso. Um parque de árvores, terra e pássaros. De água e sombras. Como tantos outros por aí. Simplesmente mais um parque na Amadora.
É apenas o parque a 2 minutos da minha janela para onde, às vezes, fujo. Aqueles 5 minutos no meu silêncio. Sem barulhos e pessoas. Onde vou respirar vida e paz. Onde recupero forças e energia. Sozinha na companhia do meu coração.
É um parque por entre prédios e estradas, por isso, do mais trivial que se possa pensar. Um parque agora desabitado de conversas.
Fui aprendendo com o meu caminhar que depende de mim como quero ver o mundo que me envolve. Não, não vou romantizar esta crise que todos vivemos e que arranha cada um de nós. Reconhecer a sua crueldade implica uma força descomunal para a ultrapassar. E temos de encontrar algures essa força que nos habita.
Ao olhar para a beleza que um simples parque pode ter. Como pode ser encantado. Os pequenos detalhes. Procurar a luz. Ouvir o universo na natureza. Escrever momentos meus. Ao fazer isso continuo sempre a acreditar na esperança que a vida é.

Olhar o negro ou olhar a luz

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O abril acorda-nos pintado de cinzento. De lágrimas nos seus olhos. São apenas lágrimas se assim o sentirmos. A chuva que vem regar a vida que germina na terra. Que vem limpar o ar que respiramos. A chuva que pode ser bênção. Sem água não há vida. Não há emoções que possam nascer.
Sim, o céu está cinzento, mas a árvore não está triste porque os seus troncos crescem rumo ao sol. As folhas que bebem água numa esplanada de ramos na companhia de um sol que mesmo escondido se faz notar. Porque a árvore escolheu o sol. Escolheu a luz e a vida.
Depende só do nosso coração e da nossa alma se olhamos apenas para a escuridão das nuvens ou se para aquela janela de luz que o horizonte nos brinda. A nossa escolha num dia assim como hoje mostra como decidimos olhar a vida. Se escolhemos o negro ou a claridade da vida.
Olhar a luz é olhar a essência da vida.

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