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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Manhã de domingo...

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Já tinha saudades de uma torrada com aroma a jardim. Já tinha saudades de um galão que arrefece em liberdade.
Já tinha saudades de estar assim numa esplanada quando os pássaros acordam numa manhã de sol.
Já tinha saudades de estar e sentir. Não fui longe, nem a nenhum sítio da moda. Fui onde pudesse estar em segurança. Onde pudesse olhar e respirar.
Parece demasiado simples e sem sentido dizer isto, mas é na simplicidade dos momentos que vivemos realmente a vida. Que não seja um vírus que nos faça ter consciência disto, mas sim a nossa alma que realmente já tenha aprendido essa lição tão importante para o nosso caminho.

Largar e ir

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Ontem larguei tudo e fui. Nem fechei o computador, ele ficou sossegado à minha espera, enquanto eu ia em passos apressados apenas para ter um vislumbre de ti. Recordei os impulsos dessa normalidade que se esfumou numa quarentena imposta. Aquilo que tantas vezes era o alento de dias de trabalho voltou às minhas horas. Aquela vontade imensa de te ver. Mas esse ver-te de agora é demasiado fugaz para agarrar novas memórias de ti. Não posso demorar os meus olhos no teu rosto. As nossas conversas silenciosas aguardam nos bancos à espera de retomarem a estrada que foi cortada ao trânsito das emoções.
Não sei se era do sol quente que se enrolava no vento que já se fazia sentir, mas algo em ti parecia-te pesar no rosto que evidenciava ter envelhecido nestes tempos de isolamento. Não que deixes de ser bonito, isso serás sempre com ou sem rugas, com ou sem cabelos brancos. Mas nunca percas esse brilho que a tua alma emana e não permitias que este maldito vírus te traga tristeza. Às vezes temos de não estar bem. Mas devo ser eu que não gosto de te sentir assim de mochila pesada nas costas. Não te guardes em ti. Partilha quem o teu coração é. Nunca te escondas de quem és. E ficarás mais leve.
Queria ter sentido aquele sorriso que já me ressoou tantas vezes no coração. Talvez não fossem as nossas horas de fim de tarde, por isso não era suposto andar por ali. Mas agora construímos novas rotinas de normalidade. Agora se te deixo ir é porque não posso mesmo ir. Mas haverá o dia que os nossos olhos se voltarão a tocar de perto. Para te sentir bem e feliz.
Hoje não pude largar tudo e ir lá. Amarram-me as pernas à cadeira no castigo de ficar em frente a um computador. Com o desalento em mim. Não estive lá, mas lembrei-me de ti. E se tu te tiveres lembrado de mim, o dia já terá valido a pena!

Imgem : Internet

Dias....

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Olho para a natureza e na sua simplicidade tento encontrar essa luz que a sombra dos dias parece tantas vezes ofuscar. Tantas ocasiões em que sinto que os dias têm um aroma a melancolia. Agradeço tanto aqueles pequenos, mas gigantes momentos que me aconchegam a alma. No entanto tenho em mim uma tristeza que me acompanha sem nunca me abandonar. Que está nos meus olhos. Que vive no meu sorriso. Que poucos julgam existir dentro de mim. Apenas as palavras tornam pública esse meu lado oculto. Aquela tristeza que são as saudades de ti e desse rosto. Fazem-me falta aqueles fins de tarde onde me renascia a motivação. Aquele caminhar sem sentido, mas que me caminhava de encontro a mim mesma. Nada é sem sentido. Por ti, descobria quem eu sou. Fazem-me falta esses olhos de conversas silenciosas. Os dias de desconfinamento trazem no barulho da rua um silêncio que me espanca o coração de memórias tão tuas. O ruído dessa nova normalidade ensurdece-me os sentidos da tua ausência.
Hoje as trivialidades desse acaso levaram os meus passos, nessas horas já de fim de tarde, aquele local onde tantas vezes te deixava ir e eu ficava ali de joelhos a tremelicarem de uma emoção apenas por te ver. Que crime hediondo este meu de desejar-te ver. Senti a minha alma esbofetear-me como se me quisesse largar. Desamparar-me para ir ao teu encontro. A máscara que nos oculta o sorriso jamais pode esconder a alma tua. Se os meus olhos não te reconhecessem, a vida já me teria morrido no olhar. Aprumas a minha visão para a importância daquilo que realmente é essencial. Ensinas-me a ver.
Esse teu rosto longínquo, que os pés não alcançaram, parece envelhecido pela quarentena. Quis parar o momento. Mas o relógio esmagou-me a vontade. Queria apenas olhar para ti. Ver-te perto sem velocidades. Foi demasiado apressado para as semanas de saudades que levo de ti.
Apetece-me tanto voltar lá. Hoje, amanhã e nos depois de amanhã. Lá onde quer que estejas. Precisar de libertar-me do computador. Respirar. Desconfinar de malmequer na mão nesses largos terrenos que por lá habitam. Ver-te bem. Saber-te feliz. É isso que mais me importa.

O respeito no chão.....

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Continuamos a não amar a nossa terra mãe. Continuamos a não respeitar a natureza. Continuam tantos de nós cegos de si mesmos que perderam o respeito por si, pelos outros e pela única casa que temos, o planeta terra. Continuam esses tantos a não aprender o amor e o respeito. A luta é de todos e não apenas de alguns. Quando é que iremos entender isso?
É de uma tristeza revoltante ver as ruas sujas de máscaras. Um desprezo pelo civismo que me enoja. Nem com a dor na pele se aprende a viver em sociedade. Se soubéssemos ser civilizados talvez não precisassemos de tantas regras para um desconfinamento seguro.
Com images destas em cada passo que damos será difícil vencermos qualquer vírus que nos apareça.
Uma pergunta minha que se calhar é tonta: Mas é assim tão difícil colocar o lixo no lixo?!

Fátima

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Uma imagem tão simbólica do que vivemos.
O Santuário de Fátima. Vazio. A procissão das velas na noite de 12 de maio. Sem peregrinos. Sem velas de esperança acesas. A solidão partilhada. O isolamento de todos nós. Realidades negras que precisam de luz.
A fé que tem de ser inabalável. No coração de cada um de nós.
Rezar, acreditar, confiar e sentir.

Acordei....

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Acordei numa chuva de saudades que me transborda o rio da alma.
Acordei com a cantoria dos meus pensamentos enclausurados num capuz.
Acordei com as flores a beijarem a minha sombra.
Acordei com as árvores a pedirem um abraço.
Acordei com as memórias do teu rosto nos meus olhos.
Acordei com uma vontade desesperante de resgatar as minhas rotinas de ti.
Acordei com os raios de sol que me imploram por esperança.
Acordei com o céu a ajoelhar-se e a pedir-me que nunca desista dos sonhos.

Imagem : Internet

#bom dia

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Beijar a sombra quando nos recolhemos não é ser fraco, é ter coragem para um novo renascer 🌷🌦️💖🙏

Caminhos tristes

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Às vezes sinto como se as ruas me tivessem morrido porque não te vejo nelas. Como se a vida que nelas existia estivesse perdida algures e ao encontrar-te iria recuperar essa vida desaparecida. Mas andamos desorientados nisto. Sem pontos cardeais para nos guiarem o norte e o sul destes corações.
Às vezes quando caminho por essas ruas, há uma tristeza que nelas vive que é tão minha. Ou então sou eu que deixo nesses passeios o desgosto que me assola. Um silêncio calado que não grita. Que se dilui dentro de mim e que te escreve para se libertar.
Olho para o relógio e quando os ponteiros param naquelas que eram as minhas horas, paro no vazio que sinto. O teu vazio. Ainda não me esqueci das nossas horas. Quando os meus olhos podiam tocar o teu rosto apenas com o meu medo. Sem estes medos do presente que se redige. Sem as assombrações das máscaras que nos escondem o sorriso. Ainda me lembro dos meus lugares. Lugares simples. Que me levavam até ti. Por isso me eram tão especiais. Não sei quando lá voltarei. A esses lugares. Quando lá voltaremos. Agora até nos encerram as estradas onde a minha alma aprendeu a sorrir. Trajetos suspensos tal como os nossos dias que se encontram pendentes à espera de um sinal para construir uma nova normalidade. Por ti construi as minhas rotinas secretas. Construiria novas se isso significasse que te podia apenas e somente ver. O que faz uma alma que se guia pelo que sente. Recordo tanto disso que fazia nessas minhas pequenas loucuras e inundo-me em saudades.
Este vírus trouxe-me as saudades. As saudades de os meus joelhos tremerem. Dos pontapés no meu estômago. Da ansiedade saudável nessa incerteza de te ver. Das correrias de fechar o computador e sair para longe dali se esse longe fosse um segundo perto de ti. Saudades do frio que não me constipava. Saudades da tranquilidade em mim porque fui lá ver-te. Saudades das minhas conversas com o universo sobre o teu paradeiro. Antes ainda me respondia. Agora há tantas interferências que não o consigo ouvir. Quiçá me diga que até podes estar perto, mas esse perto para mim é uma lonjura que não posso encurtar. Talvez o universo esteja em silêncio a consolar-me a dor da tua ausência.
Enquanto estávamos quase todos nessa quarentena forçada, sabia que lá fora estava tudo encerrado para mim. Por isso me foi tão fácil o estar em casa. Mas este desconfinamento faz-me doer o que não me doía antes. Poder fugir uns minutos e continuar-me a sentir presa porque os meus pés estão colados a este chão. Porque os meus pés só querem tropeçar na tua alma.
Já não estamos em estado de emergência. Continua a haver uma emergência em nós. Há uma urgência de viver. Cada um com emergências distintas. Com urgências definidas.
Tenho urgência nessa emergência de ver esse rosto teu que o tempo não apagou de mim.

Imagem : Internet

O mundo ficou grande...

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De repente o mundo tornou-se demasiado grande. As distâncias físicas são tantas e demasiadas. Nunca fui muito de abraços, mas sinto falta de abraçar rostos. De ter olhos a aconchegarem-me a alma. Tão perto de mim. O ar que respiro agora não pode ser partilhado. Estamos separados neste mundo agora feito de paredes, de janelas e portas. A casa é o nosso mundo imediato e um jardim é fugir às correntes que nos prendem os sentidos. O mundo aumentou e as saudades duplicaram nas emoções. A solidão tornou-se demasiado nossa.
Todos temos fronteiras que são estas máscaras. Que escondem sorrisos. Aqueles sorrisos que tanto me sustentam a estrutura de quem sou. Sorrisos que me são vida e agora escondem-se no medo que se apodera de nós. Agarro-me às memórias que o peso do mundo não pode destruir. Ternas e doces lembranças.
O mundo tornou-se imensamente enorme aos meus olhos. Estes mesmos olhos que anseiam por ti nessas estradas que agora são trilhos de coragem. Como o que era aqui perto se tornou demasiado longe. Os meus lugares agora são viagens de risco. Há uma espera imensa de regressar às nossas horas mesmo que mudemos os ponteiros do relógio.
Talvez seja por não te ver que o mundo para mim se tornou grande. Aquela enormidade de um abismo que nos empurra. Falta-me a liberdade dos meus pés. O correr sem receios nem limites. Falta-me o tremer dos joelhos e os pontapés no estômago quando te via. Faltas-me. O mundo está demasiado grande que não sei por onde andam estas sensações de ti. Perderam-se sem a bússola da tua alma.
Resta-me arregaçar as mangas e ir neste mundo tão grande à procura dos sonhos, de quem sou. E mesmo de máscara nunca vou fechar os olhos para nessa viagem te voltar a ver.

Imagem : Internet