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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Diana Gabaldon "Outlander : Os Tambores de Outono (vol 4)"

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Parece daquelas coincidências que em mês de chegada de outono, eis que a minha leitura é “Os Tambores de Outono”, o livro 4 da saga Outlander. Um desafio de cerca de 1000 páginas que agarrei com todo o meu coração de amante de palavras.
Neste livro perde-se, o que já se estava a desenhar em “A Viajante”, o foco único e exclusivo nas personagens de Claire e Jamie, embora eles sejam sempre o centro em torno do qual todas as restantes personagens se movem.
Podemos quase que dividir este livro em dois momentos. Um primeiro momento em que se alterna a vida de Claire e Jamie com detalhes históricos sobre a colonização dos EUA, nomeadamente sobre a Carolina do Sul, ainda selvagem e por desbravar com temas como a escravidão como parte natural do quotidiano, e de Brianna e Roger ainda em pleno século XX, antes de ambos atravessarem as pedras em fase distintas. Pessoalmente, só depois de vários mal-entendidos me aguçou a curiosidade para saber qual o desfecho.
Brianna ao fazer uma descoberta que a irá transtornar, decide também ela atravessar o círculo de Pedras de Craigh na Dun, o que a leva na procura da mãe e na descoberta de um pai que nunca conheceu. Um ciclo de aventuras, vivendo um dos momentos mais duros do livro, a sua violação e gravidez. Roger também atravessa o círculo de pedras e parte em busca de Brianna. Vemos nele em alguns momentos um machismo demasiado agressivo para o amor que nutre por ela, mas talvez a autora nos esteja a relatar a realidade dos anos 60. No entanto é com mal entendidos o que me fez avançar velozmente na história para saber o que se ia passar a seguir.
Com um livro de mil páginas, é extremamente árduo resumir o que quer que seja, apenas salientar grandes momentos ou episódios que mereçam destaque. Grande parte do que chamo um primeiro momento é o retrato da vida de Claire e Jamie nos seus dias. O encontro com a tia Jocasta, o abdicar da herança, os escravos, a construção de uma casa e a colónia Fraiser´s Ridge, a dureza do inverno, as plantações, a caça, a relação com os índios.  Um momento mais intenso é quando Jamie conhece o seu filho William, adotado por John Grey em “A Viajante”. Claro que outro momento muito emocional é quando conhece Brianna e as suas semelhanças físicas são reflexo um do outro. Até no temperamento forte. Que grandes discussões os dois vão ter ao longo do livro (nem tudo é o chamado mar de roas). John Grey, neste livro, vai ganhar algum destaque que julgo que nos próximos livros se irá adensar.
Deste livro levo no coração Ian, sobrinho de Jamie, que tanto me conquistou por ser uma destemido tão doce. Gestos que nos enternecem tanto. Momentos de risada com as suas aventuras. A sua ligação de amizade genuína com os índios (aqui para ser desmitificado aquele lado violento no qual tantas vezes são retratados). Mas essencialmente a sua coragem e que o leva a um ato de profundo amor quase no final do livro. Espero sinceramente que Ian regresse no próximo livro, pois se não regressar, será das minhas maiores desilusões.
Um dos graves erros deste livro não se prende com a história em si, mas com a edição da mesma, na qual detetei inúmeras (muitas mesmo) gralhas de revisão.
Um livro que em tantas páginas retrata a normalidade da vida em épocas distintas. A emoção das relações entre as pessoas. A vulnerabilidade. As difíceis decisões. A morte. O nascimento. O amor. A vida.
Para quem se apaixonou perdidamente por Outlander, vai viver cada momento desta história mesmo em momentos mais lentos, pois sabemos que algo mais forte está para chegar. E quem como eu que se apaixonou por Claire e Jamie, vai arranjar coragem (não é preciso muita) para enfrentar as cerca de 1300 páginas de “A Cruz de Fogo”, o próximo ivro. Haja amor pelas palavras e tudo flui sem se dar conta.

Novembro chegou

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Novembro chegou na noite em que mundos parelelos de vida se misturaram entre si. Morte e renascimento juntos.
Novembro chegou com uma lua cheia de emoções. Com tantos desafios que os astros nos impelem a superar. Haja-nos força e determinação de nunca desistirmos de nós.
Novembro chegou com a memória de quem já nos partiu, mas cujas memórias nos vivem. Porque o amor não morre no corpo moribundo.
Novembro chegou e trouxe-te de volta aos meus sonhos. Acordar sabendo que algures as nossas almas se tocaram. Enquanto os corpos dormem, as almas amam-se.
Novembro chegou e em dia que o simbolismo está por aí, aquela não coincidência dos teus olhos. Quando os passos normais foram trocados, lá estávamos nós. Não que com a chegada de Novembro aquela tristeza de te olhar tenha fugido. Novembro chegou, mas a solidão ficou. Mas algo entre nós voltou a estar tranquilo. Bates-me tão forte no meu peito. Uma serenidade de amor. Talvez na outra noite de pesadelos tenhas sido tu que me deste a mão. Para eu ficar bem. Porque sei que o teu coração é bonito, docemente bonito, por isso até a borboleta branca se enamorou de ti e não te largava. Que te seja sorte, não só no novembro que chegou, mas em todos os meses que te irão chegar.
Novembro chegou e vou deixar que continues a ser estrela cadente em mim e que me obriga a seguir o rasto dos meus sonhos. Novembro chegou nos teus olhos na certeza do tanto que sinto por ti.
Que a chegada de novembro nos seja luz em tempos de escuridão.

Imagem : Internet

Pão por Deus

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Num ano tão atípico de costumes e gestos. Num ano que nos pede recolhimento para construirmos, juntos, uma nova normalidade. Num ano em que o Pão por Deus ficou na casa de um. A tradição que fez pausa.
Hoje vi estes bolos económicos à venda numa banca e trouxe-os comigo. São bolos que me fazem viajar às raízes de quem sou. À ancestralidade da minha avó, que tantos destes bolos deve ter feito. Porque são das paisagens onde tanto viveu. E onde lhe ficou a alma nas flores.
Saborear estes bolos é muito mais que um simples gesto de gulodice. É recordar para continuar a viver.
Pode não haver Pão por Deus, mas estes bolos trouxeram-me memórias de sorrisos. E isso é que importa.

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