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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

A flor chora no décimo segundo dia de confinamento

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Décimo segundo dia de confinamento.
Acordei envolta na tristeza do céu demasiado carregado. A chuva que prometia chegar a qualquer instante. Uma nostalgia que se apodera do meu ser.
As saudades do sol já são muitas. A sua vitamina D faz-nos uma imensa falta. O nosso corpo quebra. A força anímica é nula. Arrastamo-nos nos dias fleumáticos.
Sinto falta dos pés soltos. Dos meus ténis coloridos arrumados no roupeiro. Agora os passos são contados e não posso exceder o limite imposto. Porque estamos numa maratona para nos salvar do inferno do abismo. Estamos tão próximos do despenhadeiro.
Mas os meus olhos ainda são livres. Ainda podem pousar na beleza. E podem ali ficar estáticos a sentir o amor de uma flor.
Esta flor acenou-me para me aconchegar a tristeza matinal. Falei-lhe suavamente de voz melancólica. Também a flor esmorece neste silêncio que nos atordoa as emoções. Que nos oculta os sorrisos que nos são queridos.
Chorei com a flor. Às vezes até as flores mais bonitas choram. As lágrimas lavam a alma. Purificam. Limpam o lixo tóxico que está alojado nas raízes e caules. E depois florescem ainda mais cintilantes. Numa harmonia luminosa.

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