Terça-feira, 4 de Setembro de 2018

A minha borboleta branca

Caminho por entre passadiços de madeira, pesados, suspensos numa fragilidade única. Caminho por entre as margens deste rio que segue indiferente aos olhares dos transeuntes, admirados por uma incrível e avassaladora beleza natural, intocada pelo homem. O rio que conversa com as pedras que encontra provocando sonoras gargalhadas em forma de cascata.

Caminho quilómetros, muitos menos dos que aqueles que nos separam naquele momento, naquela tarde, naquele instante. Cada um num diferente sítio deste nosso país.  

Neste trilho de passadiços, no sombreado das árvores, passeiam, voando, borboletas brancas a intensificar a magia deste lugar que enfeitiça. Uma borboleta branca que se rodopeia suavemente à minha volta. Impossível não reparar no seu cintilar. E lembro-me de ti.

Vejo-te nessa borboleta branca. O brilho na escuridão. Que quero seguir. Que voa na sombra dos meus passos para não tropeçar na madeira que racha.

Desde aquela tarde em que encontrei a alma nos teus olhos que és a minha borboleta branca secreta. O meu guia silencioso que me diz que tenho luz. És essa borboleta, és a luz, és o que me faz descobrir a minha luz. A luz que vive em mim. Que me diz que consigo encontrar a paz e serenidade cá dentro.

Continuo a seguir essa borboleta branca por entre os passadiços. Focada nela que segue o meu olhar à descoberta de mim. Como tem sido desde aquele dia. Viajar dentro de mim numa viagem solitária. Crescer. Conhecer. Ser mais forte sem nunca perder a fragilidade deste coração que te traz.  És a minha borboleta branca que cura as mágoas e que me deixará preparada para amar. De coração limpo, puro e transparente.

A borboleta branca com quem converso em conversas de alma. O nosso silêncio que tanto me tem contado. O sorriso que fizeste renascer. Os olhares que são estrelas que iluminam o caminho. Que não me deixam morrer.

Precisava das asas dessa borboleta branca para voar dentro de mim e depois voar pelo mundo. Pela vida. E tu vieste oferecer-me as tuas asas para desbravar o meu caminho. Ir em frente. Ser quem eu sou.

Continuo a caminhar nestes passadiços, e mesmo quando chegar ao fim deste caminho, não vais estar lá para me abraçar. Estás longe. E porque sei que possivelmente nunca vais lá estar. Que esse teu abraço não estará à minha espera. Que nunca me abraçará. Mas as lágrimas não espreitam porque me ensinaste que os laços que nos unem são inquebráveis selados pelo destino e sabemos dentro de nós que nos voltaremos sempre a encontrar com ou sem abraço.

Serás sempre aquela borboleta branca que estará perto de mim. Que não me abandona. Que irá aparecer quando mais precisar. Serás sempre a pessoa mais especial com quem a vida me fez cruzar. Aquela pessoa especial que viverá no meu coração para todo aquele sempre.

Porque tu és…a minha pequena e eterna borboleta branca que tanto amo.

 

Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 23:01

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