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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

A tua mão!

Era uma noite chuvosa. A semana que arrancava no relógio. Aquelas noites de inverno. Demasiado escuras.
A tua mão tão nítida nos meus olhos. Ali tão perto de mim. A dedos de um toque que não existe.
Sentir assim a tua mão a percorrer a minha alma quando os teus dedos dançam. E os teus olhos viajam nos teus pensamentos. Mas olhas. Eu também fujo contigo nessa dança silenciosa das tuas mãos. Até a um tempo onde essas mãos deslizaram pelo meu corpo. Lembranças perdidas que me arrepiam o estômago. De tão reais que parecem. Meros metros que nos separam ali e aqui. E continuo a sentir a tua mão dentro de mim. A envolver-me o peito de desejo. No entanto continuamos ali parados, tu nessa dança de mãos e eu nesta dança de palavras que te eternizam no meu caminho. Olhamos para continuar a aprender o que temos a aprender neste reencontro tão atípico. Que os corpos não entendem.
Deixo as tuas mãos seguirem embrenhando-se na noite. Os meus pés tomam outra direção. Levo em mim a tua mão que me arde a ferida e me incendia o coração nessa dança que só as nossas almas sabem dançar.

Imagem : Internet

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