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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Ainda sobre reinícios. Ainda sobre ti.

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Ainda sobre reinícios. Ainda sobre ti. Sem uma aparente ligação directa. No entanto, caminham de mãos dadas em mim nas tardes tão tuas.
Quando os meus dias se alteraram naquele horário de trabalho e quando tudo parecia ruir no tapete que me tiraram dos pés, o teu olhar esteve lá. Naquele dia negro que tanto me mudou, estavas lá. Quando escondi de mim e de ti as lágrimas da alma. Era mais um dia que me cruzava contigo. Como tantos outros que foram. Estava o frio de novembro. Mal conseguia olhar para ti. Doía-me o ser.
Depois salvaste-me de me afundar no abismo. Não sabes, mas naqueles meses, era a ânsia de te ver que me aguentava os dias. Cada vez que a tarde tinha o teu nome, vivia um pouco mais. O teu olhar impediu-me de ver dias mortos. Manteve-me forte. Para não me perder de mim. O teu rosto obrigou-me a não desistir de mim. Encontrar-me.
Agora sei que fostes tu o meu guia de luz na escuridão. Obrigada.
Tempos depois voltamos ao frio, mas de um janeiro glaciar. Início de ano. Reencontros esperados. E tu lá estavas outra vez. Nos teus fins de tarde. Desta vez num silêncio que nos grita. Os demónios que nos atormentam a voz. A cabeça que latejava. As dúvidas que me voavam na mente.
Voltei a ter vontade de chorar ali ao pé de ti. Fugi os meus olhos dos teus. Sem saber se estou na estrada certa do meu caminho. Depois foste abraçar-me no meu sono. Para não estar triste, porque está tudo a acontecer no tempo certo.
Preciso que continues por aqui para me ajudares a descobrir aquilo que ainda não sei. A quebrar medos e construir seguranças. Talvez o teu silêncio seja para me obrigares a ouvir-me. Tens sempre razão.
Ainda sobre reinícios incertos. Ainda sobre a certeza de ti.
Ainda sobre o ontem e o amanhã. Ainda sobre ti e a eternidade.
Onde o teu olhar está sempre dentro do meu coração.

Imagem : Internet