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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Ao décimo dia de confinamento voltei à escola

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Ao décimo dia de confinamento, regressei à escola que fui estrear há mais de 25 anos. Parece que foi ontem que a criança tímida gordinha e de óculos entrou, pela primeira vez, por estas portas. Um mundo enorme para uma menina insegura que tinha medo de tudo.
Foi a minha casa durante cinco anos.
Foi aqui que o meu professor de português me deu a conhecer o sublime Eça de Queirós e o meu amor pelos livros e palavras foi ganhando uma intensa paixão. Talvez para compensar todo o meu silêncio.
Foi aqui que o ódio pelo desporto tomou conta de mim. Porque não conseguia dar uma volta ao campo, porque me sinta inferior aos outros pelo meu corpo imperfeito e sem resistência da altura. Hoje ao olhar o campo, relembrei-me desses tempos de instabilidade emocional. Senti a tranquilidade das memórias e em tudo o que aprendi com essas lições. Tive vontade de dar uma volta pelo campo só para sentir a liberdade de ser quem sou. Tudo o que sofri dentro de mim naquele alcatrão está resolvido no meu coração. Queria correr sem me comparar ou sentir-me inferior porque cada um é um ser único. E eu sou única como sou.
Foi bom regressar a esta escola por cada vez que cá volto ver estes quadros feitos em barro feitos pela minha turma numa altura em que havia a área-escola e onde nós aprendemos tanto sobre a nossa Amadora. Ver trabalhos com mais de 20 anos ainda ali em exposição. Olhar que seremos sempre mobília desta escola, da turma cujas pegadas estão marcadas naqueles corredores, naquelas escadas. Parece que ainda ouço os nossos gritos e correrias.
Hoje o confinamento foi diferente. Foi um reconhecer que seremos sempre história num local que foi alicerce da estrutura da pessoa que hoje sou.

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