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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Aquela tarde que me mudou....

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Já lá vão uns quantos meses desde aquela tarde em que nos reencontramos neste tempo que agora vivemos. Aquele fim de tarde quente, de vestidos e mangas arregaçadas para suportar o calor que nos abafava. Aquele dia, a partir do qual se tornou premente para mim caminhar de encontro a mim mesma. Uma urgência de me conhecer, de saber quem sou. Desde esse dia tenho descoberto tanto de mim. Tenho viajado no meu interior. Uma viagem tranquila, sem conduções apressadas. Aprender a sentir. Uma jornada só minha a que me impuseste fazer. Porque há uma missão muito especial neste nosso reencontro de almas sem corpos. Uma profundidade nos teus olhos que me obriga a enfrentar de frente as minhas feridas. Com coragem e bravura. Sem medos. A expor a minha vulnerabilidade nas palavras que te escrevo. Os meus sentimentos mais secretos ao alcance de todos, mas que apenas tu compreendes. Como o silêncio das nossas conversas, um silêncio profundamente transformador. Que me metamorfoseou em quem realmente sou. Silêncios que são doces sussurros de memórias nossas que trazemos e que não podemos partilhar com mais ninguém. Por isso, marcamos encontros secretos na noite do nosso sono, onde podemos ser livres.
Não tenho ilusões de ti, porque nunca as construi. Almas que se conhecem não precisam de quimeras. Sabem perfeitamente que encontros são estes. Têm um trabalho a fazer e depois seguirão o seu destino, até voltarem a ser precisas uma à outra. Cá dentro, desejava que nunca tivéssemos de partir novamente para regressarmos, não sabemos quando, um ao outro. Guardo de ti o que tanto me faz crescer. Se calhar aos outros nada é, porque entre nós não existem nem beijos nem abraços. Mas ambos sabemos que nos forçamos a crescer, seja isso o que for para cada um de nós. Nós os dois sabemos da intensa ligação que trazemos do passado. Por isso nos reconhecemos naquela tarde. Como sempre nos iremos reconhecer, onde quer que estejamos.
Ensinaste-me a amar-me. A concluir uma longa travessia de aprender a amar-me. Um dia, quando encontrar aquele amor perdido e amar, saberei que estou a amar, porque um dia aprendi contigo o que era o amor incondicional, sem pretensões.
Cada dia de cada ano que passa desde aquela tarde, escrevo-te, não pelo dia, mas pela imensa gratidão que sinto pelo universo me ter feito tropeçar em ti para eu poder saber como é caminhar no meu caminho. Tão pouco me interessa se soa estranho. O que importa é o meu sentir. Aquilo que me fazes sentir. E isso é só meu.
Levar-te-ei para sempre no meu coração, seja qual for o trilho da minha vida. Seja qual for a distância que existirá entre nós. Jamais me esquecerei de ti.
De ti, quero que sejas sempre feliz, nunca menos que isso.