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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Armários de memórias

Hoje vi aqueles armários cheios de história a serem limpos. Memórias que ali estavam foram despejadas. Um despejo há muito certo. Agora concretizado. Não sei para onde foram aqueles pedaços meus e nossos dos últimos anos. Acho que nem quero saber. O papel apodrece. Mas a tamanha e imensa aprendizagem fica em mim. O que aprendi não consegue caber em reduzido espaço. Ali estava o palpável. Porque o mais importante ficou connosco.
Olhava para os armários vazios e vi ali tanto de mim que cresceu desde o momento em que os abri pela primeira vez. Não esqueço os stress que me deixaram tão mais forte. Guardo as alegrias, os sorrisos. Ainda ouço as conversas nossas. Trago as amizades que tanto me ensinaram e que não se perdem por aí.
Olho o vazio que fica. Enfrento o que foi e que não voltará. Ainda há aquela tristeza que ali ficou. No entanto, há uma profunda gratidão minha porque na história daqueles armários fui-me tornando quem sou. Pessoas raras que puxaram as mãos e me escreveram o não desistir. Que me cresceram a alma e me protegeram.
Às vezes sinto saudades de abrir aqueles armários. Contam momentos que serão sempre meus. E que jamais ninguém pode despejar de mim.
Hoje limparam aqueles armários. As prateleiras sem nada. Um imenso vazio. Um ciclo que se fechou.
Agora que se abram novos armários algures por aí para voltar a construír novas histórias. Mas histórias felizes. De dias que nos pintam a alma de alegria. De momentos que nos preenchem.
E sei que um dia voltarei a encher armários assim. Como aqueles que hoje despejaram.

Imagem : Internet

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