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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Até já Natal,

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O Natal olha o caminho à sua frente. É o momento de nos deixar. Há um longo percurso a fazer até ao merecido descanso. Para depois voltar.
É tempo de tirar os enfeites da árvore. De desligar as iluminações. De trocar o tapete de entrada. De lavar as camisolas do Natal. De pôr de lado os acessórios. De arquivar as músicas. De guardar tudo. De acondicionar a fragilidade de algumas decorações. De embrulharmos tudo com carinho e afeto.
Foi um Natal diferente. Atípico. Sem abraços. Sem encontros. Sem jantares ou lanches. Sem passeios pelas ruas iluminadas. Foi um Natal de recolhimento. De pensarmos que a essência do espírito natalício é o amor e não as prendas. Não são precisas montanhas de presentes. Precisamos de montes e serras de amor e afetos verdadeiros. Genuínos e honestos. Não devemos estar com os outros só por estar, porque é socialmente correto. Devemos estar com os outros porque o nosso coração quer, porque há uma ligação de amor com esse outro. O nosso tempo é fundamental e não pode ser desperdiçado em inutilidades e futilidades. Tem de ser aplicado no amor. Porque o amor não são só os relacionamentos amorosos. O amor é tudo. É para todos aqueles que nos vivem na alma.
Foi-nos pedido para reinventarmos o Natal. Mas o Natal não precisou de ser reinventado. O Natal é amor e o amor já tem de viver em nós. O amor é simples e a simplicidade não pode ser reinventada. Podíamos ter reinventado o modo como vivemos o amor desta época tão bonita. Aprender a valorizar a beleza dos pequenos momentos, dos pequenos gestos. O desapego do material. O apego dos afetos. A importância de um olhar maravilhado para uma árvore de Natal iluminada, cheia de luzes e decoração. Explodir em alegria ao escrever ao Pai Natal. Saborear os pratos natalícios. Comer doces sem culpa. Sorrir no nevoeiro. Dançar à chuva. Estar no sofá a ver os típicos filmes de Natal. Cantar a altos berros as tradicionais músicas da época. Afinal de contas, já era suposto fazermos isto tudo antes da COVID-19 aparecer nos nossos dias e de todas as restrições que nos trouxe. Mas o amor jamais terá quaisquer limitações.
Reinventar o Natal foi simplesmente aprender a viver ainda mais intensamente esta quadra.
Reinventar o Natal do Amor dentro do nosso coração. Era isso que todos devíamos ter feito. E teríamos aprendido tanto.
Agora o Natal é uma miragem na janela. Guardemos as boas memórias. Porque há sempre algo bom para recordar. Uma palavra, um olá especial, um gesto, o refrão de música, uma camisola quentinha, um gorro com música, o chocolate quente com marshmallows a acompanhar os filmes de Natal, o que quer que seja que tenha feito o nosso coração sorrir. Porque foi amor. E isso é o Natal. O amor.