Até um dia, Chester
Anoitecia quando soube da trágica notícia que a voz dos Linkin Park não tinha resistido aos demónios que o atormentaram todos estes anos. Por momentos desejei que fosse mais uma dessas fake news sem sentido que nos inundam mas a notícia sem sentido era real, palpável que nos arranha a alma.
E rasga-me o ser, escrever estas palavras. Fui e serei sempre uma admiradora incondicional dos Linkin Park, das suas músicas, das suas letras. Conheci-os logo no lançamento do primeiro single, há uns longínquos anos, quando eu própria estava apática e morta para a vida em mim. Tempos difíceis que ficam nesse passado. A voz de Chester foi um dos muitos abanões para acordar dessa dormência em que me encontrava. Aquela voz poderosa que extravasava os seus demónios e me ajudava a expulsar os meus. Criei nesse período uma ligação com os LinkinPark que sempre me acompanhou. As músicas que me libertavam. O som poderoso das palavras que gritavam dentro de mim. A emoção. A sinceridade de quem não se esconde.
Felizmente ainda tive a oportunidade de os ver em concerto e recordar a voz que me fugiu no entoar das músicas. Uma tão boa recordação. Uma memória que não se voltará a repetir.
Chester ajudou-nos a libertar na música os medos, os fantasmas, a encontrar a força para os enfrentar, mas ele próprio não os conseguiu enfrentar e desistiu. Mas deixou essa força nas músicas que ficarão eternamente a tocar em nós.
Descansa em paz onde os teus demónios não te atormentem.
Até um dia, Chester.
