Sábado, 27 de Abril de 2019

Carlos Ruiz Zafón "O Palácio da Meia-Noite"

E assim que estava a fechar “O Príncipe da Neblina” já “O Palácio da Meia-Noite” dançava na prateleira. Inicialmente achava que esta história seria continuação da outra (por isso quis comprar a Trilogia completa assim num ápice). No entanto, embora continue a ser um livro de personagens jovens, a história acontece num outro país, num outro ano que nada se liga com o anterior livro.

Muito no embalo de “O Príncipe da Neblina”, também “O Palácio da Meia-Noite” segue a linha do imaginário num misto de aventura, terror e o fantástico.

Esta história acontece no coração de Calcutá que esconde um obscuro mistério.

Um comboio em chamas atravessa a cidade. Um espectro de fogo semeia o terror nas sombras da noite. Mas isso não é mais do que o princípio. Numa noite obscura, um tenente inglês, Peake, luta para salvar a vida a dois bebés de uma ameaça impensável. Apesar das insuportáveis chuvas da monção e do terror que o assedia a cada esquina, o jovem britânico consegue pô-los a salvo, mas que preço irá pagar? A perda da sua vida.

Anos mais tarde, na véspera de fazer dezasseis anos, Ben, Sheere e os amigos Ian, Isobel, Michael, Siraj, Roshan e Seth terão de enfrentar o mais terrível e mortífero mistério da história da cidade dos palácios.

Por ser ainda uma das primeiras incursões de Zafón na escrita, notam-se algumas arestas para limar. Muita fantasia que precisa de ser mais bem entranhada na história para se tornar muito mais real. Real no sentido de o leitor sentir que faz sentido.  O enredo por vezes torna-se um pouco confuso e que merecia mais explicações. Por exemplo, a história do vilão Jawahal e de porquê se ter tornado assim é muito incipiente.

As qualidades dos amigos de Ben poderiam ser postas em prática e não ficarem apenas e quase sempre pela descrição.

Outro aspeto a melhorar seria a relação de Peake com os pais de Ben e Sheere e também com o vilão. Algo que vem do passado e que o leitor não consegue compreender na conversa com Aryami, a avó de Ben e Sheere. Mas Zafón apreendeu com estas pontas soltas a bailar no livro! Oh se aprendeu!

Fiquei um pouco triste no final e de coração apertado porque lá fundo não queria ver aquela amizade a esfumar-se no ar sem razão. Mas é a vida. E a vida é assim. Nesse aspeto Zafón foi “cruel” porque podia tê-los deixado ficar unidos nas páginas que já não lemos. Pela solidão do orfanato em que viveram até aos 16 anos, mereciam um pouco mais de alegria na vida que se seguia àquela terrível noite.

Um livro em que já é notório o talento, a beleza, a profundidade e a melodia nas palavras de Zafón. E também a sua paixão pelo sombrio. Mas onde sentimos falta da sua enevoada Barcelona.

Mas a boa notícia é que Zafón praticou tão bem as suas falhas que se tornou aquele escritor mais que perfeito. Tão perfeito que hoje a sua escrita é viciante e hipnotizante. Só assim se tornou porque não teve medo de começar!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:11

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