Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

#opinião# Carlos Ruiz Zafón "O Prisioneiro do Céu"

Ao contrário de “O Jogo do Anjo” cuja leitura se prolongou no prolongamento das férias, arrastando-se pacientemente pelos dias, com “O Prisioneiro do Céu” foi totalmente o oposto. Assim que reencontrei Daniel Sempere e Fermín Torres (para mim a personagem mais bem conseguida de toda a saga de O Cemitério dos Livros Esquecidos) já não mais consegui largar a sua companhia e foi num sopro de fôlego que literalmente devorei esta história. Depois de “A Sombra do Vento” tudo parecia de uma calma que lhes sorria, mas uma misteriosa personagem aparece na livraria e guarda em si um terrível segredo com duas décadas. Por esse motivo e numa sinfonia alternada entre passado e presente, sabemos da história de vida de Fermín que esteve preso e se cruzou com Daniel Martín (de “O Jogo do Anjo”). Sofremos com o sofrimento de Fermín. Conhecemos a sua coragem e a audácia que mesmo com todas as adversidades manteve sempre aquele modo ser tão seu característico e que me cativa de forma tão profunda. No meio de todo este contar do passado, surge a dúvida da causa da morte de Isabella, a mãe de Daniel. E será que afinal Daniel Martín morreu?

Adorei este livro pelo cruzar e entrosar das várias personagens desta saga, numa magnífica e sincronizada melodia de palavras que o autor escreve num ritmo tão poético que embala a leitura.

Com a dúvida que paira no final do livro, com a determinação de Daniel em saber o que aconteceu à sua mãe, acho que muito em breve se seguirá a leitura de “O Labirinto dos Espíritos”.

Um livro que muito recomendo e que numa tarde se lê sem sequer haver tempo para tirar os olhos das suas páginas. A escrita tão própria de Zafón numa aura magica.

Para mim o único defeito deste livro é ser demasiado curto para o elevado nível de enfeitiçamento que nos provoca. Leiam e vejam se não tenho razão?

22729023_10155198691233565_1689018017370754862_n.j