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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Conversas silenciosas

Continuam as nossas conversas silenciosas de final de tarde. Qualquer que seja esse dia da semana. Seja verão ou inverno. Agosto ou dezembro. Conversas sem feriados ou fins-de-semana. Conversa de almas que se entendem. De sorrisos escondidos. Conversas de olhares cruzados.

Escrevo-te para que mais tarde me possas ler. Olhas. Sim, é para ti que escrevo. Repito as conversas que se perdem no meio das vozes à nossa volta. Para não esquecer o que dizemos um ao outro. Escrevo-te o que sinto ali, naquele momento. Para quando a noite for a nossa distância te possas sentar e ler estas palavras. E pensares, se serão para ti, dizendo-te o teu coração que são. Sem falarmos. No silêncio.

Mas continuamos as nossas conversas silenciosas nos dias seguintes. Conversas de minutos. Que se prolongam para lá de um até amanhã. Porque as almas errantes deambulam no silêncio dos nossos lábios e nos sussurros do coração.

E continuo a escrever-te. A escrever-me. As tuas conversas silenciosas que me inspiram.

Um dia talvez deixemos este medo de lado e os nossos corpos possam conversar. Tornar reais as palavras. Talvez um dia possa chegar tão perto de ti e sussurrares o que dizes à minha alma. Sem barreiras. Um caminhar livre.

Já nada tenho a perder se me abeirar de ti. Falar. Sem fingir o que não és. Porque me perdi de mim naquela tarde em que silenciosamente conversamos pela primeira vez.

Apenas poderia cair nesse abismo que me rodeia e no qual escorrego passo a passo cada vez que te vejo, sem me poder agarrar a ti. Até chegar o dia em que cair totalmente no abismo sem poder voltar a sair dele. Do abismo do teu nome.

Mas as nossas conversas silenciosas serão imortais. O nosso eterno segredar.

 

Imagem : Internet

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