Segunda-feira, 1 de Julho de 2019

Deixar-te ir!

Hoje deixei-te ir. Fui sentir a dor que era deixar-te ir. Um fim de tarde sem ti. Estares ali. E eu deixar-te ir nesse relógio. Os longos minutos a decidir. Fui saber se doía. E agora horas depois, a alma dói nas mãos que te escrevem.
Talvez seja altura de te deixar ir de mim. De nos deixarmos ir um do outro. De as nossas almas se largarem uma da outra. Sem fingir que nunca me cruzaste o coração. Porque vives aqui dentro. E sempre viverás. Não posso é dizer o teu nome!
Os teus fins de tarde devolveram-me a vida. As longas horas de frio que nunca me constiparam. A chuva no caminho mais longo de regresso a casa que nunca me espirrou o nariz. Saltar nas poças na alegria de me sentir renascer. Como guardarei cada loucura dessas. Aprender a sentir o tempo. Os minutos que para te ver nunca foram minutos perdidos. Eram o meu alento para dedilhar no sonho nas altas horas da noite. Cresci tanto nestes nossos fins de tarde. Quando o cansaço chegava aos outros eu acordava para viver. E agora vivo.
Nos últimos dias sorriram-me. Tanto e tantas vezes. Docemente. Nunca tinha visto sorrisos assim. Mas esses sorrisos estavam ali. Eu não os via. E agora vejo-os porque me ensinaste a sorrir. Porque foste aquele com esse sorriso que me sorriu o rosto. Hoje sei sorrir porque sem saberes ensinaste-me a dar os primeiros passos nesta lição que é saber sorrir. Não é fácil. Tem altos e baixos. Mas aprender a sorrir é tão bom!
Gostava mesmo que fosses aquele o tal, que me abraça. Que me beija. Que me adormece a noite. Que me acorda as manhãs. Que brinca e limpa as lágrimas. A sério que queria que fosses tu. O que me treme os joelhos. Porque gosto mesmo de ti. Mas a vida teima em sussurrar-me que não. Não sei o hoje, e muito menos saberei o amanhã. Saberemos lá nós se um dia riremos destes devaneios ou se nunca mais cruzaremos os nossos olhos. Preferia tanto rir que nem uma louca. A loucura saudável de amar.
Eu estou aqui. De coração sem barreiras porque destruíste-me os muros de arame farpado que me sangravam os sentidos. Se um outro vier e eu amar, terás sido tu que me deixou a vontade de amar. Saber amar. Ser-te-ei eternamente grata se um dia amar.
Serás sempre aquele rapaz de olhos mel-outono que me renasceu. Aquele que me reencontrou para eu descobrir quem sou.Os únicos olhos mel-outono. Nenhum outro olhar será assim chamado.
Serás sempre especial, o mais especial, mas hoje tive de te deixar ir.
Amanhã …..amanhã não sabemos o que será!
 
Imagem : Internet

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:32

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