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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Demónios

Salva-me dos teus demónios que me atormentam. Que me tornam insana. Leva-os para longe de mim. E de ti. De nós. Para um lugar sem retorno. Onde não nos possam ver. Que ceguem.

Salva-me desses teus demónios que vivem em mim. Que ficaram colados às minhas memórias. Que me circundam. Que não me deixam fugir. Que me torturam cada vez que te vejo. Que me fazem arder de dor.

Salva-me destes demónios. Salva-me deste penhasco emocional.

Estes demónios, o que resta de um amor destruído. Que a vida assassinou. Demónios que o tempo não enterra. Que não deixam o amor voltar a conversar.

Os demónios que vão e voltam cada vez que nos reencontramos nas diferentes estradas da vida. Aniquilados, cada um no lado oposto dessa estrada. Os demónios que não nos deixam atravessar para o outro lado sem sermos atropelados pelas rodas de um furioso destino que circula apressado. Que continua silenciosamente a destruir-me. Sem poder renascer. Sem podermos reconstruir aquilo que deixamos lá atrás.

Salva-me do teu fantasma que me persegue. Que me visita nas sombrias noites de desolação. Que se senta na minha cama. Que sussurra o teu silêncio. Que traz consigo a tua alma. Sinto-te. Olho para ti. Vais embora. Fica apenas o fantasma de ti. Leva-o para longe de mim. Abandona-o no passado que ficou espalhado nos nossos destroços. Vem apenas tu para o presente.  

Não te culpo por esses teus demónios soltos que me consomem. Não posso culpar os nossos corpos que agora vestimos pela distância de um toque. Não te posso culpar pela mágoa das nossas almas. Pelas reminiscências de ti que trago agarradas a mim.

São os demónios de uma vida que viajam connosco. Que não nos largam.

Até ao dia em que tivermos coragem para os enfrentar.

 

Imagem : Internet

vincent-chin-325799-unsplash.jpg

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