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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Dia 55 de confinamento e Sintra estava triste

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Dia 55 de confinamento. Uma visita rápida a Sintra para não estar ilegal sem cartão de cidadão. Nos compassos de espera, uns passos rápidos até uma vila desprovida de vida. Algumas pessoas a vaguear como eu. Poucas, que os dedos contavam.
Tudo fechado. Nem a icónica Periquita estava aberta para um simples take away. Até os travesseiros e as queijadas estão num recolhimento imposto. Sem nos poder adoçar por uns breves momentos para esquecer a amargura deste período que atravessamos.
Enquanto caminhava, a minha alma ficava a cada passo numa profunda desolação. Um silêncio quase cadavérico à minha volta. Sem ter de me desviar para um simples foto porque o espaço era todo meu. Até a vontade de uma fotografia me abandona.
Uma vila que era de um amor estonteante. Que brilhava aos nossos olhos, estava de céu encoberto de uma profunda tristeza. Um pesar que senti dentro de mim e quis regressar. Sair dali como nunca tal tinha acontecido. O coração estava tão apertado de tanto ouvir a solidão da vila a gritar em desespero. Tal como todos aqueles negócios que aguardam por dias mais radiosos.
As estradas sem carros ou autocarros. Tirando a zona da Portela, por onde os meus olhos passaram só viram vazio. E vim de coração oco.
A primavera está a chegar às árvores que florescem. Tão bonitas. Sem ninguém para conversar com elas. Os pássaros voam com a melodia nas suas asas. Mas nem a harmonia das suas vozes aconchegam uma vila em agonia.
Uma vila de Sintra de uma beleza extraordinária que hoje me pareceu um daqueles cenários melancólico sem vida para agarrar. Sem aquele seu amor que nos oferecia.
Que venham, em breve, dias de alegria para que a vila possa renascer com ainda mais magia.

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