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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Dia 56 de confinamento e as minhas manhãs

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Podemos já ir no dia 56 de um segundo confinamento, mas as minhas manhãs são assim há centenas de dias. Desde que fomos obrigados a mudar de rotinas e comportamentos. Desde que tantos se nós tiveram no teletrabalho uma nova realidade. Quando a esplanada matinal ficou em suspenso. Quando as voltas ficaram restritas ao meu quarteirão.
Nesse março de 2020, as minhas manhãs passaram a ser diferentes. Tive de me adaptar. Sem me queixar. Aprender novos passos e descobrir novos hábitos. Num fluir sem pressões.
As manhãs ganharam a cor das árvores e das flores por aí espalhadas à beira estrada. Alguns minutos de caminhada matutina. De vez em quando parar com o rosto em direcção ao sol a receber toda a sua energia de fogo e coragem.
Olhar os malmequeres a florescer na primavera que se começa a enraízar. A perfeição num simples pedaço de terra abandonada.
A herança nocturna das pequenas gotas da geada nas folhas que desenham uma mestria que só a natureza sabe esboçar.
Absorver as músicas dos melros pendurados nos ramos das árvores, tão sincronizados com o bater do nosso coração.
As manhãs passaram a ser diferentes. Foi preciso encontrar a gratidão nestas pequenas coisas para resistir e não quebrar.

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