Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Doer-me o tempo!

Há um tempo que começa a doer-me. A doer-me em quem eu sou. A minha essência que se quebra no relógio que corre por mim e não me deixa apanhar o comboio disso a quem um dia escreveu que era amor. A estrada disto que sinto por ti e que talvez nunca perceba como pode ser tão avassalador. Às vezes o corpo dobra-se no sufocar deste sentimento que às vezes lateja em dor. Há uma dor tão minha nos meus dias e o tempo foge-me. Foge com a esperança. E como dói vê-los ir no seu caminho sem mim. Deixam-me aqui sozinha. Sem horizonte de sorrisos. Lágrimas que não vês. Não és só tu que escondes os olhos teus. Também os escondo de ti. Numa fraqueza que me devasta. Há um tempo que me fere ao olhar-te. Que me sangra esta ferida que nasceu comigo. E como agora acordou de um sono adormecido. Com uma força que é terramoto para os sentidos. Que me desmaia as emoções. A ferida que dói na solidão do tempo que me acorrenta a esperança. O ventre que seca a vida. Há um tempo que me faz doer. Uma tristeza que me desampara o coração. Estar perdida à procura de ti num outro reencontro. Um reencontro de beijos. Sem saudades. Existes tu. E gosto de ti. Neste tempo que me faz doer. Que me treme as palavras. Se ao menos pudesses abraçar-me o tempo. Talvez o tempo me doesse menos. Imagem : Internet

IMG_20191115_222115_048.jpg