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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Era noite em Tomar!

Era noite em Tomar. De um outono que convidou a chuva para uma visita. Uma cidade refletida nas águas quase secas do Rio Nabão. As luzes nos contornos do Convento de Cristo que iluminam os caminhos. Que desbravam sonhos. Que nos acordam de apatias.
Era noite em Tomar. Uma cidade que me aprisionava os sentidos. Que me encurralava a alegria. Que me sufocava a vida. O meu corpo físico ali. Porque tinha de estar ali. Um corpo ausente de mente. Uma ausência de alma que voou dali até às saudades de ti.
Não que te fosse ver nesse meu dia de regresso tardio ao descanso. Mas largei-me dali para fora. Pensar nos teus olhos. Ir às memórias tuas e ser capaz de sorrir. Porque a tristeza de uma prisão dói. E doía tanto. Pensar em ti suavizou as correntes que me prendiam os pés. Fizeste-me ter tantas certezas. Enclausuras reveladoras de mim. Talvez a prisão me liberte das amarras que me esfaqueiam os dias.
Era noite em Tomar. Não importa a distância dos quilómetros porque aquelas luzes eram as luzes que iluminam o teu rosto quando o sol se deita e os teus olhos se despem. Ver-te nas memórias minhas mantém-me viva ali. Porque tinha de sair dali de coração ainda a bater esperança.
Era noite em Tomar. Dormi-te nos meus sonhos. E tranquilizaste-me o sentir.

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