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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Estou triste. Não tem mal. É mesmo assim!

 

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Hoje acordei com uma lágrima a correr suavemente o meu rosto. Uma lágrima por ti. Por te ter sonhado na noite que passou. Não te senti bem. Não sei se é o medo de não saber se estás bem. Ou se apenas estás de coração cansado como eu. Por mais resistentes que possamos ser, às vezes quebramos. Choramos. Mas não tem mal. É mesmo assim.
Sonhei esse teu rosto tão perto do meu. O teu respirar. A tua energia encostada a mim. Lembrei-me desses tempos idos em que os meus joelhos tremiam nos teus olhos. Agora a incerteza se alguma vez te voltarei a ver. Se vou voltar a tremer nessa tranquilidade que era olhar para ti. Se vou ansiar pelos fins de tarde. Para por entre atalhos o meu coração se sentar perdidamente em êxtase a olhar-te. Esses instantes ensinaram-me tanto de quem eu sou. Fizeste-me crescer tanto.
Não sei que conversa é esta que o universo está a ter comigo. Se é tempo de te deixar ir. Ou se é apenas um teste de resiliência a isto que senti e que agora nem sei o que é. Tantas vezes que achei que era tempo de irmos um do outro. E se calhar é agora. Ou talvez não. Não sei. O universo não me diz. Mas se é tempo de as nossas almas se largarem porque me vieste visitar no sonho meu? Sim, as nossas almas têm uma ligação que os nossos corpos nunca o terão. Elas falam-se no nosso mais profundo silêncio. Para as nossas almas não há distância. Vieste dizer-me que ainda te lembras de mim. Que não me esqueceste? Onde quer que estejamos as nossas memórias não se perderam. Ou ouviste toda a história que tens em ti e te lembraste do que já fomos? Naquela tarde em que te reencontrei perdoei-me e voltei a dormir em paz. De mim só terás amor. Nunca nada mais.
Às vezes disfarço os dias com outros pensamentos. Mas quando me bates à porta do coração, recordo-te. Todos os momentos que guardei no livro com o teu nome. Nesse momento choro. De saudades. De medo. Os meus sentidos doem-me em casa. Asfixio. Relembras-me da minha ferida como sempre o fizeste. Vens fazê-lo porque preciso de continuar forte. Vulnerável nestas palavras sinceras. Porque este texto sou eu, como hoje acordei. A pensar em ti. Lágrimas de saudades. E como sempre me obrigas a enfrentar-me de frente. Essa lição ficará para sempre em mim. Tornei-me na minha maior prioridade. Ia fazer as minhas coisas. Os meus sonhos. Tantas as vezes que as horas se multiplicavam só para te ver. Não me arrependo de cada troca de agenda que fiz por ti.
Estou a escrever e vejo momentos teus nos meus olhos neste instante.
O meu ar aperta-se em saudades. O coração em ferida. A alma vergada. A tristeza nos meus passos.
Vou deixar-me ficar assim hoje. Vou permitir-me estar triste. Mas não tem mal. É mesmo assim.

Imagem : Internet