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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Hoje fiz aquele caminho teu!

Hoje fiz aquele caminho. Que tantas vezes percorro para te ver. Escrever a estrada daquela tragédia que habita a alma que te ama. Senti falta da caneta que és para as minhas palavras. 
Hoje fiz aquele caminho. Sem ti. O silêncio dos carros era tão tenebroso que rasgava os ouvidos. Senti falta do teu silêncio. Das nossas conversas de medos e recuos. 
Hoje fiz aquele caminho. No fim de tarde. Ainda com sol a descer as escadas do horizonte. Sem aquela escuridão de outros tantos fins de tarde. Senti falta do teu olhar mel-outono que ilumina o negro dos dias. Que acalenta a alma em sorrisos futuros.
Hoje fiz aquele caminho. Outros rostos. Nenhum tão bonito como o teu. Senti falta de um vislumbre da perfeição que esse rosto teu é na imperfeição das rugas que tornam belo no reflexo da vida que és. 
Hoje fiz aquele caminho.
O caminho cheirava a vazio. O vazio também tem cheiro. O teu cheiro. 
Porque não estavas algures nesse caminho apenas para te ver. O caminho cheirava à tua solidão. 
Hoje fiz aquele caminho. Senti saudades tuas. Hoje fiz aquele caminho. Sem ti. Mas nunca me esqueço de ti. E às vezes também acho que não te esqueces de mim e daqueles nossos caminhos. 

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