Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

José Rodrigues dos Santos "As Flores de Lótus"

Confesso que me sinto um pouco dividida em relação a este primeiro livro da trilogia “Lotus”. Não posso dizer que odiei mas também não posso referir que adorei. É um sentimento antagónico do sentir o livro. Em “As Flores de Lótus” temos quatro histórias. Quatro famílias. Quatro destinos. Numa visível semelhança com a trilogia “O Século” de Ken Follett. O século XX nasce, e com ele brotam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias. O autor conduz-nos numa excursão de acontecimentos que marcaram as sociedades portuguesa, soviética, chinesa e japonesa e em que nos cruzamos com personalidades históricas como Salazar e Mao Tsé Tung numa viagem arrebatadora que nos leva de Lisboa a Tóquio, de Irkutsk a Changsha, do comunismo ao fascismo.

Se por um lado “As Flores de Lótus” me seduziu pelo contexto histórico, porque sou uma apreciadora confessa da história do nosso planeta, da nossa sociedade, do nosso mundo. Por outro lado, não tenho receio de reconhecer que muitos dos diálogos entre personagens sobre os vários momentos histórico-políticos se tornaram demasiados enfadonhos. Parecia mais um jorrar desmedido de história e claro de política. Diálogos forçados e pouco naturais que me desiludiram bastante.

Artur, Fukui, Lian-Hua e Nadezhda são quatro jovens que nascem no início do século XX e que nos acompanharão neste passear pela história da humidade e pelas suas próprias histórias. Quatro vidas bem distintas, em locais distantes e a viverem problemas semelhantes entre si. E volto a confessar, afeiçoei-me de uma forma poderosa a algumas personagens, especialmente Fukui. Por estes quatro jovens muitas vezes mal conseguia parar de ler pois a curiosidade era demasiado poderosa para ser contrariada.

Podemos resumir um pouco a essência deste romance. Depois de assistir à queda da monarquia, Artur vê as esperanças da República afundarem-se num caos de instabilidade. Recebe uma missão, convencer Salazar a tornar-se ministro das finanças e equilibrar as contas públicas.
Do Japão chega o frágil rapaz Satake Fukui, que questiona as tradições do Japão ancestral e se mostra muito curioso com o que o ocidente lhe traz através dos livros que lê praticamente na clandestinidade clandestinamente.

A Lian-hua, a nossa chinesa, nasce com olhos azuis, os mesmos que veem a China arrastada para um choque titânico entre os nacionalistas e os comunistas. Apanhada no fogo cruzado, é raptada por um radical comunista, o jovem Mao Tsé Tung.
Os bolcheviques acabam de conquistar a Sibéria e batem à porta da pequena quinta dos Skuratov. Estaline iniciou as coletivizações e Nadezhda e a família são lançados num ciclo de medo, fome e sofrimento.

Um livro que tinha todos os ingredientes para ficar no meu top de livros mas que não ficará por razões acima já mencionadas e pelo seu final.

Um livro com final abrupto e um pouco sem sentido. Um corte assim repentino no correr das páginas. Súbito sem nos deixar uma pista. Sem uma frase de continuação. Um quase rasgar das últimas páginas em que o leitor as procura e não encontra.

Muitas vezes já me sinto cansada da escrita de José Rodrigues dos Santos mas pelo carinho que ganhei às personagens especialmente a Fukui e Artur, “O Pavilhão Púpura” já está aqui ao meu lado a acenar-me e a convidar-me para a próxima leitura na esperança de uma substancial redução de páginas e páginas fastidiosas de diálogos históricos sem atrativos.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:55

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