Sexta-feira, 9 de Março de 2018

José Rodrigues dos Santos "O Pavilhão Púpura"

Chove torrencialmente e apenas uma janela me separa dessa chuva. Mas sinto as lágrimas a quererem derramar no meu rosto enquanto leio as últimas páginas de “O Pavilhão Púrpura” com o tormento de Nadezhda, uma das quatro personagens (Artur, Fukui, Lian-hua e Nadezhda) que esta trilogia retrata.

Nova Iorque, 1929. O colapso da bolsa e crise mundial.

Em Portugal, Salazar é o ministro das Finanças e a forma como contorna a crise dá-lhe algum sucesso, tornando-o Presidente do Ministério. Conta com a ajuda de Artur, para tentar cimentar ainda mais o regime ditatorial em que o país começava a mergulhar. Reconheço que os diálogos com Salazar são peculiares e me fazem conhecer um pouco melhor esta personalidade que só conheço dos livros e da história.

O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.

Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria. É com Lian-hua que nos vamos aperceber da teoria da eugenia (superioridade da raça) que começava a grassar pelo mundo e que em breve irá dizimar milhões de vidas.

A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.

Este é o pequeno resumo que dá o mote para este livro.

Pouco ou nada tenho a acrescentar que não tenha referido na minha opinião ao primeiro volume.

A história é interessante, pela intensidade do período histórico criamos laços emocionais com as nossas personagens. Confesso que neste livro, afeiçoei-me a Nadezhda pelo seu sofrimento, coragem e força.

Mas os diálogos com referências histórico-políticas continuam a ser demasiado saturantes. Sou apreciadora da história mundial, mas páginas e páginas de história que sinto que estão a ser simplesmente despejadas pior que matéria na escola, tiram muito do apelo pela leitura deste livro. E por isso ficamos indecisos sobre se recomendamos ou não este livro. Por um lado as personagens são cativantes, mas por outro lado temos um livro que em parte se torna maçador.

Tenho curiosidade em ler o último livro desta trilogia “O Reino do Meio” para saber como estas quatro personagens, que fazem parte dos meus dias dos últimos dois meses, a quem já chamo de amigos, se vão cruzar no caminho da vida. Apenas por isso. Para saber como Nadezhda reagiu à dura prova de vida a que foi submetida.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 21:21

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