Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

Katherine Neville "O Oito"

Olho para o relógio. Passa da meia-noite e amanhã é dia de trabalho. No silêncio da noite só ouço as últimas palavras deste livro “O Oito” de Katherine Neville que me envolveu desde o seu início.

Confesso que tive o livro guardado por mais de um ano e a vontade de o ler não era assim muita. Mas um ano sem o devolver ao dono já me parecia má edução, por isso um dia de manhã lá fui buscá-lo para me acompanhar nas minhas leituras matinais.

Quando folhei as primeiras páginas senti mais um entrave à sua leitura no momento em que me apercebi que a história se refere a um jogo de xadrez, jogo do qual pouco ou mesmo nada sei. Tinha as minhas dúvidas se iria assimilar as muitas analogias que se anteviam entre a realidade e um jogo de xadrez.

Corajosa lá comecei a desbravar as primeiras folhas. A história é uma alternância de épocas entre o auge da Revolução Francesa no século XVIII à década de 70 em Nova Iorque, em torno do Xadrez de Montglane, escondido durante mais de mil anos e desenterrado na Abadia de Montglane, nos Pirenéus, que pertenceu ao monarca Carlos Magno e cujas peças escondem um terrível segredo que no final iremos descobrimos qual é, mas que aqui não revelo.

Por ser considerado um perigo e para evitar que o xadrez fosse reunido novamente, a Abadessa de Montglane distribui as peças e o tabuleiro entre as freiras e duas noviças, Mireille e Valentine, personagens principais de uma das histórias paralelas do livro, França de 1790, para que as espalhassem pelo mundo, de um modo que nunca fossem reunidas outra vez. Entretanto, a Abadessa, acidentalmente, manda as duas noviças em direção ao bispo de Autun, homem que criou a Lei do Confisco e que estava interessado no Xadrez e na sua fórmula, forçando as duas noviças a enfrentaram inúmeras dificuldades para proteger o xadrez. No caminhar da história, com esta personagem vamos ter para mim, o que considero uma agradável surpresa.

Nos anos 70 nos EUA Catherine, uma informática. Todas acabam, cada uma à sua maneira, por se envolverem diretamente com o Xadrez, as primeiras para salvaguarda-lo. Catherine, para se proteger e resolver a onda de mistério que a cerca desde que tomou conhecimento do jogo e de uma suposta predestinação. Onde conhece o jogador Alexandre Solarin, uma personagem misteriosa e que nos seduz nesse mistério.

Nesta época retratada pelo livro é tão curioso ver as personagens interagirem sem a tecnologia e o digital dos nossos dias. Tão curioso relembrar a dificuldade de contacto em tantas situações.

Durante este jogo de xadrez vamos cruzar-nos com personagens históricas como a Rainha Catarina da Rússia, o General Napoleão que aqui conhecemos ainda bem jovem, Robespierre ou Rousseau. Uma miscelânea entre personagens reais e fictícias que nos dificultam a distinção entre o real e o imaginário.

Temos também o simpático Carioca, o cãozinho da amiga de Catherine, Lily Rad, uma exímia jogadora de xadrez, que acaba por ser um desanuviar cómico muitos momentos de tensão com estas personagens e que são bastantes.

No eterno duelo entre as Brancas e as Pretas, viajei por entre séculos e lugares com as nossas heroínas até à Argélia, local fulcral da história deste xadrez, para descobrir que se encontram num jogo em que cada jogador é uma peça de xadrez que realiza as melhores jogadas para atingir seus objetivos. Um jogo que é real e que tem as suas consequências reais.

Um romance de ação, suspense e mistério, no qual cada reviravolta é uma jogada de mestre. No final vamos ver como as duas épocas se entrelaçam entre si num final surpreendente e que me deixou a pensar se teria lido aquilo ou se teria sido o cansaço do sono que tinha vencido. Na manhã seguinte confirmei que realmente tinha sido aquele desfecho inesperado com a revelação do segredo do xadrez. Inacreditável!

Uma história original que nos cativa. Embora muitas vezes a sua compreensão não é simples, o que nos obriga a ler com a paciência de um jogador de xadrez.  

Há que encarar como um jogo de xadrez que estamos a aprender. Momentos de cortar a respiração. Páginas para aprender um pouco mais sobre história. Um jogo de palavras para jogar.

Um livro que nos agarra nas suas brilhantes jogadas.

Enquanto escrevo estas palavras, a sequência desta história já me pisca o olho. Numa das próximas manhãs, “O Fogo” será a minha próxima companhia.

Xeque-Mate!

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:23

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