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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Não te amo!

Não te amo pelo teu rosto. Um rosto que não conheço. Um rosto que tantas vezes o sinto desfocado em mim. Mas do qual já decorei tantos traços desenhados, tantas rugas que espreitam e tantos cabelos brancos que o tempo já pintou.
Não te amo porque és bonito. Às vezes não és o mais bonito de todos. Mas a minha alma ama a beleza que tens abrigada dentro de ti. O belo de ti que ofusca e nada mais me deixa vislumbrar.
Não te amo no desejo que sentimos. Aquele desejo silencioso que faz eco em nós. Gritos mudos. Que ninguém ouve. Só tu e eu.
Amo-te no amor que o teu olhar tenta esconder quando duas almas se reconhecem no imediato de um reencontro inesperado.
Amo-te nas memórias que renascem de um sono adormecido. Acordar e lembrar-me do toque do teu amor. Não posso amar-te na distância que nos separa. Que faz doer. A dor que me esventra de sonhos que se esvaziam de mim no vazio que fica de mim sem ti. Um espectro de corpo que serei sem o arrepio dos teus braços.
Mas amo-te pelas palavras que escreves no caderno que sempre me acompanha e me ajudam a encontrar o mapa do meu caminho a que chamo vida.
 
Imagem : Internet

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