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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O negro que pintou um país

Devastada. Desolada. Destroçada. É assim que me sinto ao ouvir as notícias sem fim que se repetem na sua infinita tragédia que assolou populações deste país que o amanhecer pintou de negro. Um negro de um luto que dificilmente será esquecido, uma noite e uma cidade que serão recordados enquanto a memória viver. Cidades que tão poucos conheciam mas que todos passamos a conhecer e que preferíamos que continuasse na nossa ignorância.

Vejo o sofrimento de quem perdeu uma vida de trabalho nos seus bens que arderam neste fogo cruel e de quem perdeu a vida sem uma oportunidade de dizer quero continuar a viver. Histórias que se multiplicam e muitas mais ainda serão multiplicadas nesta tragédia ainda sem rostos. Homens, mulheres e crianças cercados por este fogo mortífero que não teve dó nem piedade de os consumir e nos consumir a todos nós nas lágrimas que não consigo esconder ao ouvir relatos que não queria ouvir. Que aperto tão grande este que sinto na minha e nossa impotência de não ser possível acordar novamente e que tudo não passasse de um pesadelo. Mas é um pesadelo real, que nos toca, que nos arranha, que nos sufoca.

O dia de domingo nasceu no silêncio de um país incrédulo que não quer acreditar no número de vitimas que vai aumentando. Aumenta também a solidariedade para com estas pessoas.

É doloroso pensar como em minutos uma vida é aniquilada. O pouco que pudermos fazer, façamos.

O negro que pintou o país não será apagado, mas podemos salpica-lo de luz. Uma feixe mínimo de luz que estas pessoas tanto precisam para terem força para habitarem com o negro que pintou as suas vidas.

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