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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O oitavo dia de confinamento

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8h do oitavo dia de um confinamento que quem sabe juntos poderíamos ter evitado.
O silêncio dos alunos das escolas abateu-se sinistramente no jardim, caminho constante de passagem de vidas e alegrias.
O ruído das conversas de rapazes e raparigas que nos últimos tempos eram mais contidas desapareceu.
Os grupos de amizade que se criam e a força de os ver juntos evaporaram-se.
A corrida apressada ao café para comprar gomas antes do toque de entrada deu lugar à quietude.
A bola de futebol que está guardada no armário.
As máscaras nos rostos que não lhe roubavam as brincadeiras repousam na cabeceira.
Os carros que deixam de estar em segunda fila. O autocarro que não pára porque não traz a excursão de miúdos para a escola.
Sair na minha volta matinal sem ver alguns rostos que já me eram familiares. O jardim despojado de vida. Uma inexistência de movimento que nos treme os sentidos.
Tudo tão silencioso. Tudo tão adormecido.
Tudo em confinamento de rotinas.
Tudo tão à espera de novos dias frenéticos.
O jardim que aguarda sossegado por mais dias felizes.

 

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