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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O outro tu...

Inverno. Confusão em mim.
A lua cheia qual bola de luz no céu. O eclipse que sente na confusão a brilhar em mim.
O saturno, esse planeta tantas vezes chamado de senhor do karma que beija o plutão, esse planeta tão pequeno (na astrologia é planeta) mas tão intenso na sua vibração em nós. E a confusão na minha alma cresce.
Vagueio desorientada a conversar com o universo. Perguntas e mais perguntas. E continuo, assim, sem explicações.
Será que já me enlouqueceste e já te vejo nos outros rostos? Como posso ver outro rosto tão teu nos meus dias? O traço do teu sorriso. A barba sem os teus cabelos brancos que são cor da vida. Uma cópia desses teus olhos mel-outono. Mas sem as tuas rugas. As rugas que são a tua história. Aquelas que me falam de ti. Que me fazem recordar memórias tuas de um outro tempo. Almas nossas tão cheias de escrituras. Que refletem no espelho que somos um ao outro.
Esse outro parece tão tu. Mas não é. Falta-lhe tanto de ti. Falta-lhe a tua alma. O principal. Essa alma por quem a minha ferida e o meu coração se perderam de sentidos.
Olho o universo que te traz até mim. O teu sussurrar que me quebra e embala ao mesmo tempo. Os teus olhos mel-outono que são únicos e que mais ninguém terá. Onde às vezes leio tanto de ti e do tanto que às vezes escondes de ti mesmo. Nunca te escondas de ti mesmo. Permite-te sentir a essência que tens em ti.
Talvez o universo não precise de me responder. Talvez as suas coincidências sejam tão propositadas. Talvez precise de enlouquecer para ver com clareza. Talvez precise das dúvidas para ter certezas. Talvez precise de ver um outro que é tão tu para saber como tu és tão único, não fosse esse universo ter escrito nas estrelas este nosso reencontro silencioso. Mas um silêncio tão poderoso. Tão transformador.
Continua a ser inverno. O frio gela. A lua continua lá no sitio dela. O saturno e o plutão nem se vêem nessa conjunção que não passará despercebida.
Continuo sempre a conversar com o universo que me limpa as lágrimas.
A confusão ainda não se diluiu. Um processo lento.
Uma outra noite. Tu. E a minha alma fica ali deliciada a olhar para ti.
E talvez tenha ali a minha resposta à minha confusão. Nos teus olhos.

Imagem : Internet

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