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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O parque aos meus olhos

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Uma foto dos meus olhos naquelas fugas rápidas pelo parque quando os primeiros raios de sol dão sinal da sua chegada. Quando tantos ainda dormem e poucos trabalham. Quando agarramos um sorriso de alguém.
Não é uma foto de passeios pelos muitos paraísos que existem por aí. É a foto de um parque normal, do mais normal que pode haver. Um parque de passagens, de circuitos, de bancos interditados, de brincadeiras em suspenso. Um parque de árvores, terra e pássaros. De água e sombras. Como tantos outros por aí. Simplesmente mais um parque na Amadora.
É apenas o parque a 2 minutos da minha janela para onde, às vezes, fujo. Aqueles 5 minutos no meu silêncio. Sem barulhos e pessoas. Onde vou respirar vida e paz. Onde recupero forças e energia. Sozinha na companhia do meu coração.
É um parque por entre prédios e estradas, por isso, do mais trivial que se possa pensar. Um parque agora desabitado de conversas.
Fui aprendendo com o meu caminhar que depende de mim como quero ver o mundo que me envolve. Não, não vou romantizar esta crise que todos vivemos e que arranha cada um de nós. Reconhecer a sua crueldade implica uma força descomunal para a ultrapassar. E temos de encontrar algures essa força que nos habita.
Ao olhar para a beleza que um simples parque pode ter. Como pode ser encantado. Os pequenos detalhes. Procurar a luz. Ouvir o universo na natureza. Escrever momentos meus. Ao fazer isso continuo sempre a acreditar na esperança que a vida é.