Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O quintal da minha avó!

Era quase assim o cenário dos tempos da minha avó. Da quinta na serra plantada. O sol que obrigava as árvores a curvarem-se e fazerem reverência ao astro rei. O quente de sorrisos calorosos destas árvores sem medo desses incêndios que hoje queimam paraísos. Fica o inferno das cinzas. Que tempos despreocupados esses.
Tantas árvores que havia nessa quinta. Pinheiros altos. Horas de sestas ao abrigo dos seus troncos. A serenidade no som do cantar dos pássaros que nos embalavam os sonhos.
Assim era o galinheiro. Como o da foto. De galinhas livres. Sem grades. Que podiam correr a quinta voltando sempre à sua casa. A minha avó até as baptizava. Era especial a minha avó. Ainda o é no que me deixou dela.
Eram tempos felizes. De memórias mágicas. De me rebolar na terra e pintar-me de pó. Ainda de caracóis louros que ficavam assim cheios de madeixas castanhas. Ficava ali a conversar com os animais. Perdia o tempo das brincadeiras. Não havia telemóveis ou jogos. Corria ali sem paredes. Ainda recordo essa sensação de liberdade no corpo. A mesma liberdade que hoje quero que a minha alma sinta.
Olho este quadro. Não quero fechar os olhos. Vejo ali tanto da minha infância. Tanto da quinta. Tanto da minha avó.
Há ali uma tranquilidade que me abraça o peito. E é só isso que preciso de sentir.

82401615_10157070548878565_9163395421316317184_o.j