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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O talho em isolamento

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Na volta matinal das 8h antes de picar o ponto do teletrabalho, ao longe a rua parecia despida de qualquer coisa. O confinamento só começa amanhã, mas havia algo que não estava certo. Ao caminhar, as montras do talho estavam escuras, de cortinas corridas. Oco de pessoas. Um papel para clientes, conhecidos e transeuntes avisava que estavam em isolamento profilático e que nos próximos dias iriam estar encerrados.
Acontece tanto a tantas lojas do comércio, o isolamento tornou-se recorrente para todos nós. Já não é novidade. Não nos surpreende.
Aqui não importa se vende carne, peixe ou fruta. Não interessa se somos carnívoros, vegetarianos ou vegan. Não é isso que está em causa.
Mais do que ser um talho é, para todos os que por aqui moram, um símbolo de resistência ao vírus. Uma loja que nunca fechou nestes 10 meses de Covid. Que esteve sempre ali de portas abertas e que nos dizia que não podemos desistir. Há que lutar.
Não sou cliente regular do talho, mas nestes últimos 10 meses passei ali quase todos os dias no meu passeio matinal e havia ali luz de azáfamas.
Hoje a rua parecia mais vazia. Como se a nossa resistência tivesse sofrido um abalo.
Voltei a passar nessa rua durante o dia. Todos paravam e liam o papel. Sentiam a ausência do movimento lá dentro. O passeio sentia a inexistência de barulhos daquela loja.
Porque isto não é só sobre comprar carne. É sobre exemplo de resistência, persistência e força. E é isso que este talho tem sido em fase de Covid. Um símbolo de resistência que todos nós devemos ser.

Imagem : Internet