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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O teu olhar numa 2ªf de reinícios...

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A primeira segunda-feira do ano. O arranque de uma nova fase. Um reiniciar dos dias de trabalho. Um novo ano que me acolhe. Novos desafios para abraçar. De pés enraizados na terra para me deixar fluir na dança do universo, sem medos de desilusões. Sem ilusões. Mas de coração aberto para o que vier.
Para assinalar esse novo momento, ver-te nem que seja nessa fração de segundo de uma saída precária de portas e janelas. Para não me esquecer daquilo que ainda não sei, mas que me obrigas a descobrir em mim. Percebo do teu silêncio e do barulho da agitação nos meus joelhos que ainda tenho caminho a trilhar nesta viagem do nosso reencontro. Não compreendo. Nem quero. Tenho apenas de seguir e sentir. É isso que o universo me pede no teu rosto. E é o que eu faço.
No entanto, hoje, os teus olhos de amor pareciam de uma tristeza da qual a minha alma se ressentiu. Perdidos na curva das pedras da calçada. Sem rumo. Talvez os teus demónios te estejam a atormentar e os guardes nos teus silêncios forçados. Acho que há tanto de ti que não partilhas. Que deixas só para ti no teu coração. Podes voltar aos meus sonhos e lá conversamos o que nem um olá temos coragem de proferir nos olhos um do outro. Partilhamos demónios de outros tempos. Compreendemo-nos no silêncio mesmo que às vezes faça doer tanto.
És tão bonito nessas tuas rugas que te definem os olhos. Não deixes o teu olhar assim, triste e desamparado. Nem sempre estamos bem. Temos tanto direito nisso. Mesmo que existam por aí outros olhos que me amparem de quedas emocionais, os teus olhos são os mais especiais de todos. Aqueles que me trespassam a pele. Os que me são ferida e coragem. Há tanto de inexplicável no teu olhar. Por isso, observar-te de soslaio nessa espécie de melancolia, é algo que me aperta a alma. Desejo que sejas sempre o sol brilhante do meio-dia.
Não sei se os teus olhos refletiram os meus. Não sei se os meus olhos estarão também tristes neste novo reinício. Talvez os meus olhos também estejam por aí perdidos à espera de encontrar quem eu realmente sou e por onde verdadeiramente quero calcorrear a estrada da vida.
Talvez hoje o teu olhar me tenha dito tanto de mim.
 
Imagem : Internet

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