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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

O veneno dos teus olhos!

Podia começar este texto com aquela frase demasiado cliché “ os olhos são o espelho da alma”. Isso é pouco para ti. Para os teus olhos. Que são veneno para as veias do meu coração. A droga da minha alma. Isso sim, é dizer o que são os teus olhos para mim. Algo tenebrosamente intenso. Penetrante.

Os teus olhos são a porta de entrada para o meu abismo emocional. A minha casa. Onde me sinto bem. Onde me conheço. Onde descubro o meu caminho.

Esses olhos teus são puro veneno que se espalhou por quem sou. Desde aquela tarde nunca mais fui a mesma. Aos poucos afundei-me neste vício que é olhar para ti. E vivo em constante susto de não saber se no amanhã vou poder continuar a olhar para ti nos meus fins de tarde. Não sei o que farei nesse dia. Não quero pensar nisso. Porque pensar nesse instante é voltar a morrer. Preciso do veneno dos teus olhos para o meu sangue respirar e manter-se vivo.

Ver-te com óculos de sol é sentir a raiva subir pelas minhas entranhas. Chegar ali. Arrancar essa escuridão dos teus olhos. E olhar. Ficar ali a olhar para ti como uma viciada que me tornei.

Porque quando não vejo esses olhos teus, pareço uma ressacada a bater com a cabeça na esquina das ruas à tua procura. Para te ver. Consumir o veneno que emana dos teus olhos e me faz viver. Como hoje que sabia onde estava a minha droga. O teu olhar. E não fui lá viciar-me mais em ti. E agora, estou aqui, de banho frio tomado, para afugentar as alucinações das tuas saudades. Alienada a ouvir o uivar do vento e tremer na falta que me faz o teu olhar.

Mas quando olhas, tremo. Medo. Uma luta colossal entre o vício de olhar, de olhar-te. Querer chegar ali, tocar-te, despir-te, consumir-te qual viciada que sou. E saber que não posso. És proibido para mim. Por isso, desvio o olhar meu de ti para me controlar e não correr até ti. Nem imaginas como é tentar controlar-me. Um desespero que me enfraquece.

Pareço uma demente. Sim, às vezes a alma é louca pelo vício. Como esperar numa noite de sexta-feira, quando o frio arranha a pele e estou ali, parada 65 minutos à espera da minha dose do teu olhar. Irracional para satisfazer um minuto de vício a olhar para ti. Para depois ir embora. Se sorris, então a minha alma precisa de um colete-de-forças para não te trazer comigo, porque a dose do vício foi demasiado grande para apenas um ínfima fração de tic tac no relógio. E eu não aguento uma dose dessas sem fraquejar.

Foste tu que me envenenaste assim há demasiado tempo atrás. Antes de sermos quem somos hoje. Sou viciada em ti desde que a minha alma é quem é. Por isso quando olhamos um para outro pela primeira vez neste agora do tempo, voltei a ficar louca por ti. Reconhecer-te foi voltar a ser insanamente apaixonada por ti. Daquilo que parece o nada que não é. Este nosso vício de olhos é eterno. Alimentamo-nos deste veneno que somos um para o outro.

Os teus olhos.

Esses teus olhos mel-outono são meu veneno de vida.

Imagem : Internet

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