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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Olhar o mar!

Sabes, não te tenho escrito nestas minhas palavras. Nem aqui, nem naquele canto que tornei só teu. Foram horas de dias pintados de verde-azul, de árvores e mar. Desligar o interruptor da mente para outras realidades. Mas como consigo desligar de ti? Não me lembrar dos teus olhos mel-outono. Do teu sorriso sedutoramente obsceno. Tornou-se demasiado difícil não pensar em ti desde aquela tarde. A minha alma guia-se por ti. Seja rumo ao meu caminho ou ao abismo de não compreender porque sinto isto. O mar amigo meu diz-me para sentir como a brisa que baila nas ondas. Deixar ir, voar. Custa levantar voo. Sobretudo sem ti ao meu lado. Sem ti. Sozinha. Sem esperança no aconchego de um amor que nunca chegará.
Às vezes, confesso a este mar, tento não pensar em ti. Quando os meus passos acordam já estou lá, ali para te ver. E quando sei que estarás lá e os nossos relógios se desencontram, os joelhos tremem numa agonia lancinante. Tenho medo de não saber se amanhã te irei ver. É um aperto que sufoca. Por isso, o meu tempo é meu e teu. Um minuto que seja a olhar para ti é um minuto que a vida me ofereceu. Tenho colecionado vida para depois te recordar. Aqui junto ao mar. Contigo nas minhas memórias. Não quero mais memórias. Apenas a tua.
Sento-me a ver este mar, longe de tudo. De todos. Apenas eu e a solidão. Ali as duas, sentadas lado a lado. De costas porque a solidão tem vergonha. A solidão dói. A solidão chora. Olhamos para o horizonte e penso se algum dia a solidão partirá e te deixará a ti sentado ali. Sabes, acho que não. Que ficarei ali numa eternidade a envelhecer numa espera infinita. Ali sozinha. Eu e a solidão. Eu e o mar. A escrever-te no meu coração. A chorar lágrimas de sal. Aquelas que guardo quando te desvio os olhos de mim.
Choro para crescer. Já cresci. E continuo a chorar nos braços deste mar para crescer ainda mais. Para ser forte e não precisar de um abraço-casa para sentir que tudo vai correr bem. Porque a solidão é a minha casa onde vivo desde sempre. E agora com vista ao mar, para a solidão ser a minha tranquilidade.
Sabes, não escrevi um desejo meu para lançar ao vento e levar às estrelas. Escrevi o teu nome nas nuvens e sussurrei para seres sempre feliz nesse teu mundo de princesas encantadas. Eu fico bem junto ao meu amigo mar. Sossegada a ver-te ser feliz.
Sabes não te escrevi estes dias, mas não houve um minuto que a minha alma não te tenha escrito longas cartas para te sussurrar quando te visita nos teus sonhos.
Sabes, confesso ao mar, acho que me apaixonei pela tua alma.
E eu fico ali de olhos perdidos no mar à procura do mapa da minha vida.

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