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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Os sonhos da D. Rosa

A D. Rosa fazia sonhos. Sonhos feitos com aquele ingrediente tão especial chamado de carinho. A D. Rosa é a esposa do Sr. Costa, os donos do café infância da minha rua. Onde nos meus 6 anos devorava caracóis como quem se empaturra de chocolates. Eram os caracóis da D. Rosa temperados com afeto. Onde o Sr. Costa trazia das suas colmeias favos com mel e eu trincava no passeio até casa.
O Sr. Costa já se despediu há muito de nós. A D. Rosa há muito que se reformou e está no conforto do campo.
O café ainda existe. Sem os sonhos da D. Rosa. Aquele café não é o mesmo sem eles. Tantas memórias da infância que ali nasceram.
Todos os anos vejo sonhos industriais. Há muito que deixei de os comer. Sabem a um nada. Vazios de paixão.
Lembro-me dos sonhos da D. Rosa que amassava a massa com os seus braços e ficava ali na cozinha à espera da fritura.
Tantas vezes que os comi quentinhos que aqueciam o coração. Não percebia na altura como era tão bom aquele sentir.
Os sonhos da D. Rosa eram diferentes. Eram sonhos com sabor a amor. Tenho saudades de sonhos assim. Dos sonhos da D. Rosa.

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