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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Os teus olhos e o recolhimento

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Para este recolhimento obrigatório, de ruas onde o nevoeiro vagueia por entre os poucos pneus que circulam na estrada, trouxe os teus olhos. E nada mais bonito poderia trazer nas memórias de uma fração de liberdade matinal do que o teu olhar mel-outono. Até nestes dias invernais continuas de uma beleza imoral. O sol tem-te inveja e vai para outros lugares.
Fui ao encontro dos teus olhos. Eles encontram-me. E ficamos, os dois, ali a conversar no nosso silêncio que só nós ouvimos indiferentes aos outros. Um assédio que estes teus olhos são. Que me prenderam os sentidos. Que me deixam estonteada. Tudo desaparece, ficas só tu e os teus olhos a viajarem até ao meu coração. Para lá ficarem e depois o meu corpo caminhar para este recolhimento físico obrigatório. Um recolhimento de paredes, portas e janelas. Distâncias de matéria, jamais distâncias de amor.
Desde que a minha alma te reencontrou, há um recolhimento constante do meu eu, para estar comigo mesma. Falar-me. Ouvir-me. Seguir os conselhos que a tua alma me sussurra. E tantos têm sido. Focar-me em mim. Ensinaste-me a estar com o eu que sou. A não ter medo de mim nem do meu silêncio. A um recolhimento espontâneo de crescimento.
Por isso, quando vou à janela, a rua pode estar despovoada de movimento, mas o meu coração vê o filme dos teus olhos em mim. Recolho-me na quietude desta chuva miúda contigo no meu pensamento, onde vives.
És mesmo daquelas pessoas únicas e de uma transcendência especial, porque só os teus olhos têm o encanto de me fazer sentir amor no coração nesta paisagem de vida sumida.